No domingo (12), foram registrados 38 novos casos, na segunda-feira, 41, e nesta terça-feira, 40, elevando o número de casos de coronavírus em Hong Kong desde o primeiro surto para 1.569, com oito mortes relacionadas.

As autoridades de Hong Kong elevaram suas regras de distanciamento social em resposta ao aumento nas infecções, com novas medidas abrangentes que entrarão em vigor na quarta-feira (15), incluindo a proibição de servir alimentos para consumo no local entre 18h e 5h.

"Muitas pessoas precisam sair para trabalhar e tomar café da manhã e almoço, então, para o jantar, esperamos que as pessoas possam ir para casa comer", explicou a Secretária de Alimentação Sophia Chan Siu-chee. "É possível que tenhamos de proibir todos os serviços de jantar se a situação piorar, porque queremos reduzir o tempo que as pessoas passam em restaurantes".

Simon Wong Ka-wo, presidente da Federação de Restaurantes de Hong Kong, estima perdas de até US$ 400 milhões em julho.

"Embora existam empresas de entrega de alimentos, será difícil para elas atender às necessidades de toda a cidade de Hong Kong, elas podem nem ter mão de obra suficiente para entregar as refeições".

Sob as novas regras os clientes também serão limitados a quatro por mesa em restaurantes. Bares, academias e salões de karaokê, além do Ocean Park e Hong Kong Disneyland devem fechar, e as reuniões públicas voltam a ser limitadas a quatro pessoas.

O Professor Gabriel Leung, da Escola de Medicina da Universidade de Hong Kong (HKU), classificou a situação como mais grave e mais preocupante do que a primeira onda, que ocorreu antes que medidas de contenção tivessem sido estabelecidas.

Segundo Leung, o surto pressionou o sistema público de saúde e pode causar um colapso se continuar por mais uma semana ou duas.

"Este é o começo de um surto local maciço e contínuo que nunca vimos", alertou Leung.

O professor Ivan Hung Fan-ngai, especialista em doenças infecciosas da HKU, instou o governo a restabelecer as restrições nas fronteiras, principalmente para grupos isentos de testes e quarentena ao entrar em Hong Kong, como tripulações de companhias aéreas e de navios de cruzeiro.

"Todo mundo deve fazer o teste e deve ficar em quarentena por 14 dias após entrar em Hong Kong", defende o professor.

Já o professor de microbiologia da HKU, Yuen Kwok-yung, acredita que a nova onda está ocorrendo porque o público perdeu o interesse em combater o vírus.

“A recorrência da epidemia em Hong Kong está dentro das expectativas. À medida que as medidas de prevenção e controle em todo o mundo forem diminuídas, a epidemia definitivamente retornará”, prevê Yuen.

* Com informações do South China Morning Post

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