O IBC-Br do 3º trimestre de 2020 ajustado para o período (dessazonalizado) apresentou expansão de +9,5% na comparação com o trimestre anterior.

Em setembro, comparado a agosto, o crescimento foi de apenas +1,3%.

Na comparação entre setembro de 2020 e setembro de 2019, houve recuo de -0,8%, a 7ª queda consecutiva do ano.

Nos primeiros nove meses de 2020, o IBC-Br registra retração de -4,9% e, em 12 meses, encerrados em setembro, queda de -3,3%.

O setor de serviços é o mais impactado, e o que mais tem influência no PIB brasileiro –representando 60% do produto interno bruto.

Em setembro, a indústria brasileira registrou o quinto mês seguido de aumento da produção, mas a recuperação das vendas varejistas perdeu força.

O IBGE divulgará os dados do PIB do 3º trimestre em 3 de dezembro.

Saiba mais: IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central)

Por se tratar de indicador agregado de atividade, a taxa de crescimento do IBC-Br é frequentemente comparada à do Produto Interno Bruto (PIB). Embora a comparação seja natural, na medida que a estrutura do Sistema de Contas Nacionais (SCN) é utilizada para seleção e uso das proxies empregadas na apuração do IBC-Br , há diferenças conceituais, metodológicas e mesmo de frequência de apuração dos dois.

A construção do IBC-Br foi motivada pela inexistência de indicador agregado de atividade econômica de frequência mensal que permitisse sintetizar e avaliar, em maior frequência, o estado da economia, em contexto de decisões de política monetária.

Não obstante a base metodológica do cálculo do IBC-Br ter como referência o Sistema de Contas Nacionais (SCN), o indicador não dispõe do mesmo painel de dados utilizado na compilação do PIB. Por ser calculado pela ótica da oferta, ou seja, da produção dos três setores econômicos (agricultura, indústria e serviços), o IBC-Br não adota procedimentos de balanceamento entre oferta e demanda. Já a estimação do PIB procura compor quadro mais abrangente, equilibrando dados da oferta com os da demanda e, consequentemente, utilizando maior fluxo de informações do que o considerado pelo cálculo do IBC-Br. Do mesmo modo, o nível de desagregação dos indicadores utilizados na compilação e os procedimentos de estimação do produto de cada atividade podem diferenciar os cálculos do IBC-Br dos do PIB.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção. Essas proxies são agregadas com pesos derivados, em especial, das tabelas de recursos e usos do SCN. Também são utilizadas outras informações de caráter estrutural, como as obtidas na Pesquisa Industrial Anual (PIA), na Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e na Produção Agrícola Municipal (PAM).

Em resumo, IBC-Br e PIB são indicadores agregados de atividade econômica com trajetórias similares no médio prazo. Há características que os diferenciam tanto do ponto de vista conceitual quanto metodológico: o IBC-Br, de frequência mensal, permite acompanhamento mais tempestivo da evolução da atividade econômica, enquanto o PIB, de frequência trimestral, descreve quadro mais abrangente da economia. Além disso, o processo de dessazonalização pode contribuir para ampliar as diferenças pontuais entre os dois indicadores, ensejando cautela em comparações nos horizontes mais curtos (trimestral). No entanto, essas diferenças tendem a se compensar ao longo do tempo, favorecendo as comparações em horizontes mais longos (anual).

* Com informações do Banco Central

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