Propriedade da Genting Hong Kong e operado pela Dream Cruisers, o navio World Dream tinha partido do porto de Hong Kong no domingo (2) com destino a Taiwan.

Na segunda-feira (3), o governo central chinês notificou autoridades portuárias e a operadora do cruzeiro sobre três ex-passageiros, que estiveram a bordo do navio de 19 a 24 de janeiro, terem sido testados positivo para o coronavírus.

No cruzeiro anterior, 4.400 pessoas da China continental desembarcaram em Nansha, Guangzhou, e 206 pessoas de Hong Kong deixaram o navio para visitar a cidade durante a parada. Do porto de Nansha, o World Dream seguiu para o Vietnã.

Na terça-feira (4), as autoridades portuárias de Taiwan negaram permissão para o World Dream atracar no porto de Kaohsiung.  

“No final da noite de 3 de fevereiro, a empresa foi informada pelas autoridades chinesas do continente sobre os três casos confirmados. Informamos todos os passageiros e tripulantes na manhã desta terça-feira sobre essas notícias”, disse um porta-voz da Dream Cruises.

Por volta das 9 horas da manhã de quarta-feira (5), o navio atracou no Kai Tak Cruise Terminal, em Hong Kong, mas não foi permitido sair da embarcação.

Ao meio-dia, foi anunciado aos passageiros que autoridades do porto estavam conduzindo testes de saúde na tripulação, o que causaria algum atraso no desembarque. Cerca de 1.600 (90%) passageiros a bordo são de Hong Kong.

À noite, a inspeção de saúde prosseguia, com 33 tripulantes tendo relatado sintomas que poderiam ser associados a infecções do trato respiratório superior.

Segundo o Departamento de Saúde de Hong Kong, os testes resultaram negativo para coronavírus e todos os membros da tripulação que trabalharam nas cabines dos passageiros infectados foram isolados.

O número de pessoas infectadas que estiveram na viagem anterior subiu de três para oito.  Existe também o caso de um funcionário da equipe de terra da Dream Cruises em Nansha que estava com a infecção e esteve no navio.

Na noite desta sexta-feira (7), o World Dream permanecia no terminal de cruzeiros Kai Tak. Os serviços de hotelaria e entretenimento continuam normais, segundo depoimentos de passageiros. Todos a bordo estão usando máscaras respiratórias.

Ainda não há confirmação de infecção entre os que estão a bordo.

Helena Wong Pik-wan, do Partido Democrata, pediu às autoridades de saúde que ordenem a quarentena obrigatória de 14 dias para todos os passageiros e tripulantes a bordo.

"É muito importante que usemos o navio como um centro de isolamento para garantir que todos os passageiros e pessoas que trabalham nele não espalhem a doença para suas famílias e a comunidade", disse Wong.

Vinte conselheiros distritais de Kwun Tong e Kowloon City apoiaram a sugestão de Wong e acusaram funcionários do governo de não atualizar os conselhos sobre os últimos desenvolvimentos.

Além do território continental da China e das regiões de Macau e Hong Kong, há casos de infecção confirmados em mais de 20 países.

Localizado no coração de Victoria Harbour (no extremo sudeste da antiga pista do aeroporto Kai Tak), o terminal oferece vistas panorâmicas do pitoresco horizonte de Hong Kong
Localizado no coração de Victoria Harbour (no extremo sudeste da antiga pista do aeroporto Kai Tak), o terminal de navios de turismo oferece vistas panorâmicas do pitoresco horizonte de Hong Kong.

Quarentena obrigatória

A partir de 8 de  fevereiro, todos os viajantes provenientes da China continental terão de passar por uma quarentena obrigatória de 14 dias ao entrarem em Hong Kong.

  • Os residentes que retornarem do continente receberão uma ordem de confinamento em suas próprias casas por 14 dias, sem permissão para receber visitantes.
  • Os não residentes também ficarão em quarentena no endereço apontado, por exemplo, um hotel.
  • Os viajantes sem visto válido por um período de 14 dias serão impedidos de entrar em Hong Kong.

A violação das medidas de quarentena obrigatória pode acarretar seis meses de prisão ou pagamento de multa equivalente a US$ 3.200.

* Com informações da RTHK e SCMP

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