"A guerra econômica declarada sobre a Rússia ameaça colapsar completamente as relações bilaterais. Isso, é claro, não é do nosso interesse, porque procedemos do fato de que as relações diplomáticas e, em princípio, as relações entre Estados devem servir aos interesses nacionais, aos interesses dos povos que vivem no território de nossos países", disse Maria Zakharova.

A diplomata ressaltou que o lado russo ofereceu por muitos anos aos Estados Unidos "um diálogo normal e aberto com base nos princípios de reciprocidade e respeito aos interesses nacionais russos".

Segundo Zakharova, o comportamento inaceitável de Washington é causado por "raiva impotente porque o plano de virar a Ucrânia contra a Rússia" e usá-la como cabeça de ponte para todos os tipos de ataques ao território russo "falhou".

"Essa raiva praticamente levou Washington a um ponto virtualmente sem retorno nas relações bilaterais", afirmou a diplomata russa, acrescentando que os Estados Unidos, juntamente com seus aliados, recorreram a um "roubo total" da Rússia e de seus cidadãos.

Em 26 de fevereiro de 2022, os Estados Unidos, o Reino Unido, o Canadá, a França, a Alemanha, a Itália e a Comissão Europeia emitiram uma declaração conjunta que pode muito bem mudar a economia global para sempre. Nela, esses países prometeram bloquear as reservas internacionais do Banco Central da Federação Russa depositadas nos seus bancos centrais em resposta à intervenção russa na Ucrânia dois dias antes. Essas reservas, estimadas em cerca de US$ 630 bilhões, estavam se acumulando desde que foram confiscadas na última vez que a Rússia interveio na Ucrânia, em 2014.

Dados de junho de 2021, apontam que 12% do total das reservas russas estavam na França, 10% no Japão, 9,5% na Alemanha, 6,5% nos EUA e 4,5% no Reino Unido.

Os EUA e seus aliados do G7 também estão tentando impedir as negociações de compra e venda de ouro do banco central russo.

O rublo foi abalado pelas sanções, mas não tanto quanto quando foi atingido pela queda dos preços do petróleo em 2014/15, quando a moeda russa caiu cerca de 48% em relação ao dólar americano – em 2022, caiu cerca de 25%.

"Aparentemente, não era esperado que a Rússia resistisse a este golpe, e que os problemas, de acordo com a lei dos vasos comunicantes, começariam a se multiplicar no próprio Estados Unidos, sem mencionar seus países satélites da União Europeia afinados com eles ... Esta é a raiz da retórica agressiva e insultos pessoais que vão além de todos os limites da decência, empregados também pelo presidente americano. Eles refletem tumultos internos, incerteza, irritação com o fato de que não deu certo, como sempre funcionou antes, e como foi planejado desta vez", observou a diplomata.

Zakharova chamou a atenção para o fato de que, por culpa de Washington, as missões diplomáticas russas "estão literalmente esgotadas pelas expulsões mútuas dos diplomatas".

"A situação é agravada pela decisão destrutiva dos Estados Unidos de parar de emitir vistos de entrada para cidadãos russos em sua embaixada na Rússia. É claro que se as missões diplomáticas em Washington e Moscou estiverem fechadas, absolutamente ninguém se sentirá melhor. Será simplesmente impossível resolver problemas", disse a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo.

Sonho dourado

No final do mês passado, Maria Zakharova disse que o surgimento de armas nucleares na Ucrânia seria um "sonho dourado" para Washington.

"Os EUA instalaram suas armas nucleares no território dos países europeus. Não a França e o Reino Unido, que têm suas próprias armas nucleares. É a Itália e muitos outros países que detém as armas nucleares dos EUA, mas não têm acesso a elas. Os EUA as controlam. Era um sonho dourado elas aparecerem na Ucrânia", disse Zakharova em entrevista com Vladimir Solovyov no canal de televisão Rossiya-1.

Segundo a diplomata, essa "conduta desenfreada e absolutamente descontrolada dos pseudo gurus anglo-saxões abrangerá não apenas a Rússia, mas também todos os que de alguma forma "se meterem em seu caminho". "Eles não acreditaram em nós na época. Isso foi há dez anos. A China agora está enfrentando isso em todas as frentes".

Atualização 25/03/2022

A Rússia não teve outra escolha a não ser mudar para sua moeda nacional, o rublo russo, em seu comércio energético com as nações ocidentais, devido à natureza das sanções impostas ao país, explicou Dmitry Medvedev a jornalistas nesta quinta-feira (25).

Medvedev, que foi Presidente da Rússia de 2008 a 2012 e atualmente é Vice-Presidente do Conselho de Segurança, argumentou que a decisão do Presidente Vladimir Putin no dia anterior de mudar para rublos em seu comércio de energia com compradores ocidentais é perfeitamente lógica, com Moscou não tendo outra opção sob as circunstâncias.

"Eles fecharam as contas correspondentes de nossos bancos comerciais, tornaram os acordos em dólares e euros impossíveis e desligaram os bancos na lista de sanções da SWIFT, pelo menos alguns deles. O que eles achavam que íamos fazer?", perguntou o político russo retoricamente.

Abordando os planos de eliminar gradualmente a energia russa expressa por algumas nações europeias, Medvedev avaliou que, a curto prazo, tal cenário é improvável, pois teria um efeito devastador para a própria Europa.

Medvedev observou que os EUA, que eram muito menos dependentes do fornecimento de energia russo, sentiram o peso imediatamente após a decisão de parar de comprar petróleo russo. De acordo com o ex-presidente, o aumento dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos, "em um nível recorde agora", prejudicará ainda mais os índices de aprovação de Joe Biden.

No entanto, Moscou não tem ilusões quanto ao fato de que, mais cedo ou mais tarde, os países ocidentais mudarão para outras fontes de energia, observou Medvedev, portanto, a Rússia está "certamente olhando para os mercados asiáticos no ambiente atual" e "descobrindo maneiras de diversificar nossos suprimentos". O ex-presidente concluiu que, enquanto o dinheiro europeu entrar, a Rússia continuará a usar essa fonte de receita.

O Ocidente mostrou uma profunda falta de compreensão da mentalidade russa ao impor sanções setoriais. "Eles também estão tentando influenciar os setores da economia que estão por trás desse grande negócio. E estes são centenas de bmilhares, milhões do nosso povo", argumentou.

Medvedev afirmou que mesmo aqueles que não apoiam o governo vão apoiá-lo diante da pressão externa.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

* Com informações da TASS

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