“O Presidente disse expressamente que não privatizaria a Petrobras neste mandato, o primeiro mandato”, declarou o ministro, acrescentando ser pessoalmente favorável à privatização da estatal.

“Penso que a gente deveria privatizar a Petrobras, mas eu não tenho votos. Sou só um Ministro da Economia”, disse Guedes.

Em relação à troca de Joaquim Silva e Luna por Adriano Pires na presidência da Petrobras, o ministro disse que a mudança não deverá ter consequências práticas.

“Não acho que essa mudança seja um fator importante, não mesmo. Não espero que tenha efeitos reais”, comentou.

Paulo Guedes disse ainda que a troca no comando da estatal não é problema dele.

"A Petrobras é do Ministério de Minas e Energia. Quem indica o presidente é o presidente da República junto com o ministro de Minas e Energia", afirmou o ministro.

Durante a entrevista, Guedes prometeu executar outras privatizações até o fim do ano, como a da Eletrobras e a dos Correios, além de avançar com concessões de portos e de aeroportos do Rio e de São Paulo.

Atualização 04/04/2022

O economista e consultor Adriano Pires comunicou na manhã desta segunda-feira (4) ao Palácio do Planalto que desistiu de ocupar a presidência da Petrobras.

A desistência ocorre depois do governo Bolsonaro receber informações de que o nome dele não passaria na avaliação de governança da empresa.

Na quarta-feira passada, relatórios da Diretoria de Governança e Conformidade da Petrobras sobre o histórico de Pires foram apresentados ao ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, e a técnicos da Corregedoria-Geral da União.

Entre os clientes de Pires está o empresário e sócio de distribuidoras de gás Carlos Suarez, a associação do setor (Abegás), a Compass, concessionária de gás do empresário Rubens Ometto, e diversas outras empresas do setor.

Suarez tem uma série de interesses na Petrobras, entre eles o fim de uma disputa bilionária entre a Cigas, distribuidora no Amazonas do qual é sócio, e a estatal. Os setores jurídicos das duas companhias estão negociando há meses um acordo para encerrar todos os litígios entre as duas empresas, valor estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 8 bilhões.

No ano passado, Adriano Pires também trabalhou no Congresso pela aprovação da lei do gás, com artigos que eram do interesse das distribuidoras.

Nos últimos dias, o economista vinha sendo pressionado a revelar quem são seus clientes, mas não o fez, ainda que fossem de conhecimento público do mercado.

Pires diz que só descobriu depois de aceitar a indicação que a política de governança da Petrobras não permite que seus executivos tenham parentes ligados a concorrentes e parceiros comerciais. Para assumir a presidência, o economista estava passando as ações da sua empresa de consultoria para o filho.

O Ministério de Minas e Energia confirmou nesta segunda-feira à noite que Adriano Pires não vai aceitar a indicação para assumir a presidência da Petrobras.

Em carta encaminhada ao ministro Bento Albuquerque, Pires agradeceu o convite e reconheceu a dificuldade em conciliar a indicação com sua atuação profissional.

“Ficou claro para mim que não poderia conciliar meu trabalho de consultor com o exercício da Presidência da Petrobras. Iniciei imediatamente os procedimentos para me desligar do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), consultoria que fundei há mais de 20 anos e hoje dirijo em sociedade com meu filho. Ao longo do processo, porém, percebi que infelizmente não tenho condições de fazê-lo em tão pouco tempo”, afirmou Pires no documento.

* Com informações da Agência Brasil