O estudo Persistence of neutralizing antibodies a year after SARS-CoV-2 infection in humans, publicado no European Journal of Immunology, em 27 de setembro, investigou a persistência do anticorpo neutralizante (NAb) até 14 meses após a infecção natural por SARS-CoV-2 e o potencial de proteção cruzada comparando os níveis de NAb do vírus do tipo selvagem (linhagem B) a três cepas de variants of concern (VOC) Alfa (B.1.1.7) , Beta (B.1.351) e Delta (B.1.617.2).

Foram avaliadas as concentrações de imunoglobulina Spike de SARS-CoV-2 (S-IgG) e de nucleoproteína IgG (N-IgG) e a proporção de indivíduos com anticorpos neutralizantes (NAb), em 8 e 13+ meses após o diagnóstico da infecção. Devido à alta cobertura na Finlândia da vacina contra o coronavírus da covid-19 nas faixas etárias mais velhas, apenas 11% dos participantes tinham ≥60 anos de idade.

Entre os 1.292 indivíduos não vacinados testados oito meses após infecção sintomática por SARS-CoV-2, 89% (1.148) tinham NAb contra o vírus selvagem, 96% (1.240) tinham anticorpos para Spike full length (SFL)-IgG e RBD (S-IgG) e 66% (846) tinham N-IgG.

Na avaliação de 13+ meses após infecção por SARS-CoV-2, foram selecionados aleatoriamente 367/652 indivíduos que não receberam uma vacina contra SARS-CoV-2 dos 995 indivíduos que participaram em ambos os pontos de tempo.

Neste subgrupo de indivíduos, após oito meses da infecção foram encontrados anticorpos na seguinte proporção: NAb (91%), S-IgG (98%) e N-IgG (67%).

Decorridos pelo menos 13 meses após a infecção, o NAb contra o vírus selvagem persistiu em 89% (326) dos indivíduos e o S-IgG em 97% (356). Apenas 36% (132) tinham N-IgG.

Contudo, as concentrações médias de IgG diminuíram significativamente para SFL-IgG, RBD-IgG e N-IgG de 8 meses (3,2, 2,3, 1,2 BAU/ml) para 13 meses (2,3, 1,7, 0,44 BAU/ml) após a infecção.

A redução na concentração média de IgG foi mais notável para N-IgG (-63%) em comparação com SFL-IgG (-28%) ou RBD-IgG (-26%).

Os pesquisadores notaram também que as concentrações encontradas foram muito mais altas entre os participantes que enfrentaram casos graves de covid-19.

"Observamos concentrações médias de N-IgG, SFL-IgG e IgG-RBD mais altas em indivíduos que se recuperaram da doença grave do que naqueles com doença leve 8 meses após a infecção. A diferença foi de 2,0 a 7,4 vezes, dependendo da faixa etária, e persistiu por pelo menos 13 meses após a infecção", destacaram os autores.

A proporção de indivíduos soropositivos permaneceu alta para S-IgG e NAb (100%) e relativamente alta para N-IgG (67%) um ano após a infecção grave, em comparação com 97%, 87% e 32%, respectivamente, daqueles com uma infecção mais branda. Uma proporção maior (33%) de indivíduos na faixa etária acima de 60 anos foi hospitalizada em comparação com pessoas mais jovens (13% de 40 a 59 anos e 6% daqueles de 17 a 39 anos).

O estudo revela ainda que indivíduos acima de 60 anos com infecção leve tinham níveis semelhantes de anticorpos S-IgG e uma proporção igualmente alta deles tinha NAb em comparação com indivíduos mais jovens com infecção leve. As concentrações de N-IgG foram, no entanto, maiores entre os indivíduos ≥60 anos do que nos indivíduos <60 anos com doença leve aos 8 e 13 meses após a infecção.

Variantes

Um subconjunto de 78 participantes pareados por idade e gênero de amostras de 13 meses foi selecionado aleatoriamente para titulação de anticorpos neutralizantes.

