Os envolvidos nessas conversas não estão falando publicamente sobre a aquisição, mas até o momento também não estão negando.

Mas ter as gigantes chinesas Huawei e China Mobile assumindo a posição da Oi no mercado brasileiro de telecomunicações seria bastante dramático. Dada a guerra comercial; as preocupações de segurança expressas pelos EUA, e outras potências ocidentais, sobre os laços da Huawei com a comunidade de informações chinesa; e as proibições dos equipamentos da empresa em alguns países, questiona-se no exterior se o negócio seria aprovado pelas autoridades brasileiras.

Em março, o presidente Donald Trump tratou da questão da Huawei em reunião fechada em Washington com o presidente Jair Bolsonaro. Os Estados Unidos acusam a Huawei de ser instrumento de atividades de espionagem de Pequim. A empresa e o governo chinês negam qualquer ação nesse sentido.

O vice-presidente da República Hamilton Mourão tem dito que, apesar das advertências, o governo brasileiro não tem a intenção de restringir as atividades da Huawei e vai manter a empresa entre os fornecedores de redes 5G.

Em viagem à China em junho, Mourão encontrou-se com o CEO da Huawei, Ren Zhengfei.

"A Huawei vem sendo acusada de repassar os dados que ela tem ao governo  chinês. Conversei com ele que tem que criar um clima de confiança.  Enquanto houver esse clima de confiança não tem problema nenhum”,  disse ao diário carioca O Globo. “O Brasil não tem nenhum plano disso (restringir as atividades  da empresa).”

Em entrevista ao jornal Valor Econômico,  Mourão disse que em nenhum momento Bolsonaro levantou a  possibilidade de um bloqueio e que não há qualquer receio do governo  brasileiro em relação à Huawei.

O vice-presidente destacou que apenas 4 empresas no mundo dominam a tecnologia 5G, duas finlandesas e duas chinesas, a Huawei entre elas.

Na semana passada, o jornal espanhol El Confidencial publicou que a Telefónica estaria em entendimentos com os bancos Morgan Stanley e JP Morgan para avaliar a compra dos ativos de telefonia móvel da Oi.

A Telefonica Brasil negou que esteja conversando com a Oi, embora confirmar seria revelar que a Oi está considerando uma proposta.

O movimento das operadoras ocorre após a aprovação simbólica no Senado das novas regras do setor de telecomunicações.

Em recuperação judicial, com dívidas de US$ 19 bilhões, as regras tornam a Oi mais atraente para eventuais compradores. A americana  AT&T e a chinesa China Mobile vem demonstrando interesse há anos, enquanto a italiana TIM também é vista como candidata a aquisição da totalidade ou parte dos negócios.

* Com informações de O Globo, Valor Econômico, Agência Senado Federal e  El Confidencial

Atualização 24/09/2019:

Liang Hua, Chairman da Huawei, afirmou hoje que a venda de tecnologia 5G para os Estados Unidos será através de licenciamento e refutou as acusações de espionagem. "A Huawei jamais recebeu um pedido do governo chinês para instalação de acesso não autorizado (backdoor) e tal solicitação não seria atendida se tivesse acontecido", disse ao Global Times.

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