O CDC americano emitiu um alerta de saúde, nesta quinta-feira (21 de abril), após notificado, em novembro de 2021, por médicos de um grande hospital no Alabama, que um "conjunto de crianças" tinha sido diagnosticado com infecções por adenovírus 41 e hepatite.

"Cinco pacientes pediátricos com lesão hepática significativa, incluindo três com insuficiência hepática aguda, que também testaram positivo para adenovírus" foram reportados pelo hospital ao CDC, segundo a agência, acrescentando que o grupo do Alabama "envolveu crianças previamente saudáveis".

"Os esforços de busca de casos neste hospital identificaram quatro pacientes pediátricos adicionais com hepatite e infecção por adenovírus para um total de nove pacientes internados entre outubro de 2021 e fevereiro de 2022", escreveu a agência. Dois desses pacientes precisaram de um transplante de fígado.

"Essas crianças compareceram a provedores de saúde em diferentes áreas do Alabama com sintomas de uma doença gastrointestinal e graus variados de lesão hepática, incluindo insuficiência hepática", disse a Saúde Pública do Alabama (APH) em um comunicado de 15 de abril.

Além dos nove casos no Alabama, todos em crianças entre 1 e 6 anos, dois foram identificados na Carolina do Norte, disseram funcionários do Departamento de Saúde.

As autoridades estão investigando também a ligação entre casos de hepatite pediátrica e adenovírus.

Embora tenha havido relatos anteriores de crianças imunocomprometidas com adenovírus 41 em desenvolvimento de hepatite, o adenovírus 41 "não é conhecido por ser uma causa de hepatite em crianças saudáveis", disse o CDC.

O alerta nacional (Health Alert Network Health Advisory) pede aos profissionais de saúde que fiquem atentos a qualquer sintoma da doença e que reportem quaisquer casos semelhantes de hepatite.

A agência pediu ainda aos médicos e funcionários estaduais de saúde pública que informem se crianças menores de 10 anos são encontradas com aspartato aminotransferase (AST) ou alanina aminotransferase (ALT) elevada, sugerindo lesão de células do fígado.

"Casos de hepatite pediátrica em crianças que testaram negativo para os vírus da hepatite A, B, C, D e E foram relatados no início deste mês no Reino Unido, incluindo alguns com infecção por adenovírus", escreveu a agência americana.

Autoridades britânicas disseram que "não há ligação" entre os casos e as vacinas covid.

"Não há ligação com a vacina covid-19. Nenhum dos casos confirmados no Reino Unido foi vacinado", disseram as autoridades.

Pelo menos 100 crianças no Reino Unido com menos de 10 anos foram diagnosticadas com hepatite aguda de etiologia desconhecida.

Até agora, o adenovírus 41 foi encontrado em 77% dos casos de hepatite no Reino Unido, de acordo com a Dra. Esther Israel, chefe da unidade associada de gastroenterologia e nutrição pediátrica do Mass General Hospital for Children, acrescentando que, como os adenovírus não causaram comumente hepatite em crianças saudáveis até agora, "outras fontes ainda estão sendo procuradas".

O virologista da Universidade de Milão Fabrizio Pregliasco aventa a hipótese de redução das defesas imunológicas devido ao "fique em casa" adotado nesses anos de contenção da pandemia. Essa diminuição da imunidade teria resultado em "uma parcela maior de infecções por adenovírus que antes eram mais diluídas".

"Estamos observando esses casos nos EUA e em todas as partes da Europa com grande interesse há algum tempo", disse ao jornal Today o Dr. Andrew Pavia, epidemiologista de doenças infecciosas pediátricas do Hospital Infantil Primário Intermountain, em Salt Lake City. "Só recentemente foi considerada a possível conexão entre os casos de hepatite e adenovírus 41".

Na quarta-feira (20), o Ministério da Saúde israelense disse que está investigando casos semelhantes depois que pelo menos 12 crianças foram diagnosticadas com a condição, relatou o Times of Israel.

Saber sobre a possível conexão entre o adenovírus 41 e esses casos graves de hepatite significa que os médicos podem ampliar sua busca ao diagnosticar novos casos de hepatite.

"Quando trato hepatite, normalmente não testo exames de sangue para adenovírus", disse ao Today o médico pediatra David Hill, porta-voz da Academia Americana de Pediatria. "Por causa deste aviso [do CDC], eu vou fazê-lo agora".

As autoridades de saúde pública ainda precisam de tempo para entender a raiz dessas doenças. "É perigoso especular muito cedo", ponderou Pavia. "A causa exata e as implicações do que aconteceu no Alabama ainda não foram vistas".

"Nesta fase, é difícil saber o quão comum isso será, mas podemos muito bem ver mais se é infeccioso. Os pais devem estar atentos aos sinais de hepatite e devem entrar em contato com o profissional de saúde se estiverem preocupados", disse a Dra. Esther Israel.

Enquanto adenovírus e hepatite compartilham sintomas, como diarreia e náusea, Hill explicou que a hepatite é muito mais preocupante e tem sintomas únicos.

"Os adenovírus normalmente fazem seu curso sem precisar de intervenção médica", disse o pediatra. Não há tratamento específico para adenovírus.

A hepatite é uma inflamação do fígado que pode ser causada por uma infecção viral, medicamentos, suplementos de ervas, intoxicação e várias condições médicas.

A doença "às vezes leva à internação e pode até precisar de um transplante de fígado", disse Hill.

Para diferenciar entre sintomas de adenovírus e de hepatite, os pais devem ficar atentos a fortes dores abdominais, febre, urina de cor escura ou fezes de cor clara. O sintoma mais revelador é a icterícia, uma coloração amarela na pele ou no brancos dos olhos.

Atualização 23/04/2022

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, neste sábado (23), a notificação de 169 casos de hepatite de etiologia desconhecida em crianças:

  • Reino Unido 114;  (1 morte)
  • Espanha 13;
  • Israel 12;
  • Estados Unidos 9;  (de fato 11)
  • Dinamarca 6;
  • Irlanda 5;
  • Holanda 4;
  • Itália 4;  (a partir de 22 de abril, um total de 11 notificações foram recebidas. (regiões: Abruzzo, Emilia Romagna, Lazio, Lombardia, Marche, Sicília, Toscana e Vêneto)
  • Noruega 2;
  • França 2;
  • Romênia 1; e
  • Bélgica 1.

Segundo a OMS, 17 crianças necessitaram de transplante de fígado e uma morreu.

Atualização 08/05/2022

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA disseram que estão investigando 109 casos de hepatite grave em crianças, e ainda não pode explicar o surto. Os casos, 90% dos quais necessitaram de internação e cinco deles fatais, ocorreram em 25 Estados americanos.

14% das crianças afetadas precisaram de transplantes de fígado.

Metade das crianças afetadas também tinha infecções por adenovírus, embora o vice-diretor de doenças infecciosas do CDC, Jay Butler, tenha dito a repórteres na quinta-feira (5) que a agência não poderia identificar o adenovírus como a causa real. Os adenovírus geralmente causam sintomas leves de resfriado ou gripe, mas raramente causam hepatite em crianças, exceto em alguns casos em que o sistema imunológico da criança já está comprometido.

"Também não sabemos ainda qual o papel que outros fatores podem desempenhar, como exposições ambientais, medicamentos ou outras infecções que as crianças podem ter", continuou Butler, alegando que a vacinação covid-19 não causou as doenças, pois com uma idade média de dois anos de idade, a maioria das crianças afetadas era muito jovem para ter recebido a vacina.

* Com informações do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos.

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