Atualização 21/08 - Segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) a rede de proteção social montada pelo governo federal resultou em aumento real de 2% da massa ampliada de rendimentos do brasileiro – soma de renda por meio do trabalho, de programas de assistência social e de previdência da população. Além do auxílio, houve efeito positivo da liberação emergencial do FGTS e a complementação de renda pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm).
Atualização 21/08 - O Presidente Bolsonaro confirmou hoje (21) que o Programa de Auxílio Emergencial será estendido até dezembro de 2020. A expectativa é que os valores das parcelas sejam divulgados na terça-feira (25), quando Bolsonaro anunciará medidas do Governo Federal para recuperação da economia.
Atualização 28/08 - Nesta sexta-feira (28), o Tesouro Nacional aumentou para R$ 4,9 trilhões o teto da Dívida Pública Federal (DPF) para o fim de 2020 devido aos gastos extras com a pandemia.

A retração entre o 1º e o 2º trimestre de 2020 foi de -11%, o maior tombo do IBC-Br desde o início da série histórica, em 2003.  A queda recorde foi puxada pelo recuo de -9,6% em abril.

No primeiro semestre, o índice de atividade calculado pelo BC recuou -6,3%, e nos últimos 12 meses, -2,6%.

Na comparação entre junho de 2020 e junho de 2019, houve queda de -7% na série sem ajustes sazonais.

Contudo, de maio para junho o IBC-Br subiu de 120,5 pontos para 126,4 pontos na série dessazonalizada, recuperação de +4,9%. A produção industrial brasileira cresceu +9% em junho, segundo mês consecutivo de resultados positivos, e o setor de serviços obteve o primeiro avanço depois de quatro meses de queda.

Luana Miranda, economista do Ibre, acredita que a retomada deve continuar no terceiro trimestre, mas desacelerar no fim do ano.

"As medidas de auxílio do Governo estão sendo bastante significativas nesse processo de recuperação e no terceiro trimestre elas ainda estarão em vigor. No entanto, no quarto, pelo menos até o momento, não vamos ter mais essas medidas de auxílio. Então deve haver uma piora da renda, dos indicadores do mercado de trabalho como um todo. Nesse caso, esse processo de recuperação pode ser mais lento no quarto trimestre", disse Miranda ao O Globo.

De acordo com um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o impacto na economia do Programa Auxílio Emergencial (PAE), do Governo Federal, será de 2,5% do PIB de 2019. Proporcionalmente, o efeito será mais significativo no Nordeste, onde o benefício deve representar 6,5% do PIB da região em 2019.

Estimativa da PAE (5 parcelas) sobre o PIB Nominal ajustado (2019) dos Estados. Fonte/arte: © Costa, Ecio & Freire, Marcelo. (2020). ESTUDO DE AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE AUXÍLIO EMERGENCIAL: UMA ANÁLISE SOBRE FOCALIZAÇÃO E EFICÁCIA A NÍVEL MUNICIPAL. 10.13140/RG.2.2.14014.51523.
Estimativa da PAE (5 parcelas) sobre o PIB Nominal ajustado (2019) dos Estados. Fonte/arte: © Costa, Ecio & Freire, Marcelo. (2020). ESTUDO DE AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE AUXÍLIO EMERGENCIAL: UMA ANÁLISE SOBRE FOCALIZAÇÃO E EFICÁCIA A NÍVEL MUNICIPAL. 10.13140/RG.2.2.14014.51523. 

O impacto do PAE no Maranhão chegará a 8,6% do PIB de 2019, seguido do Piauí (7,9%); Paraíba (6,7%); Alagoas e Ceará (ambos com 6,4%); Sergipe e Acre (5,9%); Bahia e Amapá (5,8%); Pernambuco (5,5%); Rio Grande do Norte (5,3%); Roraima (4,8%); Amazonas (4,3%); Tocantins (4%); Rondônia (3,2%); Goiás (2,6%); Minas Gerais e Espírito Santo (2,5%); Mato Grosso do Sul e Mato Grosso (2,1%); Rio de Janeiro (1,9%); Paraná (1,6%); e Rio Grande do Sul (1,4%).