As amostras foram reanalisadas contra o vírus SARS-CoV-2 selvagem isolado na Finlândia em 2020 e três variantes (Alfa, Beta e Delta) isoladas no país em 2021.

Em todos os 78 participantes, os títulos de NAb foram significativamente mais baixos para todas as variantes em comparação com o vírus do tipo selvagem. Esta diminuição nos títulos médios geométricos (GMT) foi mais notável para as variantes Beta (-77%) e Delta (-69%) do que para a variante Alfa (-42%).

"Os valores de Delta GMT estão entre os GMTs das variantes Alfa e Beta, mas a soropositividade dos grupos de doenças graves foi relativamente bem preservada (≥80%) em comparação com a da variante Beta (65%)", afirma o estudo.

 Titulação de anticorpos neutralizantes de amostras de 78 indivíduos 13 meses após recuperados de covid-19. Fonte/Arte: © John Wiley & Sons, Inc
Titulação de anticorpos neutralizantes de amostras de 78 indivíduos 13 meses após recuperados de covid-19. Fonte/Arte: © John Wiley & Sons, Inc

Para todos os vírus, os indivíduos que se recuperaram da doença grave tiveram em geral títulos de NAb 2 a 3 vezes mais altos em comparação com aqueles com doença leve. O mesmo foi observado com todas as concentrações de IgG.

Os títulos de NAb contra o vírus do tipo selvagem foram maiores no grupo de idosos (≥60 anos) em comparação com <60 anos, sugerindo infecção mais grave no faixa etária idosa, enquanto os títulos de NAb para variantes não diferiram significativamente entre os grupos de idade, diz o estudo.

Estudos anteriores mostram que a maioria dos pacientes em recuperação de covid-19 tem respostas de anticorpos detectáveis com pico em aproximadamente um mês após a infecção.

Os níveis de anticorpos para os antígenos de proteína N e S diminuem durante os primeiros meses com diferenças no isotipo e na especificidade do antígeno do anticorpo. A taxa de decaimento mostrou diminuir a partir daí.

"O declínio precoce relativamente rápido em anticorpos S-IgG seguido por um decaimento mais lento indica uma transição de anticorpos sendo produzidos por plasmablastos de vida curta para uma população mais persistente de células plasmáticas de longa duração geradas posteriormente na resposta imune", diz o estudo.

"De forma consistente, foi relatado que os NAbs e a imunidade das células T persistem pelo menos 6 a 12 meses após a infecção. Nossos dados são consistentes com os dados anteriores, sugerindo que, embora os títulos de NAb diminuam com o tempo, os NAbs persistem na maioria dos indivíduos, pelo menos até 13 meses", conclui o artigo.

"Mostramos que os anticorpos S-IgG e, mais importante, os NAbs persistem na maioria dos indivíduos por pelo menos um ano após a infecção por SARS-CoV-2. A concentração de N-IgG, ao contrário, diminuiu entre uma grande proporção de indivíduos [...]

Os indivíduos com infecção grave tinham concentrações de N-IgG, S-IgG e títulos de NAb mais elevados do que os indivíduos com infecção leve e espera-se que permaneçam soropositivos por mais tempo", resumem os autores.

Cumpre destacar que o estudo foi baseado em pessoas que apresentaram casos sintomáticos de infecção por SARS-CoV-2, com doença covid-19 confirmada, de leve a grave.

A imunidade natural de casos assintomáticos não foi avaliada.

É importante notar que, por limitações tecnológicas, testes positivos para o vírus não significam necessariamente que a pessoa foi infectada e, portanto, não deve assumir que está protegida por imunidade natural sem exames complementares e avaliação dos resultados por médicos.

Apesar da proteção robusta e duradoura após uma infecção, os mandatos da vacina contra o vírus SARS-CoV-2 nos Estados Unidos não oferecem isenções com base na imunidade adquirida. Um levantamento do Epoch Times dos mandatos de vacinas para faculdades e universidades dos EUA não encontrou uma única escola oferecendo isenções para alunos com imunidade natural. Mandatos recentes impostos nos níveis estadual e federal também ignoraram a imunidade natural.

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