O governo cubano havia reduzido as restrições no mês passado, mas voltou a restringir a circulação de veículos e pessoas na capital, Havana, após registrar 59 novos casos no sábado (8), o maior número diário em três meses.

"Não temos o direito de flexibilizar nosso comportamento, não temos o direito de diminuir a percepção de risco, não temos o direito de descansar em relação à aplicação das medidas", afirmou o Presidente Miguel Díaz-Canel.

O Ministério da Saúde avaliou que a situação pode se tornar “incontrolável” se as autoridades não agirem rapidamente.

"Estamos testemunhando um novo surto epidemiológico que coloca toda a nossa população em risco", disse o Ministro da Saúde José Angel Portal.

As infecções vinham crescendo ao longo das últimas duas semanas.

Em 19 de julho, a ilha havia conseguido reduzir os casos diários a zero pela primeira vez desde março. Porém, imediatamente após iniciar o processo de reabertura e relaxamento das medidas de lockdown, foram registrados novos casos, em uma média de 30 por dia. Os aeroportos ainda estão fechados.

Para controlar o novo surto na capital cubana, o governo aprovou um plano que restringe a circulação de pessoas e do transporte público até às 23h. Também proíbe o transporte entre Havana e as províncias vizinhas de Matanzas, Artemisa e Mayabeque, e reduz o horário de funcionamento de bares, restaurantes e casas noturnas até às 21h.

Segundo as autoridades, os pontos de maior contágio seriam as festas religiosas, as celebrações de cultos, e os encontros noturnos em bares e outros locais de entretenimento. Um dos últimos grandes eventos de transmissão local remontou a uma reunião religiosa.

Mas muitos dos novos casos – 41 dos 59 registrados no sábado –  são importados, muitas vezes da Venezuela. Não há viagens abertas em Cuba devido à pandemia, então a maioria dos repatriados provavelmente pertenceria aos 20.000 profissionais de saúde que estavam prestando serviço na Venezuela.

Embora o foco do surto em Cuba esteja em Havana, Portal disse que as autoridades precisam monitorar o resto do país com cuidado, dada a grande quantidade de viagens por toda a ilha que ocorreram no mês passado.

Oficialmente, foram registrados 2.900 casos de Covid-19 e 88 óbitos para uma população de 11 milhões.

* Com informações da SWI Swissinfo

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