Apesar do Estado de São Paulo ser o que mais recebeu recursos do Programa Auxílio Emergencial, com um aporte de quase R$ 30 bilhões, o estado deve ter um dos menores impactos na economia em relação ao PIB — 1,3% —, ficando à frente apenas de Santa Catarina (1,2%) e Distrito Federal (0,7%).

O auxílio foi destinado, na sua totalidade, a uma faixa de renda mais baixa, que tem como característica a elevada propensão ao consumo, as chamadas classes de renda D e E. De acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar, do IBGE, em cada unidade federativa, em média, aproximadamente 78% da renda dessas classes são destinadas ao consumo de bens, e 22% a serviços, como transporte, aluguéis, dívidas, etc.

Segundo estimativas da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), o Auxílio Emergencial injetou R$ 15o bilhões no comércio varejista do País, com cerca de R$ 19 bilhões despendidos no comércio estadual paulista, reduzindo a perda de receita de R$ 60 bilhões para R$ 41 bilhões em 2020, projetando uma retração de -5,5% para o ano ante -8% sem o auxílio federal.

Em São Paulo, alguns setores devem ter até crescimento no faturamento, como os supermercados (+3%) e as farmácias (+4%). Por outro lado, as concessionárias de veículos devem ter uma queda de -22% das receitas neste ano e lojas de vestuário e calçados esperam uma retração de -20%.

No Brasil, o varejo de roupas e calçados deve sofrer a maior retração (-25%), seguido pelo setor de material de construção (-18%). Os supermercados esperam uma alta de +5,4% em comparação com 2019, e as farmácias de +3%.

A nível nacional, a Fecomercio-SP estima que o setor tenha uma redução de -6,7% no faturamento, que poderia chegar a -14% sem o auxílio com dinheiro público.

“Da mesma forma que o Auxílio Emergencial foi muito significativo nestes primeiros meses da pandemia, quando ele acabar, vai fazer muita falta. O último trimestre do ano é o mais forte para o varejo. A última parcela do benefício será em setembro e depois, se não tiverem emprego, as famílias vão passar o resto do ano sem esta renda”, disse Altamiro Carvalho, economista da Fecomércio SP e responsável pela pesquisa, ao CNN Business.

O especialista ressaltou que o pagamento do 13º salário, que sempre ajudou nas compras de fim de ano, certamente será menor agora. Primeiro porque muitos trabalhadores do setor formal, que têm direito ao salário adicional, perderam a vaga. E para os aposentados, o 13º foi adiantado no primeiro semestre para acudir as famílias nos piores meses de confinamento.

“Não esperamos uma recuperação rápida, a depender muito da recomposição da renda e da confiança. Emprego e renda são essenciais, determinantes. Nem mesmo o crédito poderá viabilizar uma retomada eficiente. Com desemprego em alta, aumenta a incerteza das pessoas, elas não consomem, não tomam crédito”, ressaltou Altamiro Carvalho.

Esse cenário deve levar, segundo a Fecomércio, ao fechamento de 202 mil empresas em todo o país, sendo a grande maioria (197 mil) de pequeno porte, com até 19 funcionários. Assim, são esperadas 980 mil demissões ao longo deste ano no setor varejista brasileiro, sendo 590 mil desses postos de trabalho fechados em pequenos empreendimentos.

“Foi um efeito tsunami, primeiro derruba as barracas da praia, depois vai subindo e destruindo as estruturas mais resistentes. Muitos não conseguiram resistir a mais de 100 dias fechados. Foi um efeito devastador e rápido, uma interrupção de receita. O setor de vestuário foi o mais atingido, com perdas de mais de 80% das vendas”, disse o economista da Federação.

Nos últimos quatro meses, de acordo com a pesquisa semanal PNAD Covid-19, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo IBGE, cerca de três milhões de brasileiros ficaram desocupados, um aumento de 30% no número de pessoas sem trabalho.

