Atualização 26/06 - A Prefeitura confirmou que o hospital será fechado na próxima segunda-feira (30). Alegadamente, foram gastos R$ 23 milhões no hospital, média mensal de R$ 38 mil por leito, ocupado ou não.

A montagem do hospitalar temporário de 6,3 mil m² no gramado do estádio Pacaembu foi realizada em apenas 6 dias.

Para operar a instalação de 200 leitos, a organização social do Einstein contratou mais de 500 profissionais, entre médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, auxiliares de farmácia, psicólogos, técnicos de raio-x, assistentes de atendimento, cozinheiros, auxiliares de cozinha e camareiros.

O HMCamp do Pacaembu jamais operou em sua total capacidade.

Nas últimas duas semanas, o número de altas no hospital passou a ultrapassar o de internações e a escala de plantão dos médicos foi reduzida, sugerindo medidas para uma provável desativação.

A Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo insiste que o fechamento ainda não está certo, mas a pasta informou em nota que o contrato com o Albert Einstein termina no dia 6 de julho.

Os médicos, que já previam o encerramento das atividades, foram avisados na semana passada, em reunião virtual com o gestor do hospital temporário, que o dia 30 de junho seria o último plantão.

Segundo apurou o UOL junto a médicos que trabalham no local, parte da equipe que atuava no HMCamp Pacaembu já foi transferida para outras unidades.

"Já fizeram uma reunião com todo mundo, inclusive agradecendo o empenho de todos e avisando que devido à baixa ocupação, o contrato com a Prefeitura não seria renovado", disse uma das fontes.

"Eu fico até dia 30, que é o último dia previsto de funcionamento", disse outro profissional de saúde à reportagem. Um terceiro confirmou que também foi avisado do encerramento das atividades no fim do mês.

Alto custo

De acordo com um estudo da Secretária Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, cada leito de enfermaria em hospital de campanha custa R$ 34 mil por mês ao contribuinte fluminense, enquanto o leito de "estabilização" tem custo mensal de R$ 44 mil.

Note-se que o Ministério da Saúde paga R$ 800 por dia de internação em UTI em hospitais permanentes e, excepcionalmente, dobrou a remuneração para casos de Covid-19, atraindo um grande número de organizações privadas de saúde.

Segundo Sidney Klajner, presidente do Einstein, o hospital investiu muito para se preparar para uma alta demanda de Covid-19, que não aconteceu no setor privado.

“Graças a esse investimento, foi possível transferir o excesso para o setor público. Hoje o Einstein está com um terço da capacidade de UTIs de São Paulo”, afirma Klajner. Recursos extras de equipamentos, como respiradores, e de material de proteção individual foram repassados para um hospital referência da Prefeitura em tratamento da Covid-19, o M’Boi Mirim, gerido pela organização social do Einstein.

Anhembi

O Hospital Municipal de Campanha do Anhembi foi montado para receber até 1.800 pacientes. No entanto, deputados estaduais que integram o PDO – Parlamentares em Defesa do Orçamento, visitaram a instalação no dia 4 de junho e documentaram em vídeo que o hospital não foi finalizado.

Apenas 871 leitos estariam operacionais, dos quais cerca de 200 estão ocupados.

O grupo acionou o MPF (Ministério Público Federal), o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), o CRM (Conselho Regional de Medicina) e os representantes do Senado para denunciar os contratos fechados pelo poder público.

"O que a gente está questionando é um contrato, vários contratos, na verdade, de segurança por R$ 5,4 milhoes, mensal pra manutenção de R$ 18 milhões, sendo que o prefeito diz que não inaugurou ainda a outra ala e que não paga pelos leitos não utilizados. Meu Deus, quem pagou pelas camas que estão ali vazias, pelas geladeiras, pela estrutura metálica, pelas divisórias. Quem pagou isso? Quem paga para deixar aquilo limpo, porque precisa ser higienizado", afirmou a deputada Adriana Borgos ao R7.

A parlamentar Letícia Aguiar afirmou que as alas estavam inativas, sem camas, equipamentos, tampouco funcionários.

"Estamos cumprindo somente o nosso papel. Um hospital enorme, sem demanda a um custo muito alto, estamos questionando a necessidade disso, o dinheiro público que está sendo jogado fora porque não tem demanda, a Prefeitura deveria recuar e desativar estas alas que estão vazias", ponderou Letícia Aguiar.

A Prefeitura de São Paulo afirma que os custos são variáveis, dependendo do total de leitos ocupados, equipe médica, consumo de medicamentos, telefonia, limpeza, eletricidade, insumos utilizados, entre outros.

“O pagamento às organizações sociais que administram o hospital só é realizado pelo leito operacional. Os recursos não utilizados serão devolvidos para o erário público no final do período de prestação de contas”, diz, em nota.

Em mensagem em rede social, o governador reagiu à fiscalização dos deputados.

"O uso dos hospitais de campanha como palanque político é um desrespeito aos profissionais de saúde, pacientes e com a população".

* Com informações da Folha de S.Paulo, CNN, R7, Prefeitura Municipal de São Paulo

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