A fabricante chinesa pretende abastecer o mercado nacional e toda a América do Sul com smartphones projetados para a rede 5G.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo, o plano dependerá do sucesso nas vendas de seus aparelhos no país – a empresa retornou às lojas brasileiras em abril, após um hiato desde 2015.

A escolha da cidade será feita pela Huawei nos próximos meses, considerando logística e disponibilidade de mão-de-obra, entre outras condições técnicas e empresariais, representando um  investimento de US$ 800 milhões nos próximos três anos (2020 a 2022).

Além de São Paulo, outros estados podem receber o investimento.

"A Huawei tem planos para o Brasil. A companhia já é uma das principais  fornecedoras de infraestrutura em telefonia no país e agora quer  ampliar sua unidade de negócios com a venda de smartphones, mas a  fábrica vai depender da evolução das vendas dos celulares, que hoje são  importados. A intenção será fabricar celulares em 5G",  disse uma fonte ao jornal O Globo.

Em nota, a Huawei informa que está no Brasil há 21 anos. A empresa diz que esteve "sempre presente na transformação digital do Brasil, do 2G  até o 4.5G. E agora, na era do 5G, não será diferente. A empresa está animada com as oportunidades no cenário brasileiro e, conforme o  desenvolvimento da performance da operação dos smartphones da Huawei no  mercado local, considera instalar uma fábrica em São Paulo em um futuro  próximo".

O movimento da fabricante chinesa segue o de concorrentes estabelecidos na região.

O Uruguai foi o primeiro país da América Latina a receber a rede comercial 5G, graças à uma parceria entre a Nokia e a operadora estatal Antel. Agora, a fabricante finlandesa está planejando trazer a tecnologia para o Brasil com o leilão da Anatel.

A Nokia começou a testar as tecnologias para 5G no Brasil em fevereiro de 2018, em parceria com a Tim. Desde então, a empresa também conduz testes com outras operadoras no país.

Já a Ericsson, está investindo na ampliação de sua fábrica em São José dos Campos, em São Paulo, onde atualmente produz 16 mil rádio-antenas por mês, com 60% da produção destinada ao mercado doméstico e 40% para exportação.

" Vamos aumentar a linha de  produção, com a criação de uma linha  adicional de olho no 5G. Essa unidade é uma das poucas no mundo, além da  Estônia e China - disse ao O Globo Paulo Bernardocki, diretor de Redes da  Ericsson. "Hoje, os equipamentos em 4G que já produzimos já são habilitados para funcionar em 5G. Para isso, basta fazer uma atualização  do software".

Outros investimentos

A Huawei também pretende participar do leilão do  5G brasileiro, marcado para março de 2020. Afirma que toda a infraestrutura necessária para o funcionamento do  5G nacional estará pronta em menos de um ano se vencer a disputa.

Além disso, foi definido um investimento da Huawei, que ainda será  definido o valor, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no período de 2020 a 2022. Será dedicado a tecnologia e inovação, e o apoio a academia.

“Recentemente, tivemos uma reunião no IPT, onde nós afirmamos que o  Governo de São Paulo não faria nenhuma redução nos investimentos  previstos no orçamento, mas também buscaríamos recursos, no setor  privado, para aumentar o investimento em tecnologia e na pesquisa em São  Paulo. A Huawei será uma dessas empresas a atender esse apelo de São  Paulo”, declarou o Governador João Doria.

Outro investimento será na área da educação, em um programa comandado pelo Secretário da Educação, Rossieli Soares.

“É um programa de inovação, tecnologia e digitalização da rede  pública de ensino do ensino fundamental e básico”, disse o Governador. O  objetivo é, até o final de 2022, que as escolas da rede pública  estadual não utilizem mais giz e quadro negro, substituindo-os por  computadores, tablets, smartphones e tecnologia de ponta, para professores e alunos.

A Huawei será uma das parceiras do programa, também para as Escolas Técnicas (ETECs) e Fatecs, do Centro Paula Souza.

“Para a Huawei é uma honra participar dessa parceria com o Governo do  Estado de São Paulo. Nós fazemos esses investimentos para melhorar o  ecossistema dos nossos parceiros da sociedade brasileira, das gestões  públicas”, disse Atilio Rulli, Diretor Sênior de Relações Públicas e  Governamentais da Huawei.

Disputa comercial EUA - China

A Huawei tem crescido na venda de smartphones e também no mercado de infraestrutura para telecomunicações. A fabricante, porém, está no centro da disputa comercial entre EUA e China e é objeto de bloqueio comercial. Foi impedida de fazer negócios com companhias americanas sob a alegação de colaborar com a inteligência do governo chinês, representando um risco à segurança dos EUA.

Nesta sexta-feira a Huawei apresentou o seu próprio sistema operacional para smartphones, o Harmony, para não mais depender do Android, da americana Google.

Os EUA está pressionando seus aliados para não permitirem que a Huawei instale suas redes de 5G. O assunto foi tratado em reunião entre Trump e o presidente Jair Bolsonaro.  

O que dizem as operadoras

O CEO da TIM, Pietro Labriola, disse que a operadora “quer ser pioneira e líder no  5G, tanto no Brasil quanto na Itália”. A Telecom Italia já implementou  redes 5G nas cidades de Turim, Bari e Matera, assim como na república de  San Marino.

A TIM está usando equipamentos da Huawei em testes do 5G em Florianópolis (SC). A operadora não comenta sobre o bloqueio comercial, mas Claro e Oi pedem que o Brasil não entre nessa guerra.

“As operadoras já fizeram muitos investimentos nas redes 2G, 3G, 4G e 4,5G usando as tecnologias de todos os fabricantes, como a Huawei, a Nokia e a Ericsson. Seria um inferno se o governo mexer nessa questão”, disse José Félix, presidente da Claro Brasil, segundo o TeleSíntese.

O Vice-Presidente Hamilton Mourão declarou que o Brasil não tem intenção de vetar a Huawei no leilão 5G da Anatel.

* Com informações do O Globo, Folha, Exame e TeleSíntese.