Na primeira semana de maio, quando a pesquisa teve início, 9,8 milhões de pessoas estavam sem trabalho. Hoje, esse número saltou para 12,9 milhões, o que representa 13,7% de taxa de desocupação.

“Comparando com o início da pesquisa, o saldo da nossa investigação é que a população ocupada está menor, em 2,9 milhões de pessoas. A população desocupada está maior, pouco mais de 3 milhões de pessoas. E a taxa de desocupação também está maior em 3,2 pontos percentuais. Isso num contexto em que a população informal vem caindo também”, explica a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira.

A atual política fiscal não é política macroeconômica de sustentação da renda e do emprego. Trata-se de uma política social de minimização dos impactos desastrosos da supressão da atividade produtiva sobre a vida das pessoas.

O ex-Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse em maio que o déficit primário de 2020 pode alcançar R$ 700 bilhões.

“Estamos falando de um déficit primário de 8% a 9% do PIB. Se a gente colocar a conta de juros, a gente está falando de uma conta que pode passar de R$ 1 trilhão. Estamos indo para um déficit nominal que pode chegar entre 12% a 15% do PIB”, afirmou em audiência pública virtual da Comissão Mista do Congresso Nacional.

Saiba mais: IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central)

Por se tratar de indicador agregado de atividade, a taxa de crescimento do IBC-Br é frequentemente comparada à do Produto Interno Bruto (PIB). Embora a comparação seja natural, na medida que a estrutura do Sistema de Contas Nacionais (SCN) é utilizada para seleção e uso das proxies empregadas na apuração do IBC-Br , há diferenças conceituais, metodológicas e mesmo de frequência de apuração dos dois.

A construção do IBC-Br foi motivada pela inexistência de indicador agregado de atividade econômica de frequência mensal que permitisse sintetizar e avaliar, em maior frequência, o estado da economia, em contexto de decisões de política monetária.

Não obstante a base metodológica do cálculo do IBC-Br ter como referência o Sistema de Contas Nacionais (SCN), o indicador não dispõe do mesmo painel de dados utilizado na compilação do PIB. Por ser calculado pela ótica da oferta, ou seja, da produção dos três setores econômicos (agricultura, indústria e serviços), o IBC-Br não adota procedimentos de balanceamento entre oferta e demanda. Já a estimação do PIB procura compor quadro mais abrangente, equilibrando dados da oferta com os da demanda e, consequentemente, utilizando maior fluxo de informações do que o considerado pelo cálculo do IBC-Br. Do mesmo modo, o nível de desagregação dos indicadores utilizados na compilação e os procedimentos de estimação do produto de cada atividade podem diferenciar os cálculos do IBC-Br dos do PIB.

O IBC-Br é construído com base em proxies representativas dos índices de volume da produção da agropecuária, da indústria e do setor de serviços, além do índice de volume dos impostos sobre a produção. Essas proxies são agregadas com pesos derivados, em especial, das tabelas de recursos e usos do SCN. Também são utilizadas outras informações de caráter estrutural, como as obtidas na Pesquisa Industrial Anual (PIA), na Pesquisa Anual de Serviços (PAS) e na Produção Agrícola Municipal (PAM).

Em resumo, IBC-Br e PIB são indicadores agregados de atividade econômica com trajetórias similares no médio prazo. Há características que os diferenciam tanto do ponto de vista conceitual quanto metodológico: o IBC-Br, de frequência mensal, permite acompanhamento mais tempestivo da evolução da atividade econômica, enquanto o PIB, de frequência trimestral, descreve quadro mais abrangente da economia. Além disso, o processo de dessazonalização pode contribuir para ampliar as diferenças pontuais entre os dois indicadores, ensejando cautela em comparações nos horizontes mais curtos (trimestral). No entanto, essas diferenças tendem a se compensar ao longo do tempo, favorecendo as comparações em horizontes mais longos (anual).

* Com informações do Banco Central, UFPE, Fecomercio-SP, CNN, IBGE, O Globo

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