Para o presidente da CNDL, José César da Costa, as consequências da pandemia no crescimento econômico impactam diretamente no aumento da inadimplência.

“O desemprego elevado é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes desafios a serem enfrentados pelo País e isso está ligado diretamente ao retorno do crescimento econômico, que ainda não alavancou. A renda da população foi fortemente afetada pela pandemia, e isso, somado ao aumento da inflação, contribui para a piora da inadimplência”, aponta Costa.

Com base em dados de capitais e interior de todos os 26 Estados da federação, além do Distrito Federal, o levantamento da CNDL e do SPC Brasil sugere uma porcentagem uniforme de pessoas inadimplentes entre 25 e 49 anos de idade e, curiosamente, também entre os sexos dos devedores em atraso: 51% mulheres e 49% homens.

Estimativa de Inadimplentes por faixa etária. Fonte/arte: © CNDL/SPC Brasil
Estimativa de inadimplentes por faixa etária. Fonte/arte: © CNDL/SPC Brasil

Em abril, em média, cada consumidor negativado devia R$ 3.518,84 na soma de todas as dívidas. Porém, mais da metade (51%) dos inadimplentes tinham pagamentos atrasados que somavam menos de R$ 1 mil.

Distribuição de inadimplentes por valor total das dívidas. Fonte/arte: © CNDL/SPC Brasil
Distribuição de inadimplentes por valor total das dívidas. Fonte/arte: © CNDL/SPC Brasil

Na comparação intranual, em abril destaca-se a evolução da inadimplência com bancos (+19%) e serviços de água e energia elétrica (+8%). Já as dívidas em atraso com serviços de comunicação (-10%) e com o comércio (-4%) apresentaram queda.

Dívidas em atraso por setor credor. Fonte/arte: © CNDL/SPC Brasil
Dívidas em atraso por setor credor. Fonte/arte: © CNDL/SPC Brasil

Em relação à evolução do número de dívidas, houve crescimento de quase 10% em abril em relação ao mesmo período de 2021.

O setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 58% do total, seguido do Comércio (14%), Água e Luz (11%) e Comunicação (10%).

A especialista em finanças da CNDL, Merula Borges, orienta que os consumidores priorizem a negociação e pagamento das dívidas que têm juros mais altos.

“As dívidas com instituições financeiras são as que têm os juros mais caros do mercado em casos de atraso. E a falta de pagamento desse tipo de dívida pode transformar valores pequenos em cifras praticamente impagáveis, sobretudo por superarem, em muitos casos, a renda do consumidor”, explica Merula Borges.

“A dica é que o consumidor sempre pague a fatura total do cartão e quando não for possível recorra a linhas de crédito mais baratas para não cair em um efeito bola de neve e acabar com uma dívida impagável, piorando ainda mais a situação”, acrescentou a especialista.

* Com informações, dados e gráficos da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil)