“A gente tem que fechar com o mercado a metodologia para indenizar os investimentos não amortizados. A gente quer estabelecer acordos, e acordo tem que ser bom para todo mundo. Eu tenho que criar os incentivos para aquele concessionário aderir ao acordo”, disse o ministro a respeito da estratégia para romper os contratos antes do fim do prazo de  vigência.

Entre as concessionárias que já demonstraram interesse em devolver os  ativos está a administradora do Aeroporto de Viracopos, em Campinas  (SP), e da BR 040, que passa por Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais.

Segundo o ministro, as empresas apresentaram problemas tanto pelo  modelo de licitação, como pelo envolvimento de alguns empreendedores em  casos de corrupção descobertos pela Operação Lava Jato.

“Nós temos um problemaço para resolver que são aquelas concessões que  deram errado. Deram errado por problema de modelagem. Em algum momento,  a ideologia substitui a aritmética. Quando isso acontece, as coisas não  dão certo”, ressaltou.

A ideia é fazer aditivos nos contratos para manter as rodovias e  aeroportos em bom estado e funcionando até que seja possível passar os  ativos para outros empreendedores. “Manter esses ativos operando para  que a gente consiga estruturar novas concessões, em novos parâmetros”,  finalizou.

* Edição: Frontliner

Atualização 14/08/2019 (Agência Câmara Notícias):

Câmara vai acompanhar devolução da BR-040

Comissões da Câmara dos Deputados deverão acompanhar o processo de  devolução ao poder público da concessão pertencente à Via 040, do grupo Invepar, responsável por trecho da rodovia BR-040, entre Brasília e Juiz de Fora (MG). A formalização do pedido de devolução pela concessionária  deverá ocorrer na próxima semana. A Agência Nacional de Transportes  Terrestres (ANTT) estudará o caso e um novo processo de licitação para  nova concessão a outra empresa poderá ser aberto em dois anos.

O assunto foi discutido em audiência pública na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, a pedido do deputado Padre João (PT-MG).  A expectativa do parlamentar é que o processo seja acompanhado pelas  comissões de Fiscalização Financeira; de Direitos Humanos; e de Legislação Participativa, além do Tribunal de Contas da União.

O contrato previu a realização de obras de recuperação e manutenção,  serviços operacionais, conservação e aumento de capacidade, incluindo a  duplicação de mais de 700 quilômetros.

Nestes cinco anos, porém, apenas 73 quilômetros foram duplicados, a maior parte em Goiás, em trechos onde não havia necessidade de licenciamento. A obra mais esperada, no entanto, era a duplicação entre Belo Horizonte e Juiz de Fora.

A principal preocupação de Padre João é com os acidentes de trânsito nas vias não duplicadas. “É injusto com o usuário.  A empresa explorou 11 praças de pedágio durante quatro anos. O usuário  está pagando e não recebe uma segurança total”, reclamou o parlamentar.

Contrato

O contrato atual foi fechado em 2014, com prazo de 30 anos. O trecho concedido para a Via 040 compreende 936,8 km de rodovia. A tarifa cobrada em cada pedágio é de R$ 5,30. Pela BR circulam 186 mil veículos por dia, sendo que 90 mil passam pelas praças de pedágio e efetivamente pagam para circular.

Crise

A explicação do Gerente de Relações Institucionais da Concessionária Via  040, Frederico Souza, é que a empresa foi vítima da crise política e  econômica que assolou o Brasil a partir de 2014. “Em 2013, havia uma  previsão otimista em relação ao crescimento do País. Entretanto, a  partir de 2014, houve uma retração significativa que gerou inflação  acima da meta sobre os custos dos produtos da rodovia, frustração do  nível de veículos, falta de financiamento de longo prazo com juros  subsidiados, que era uma premissa”.

Para duplicar o trecho, seriam necessários R$ 5,4 bilhões, mas os investimentos totais realizados somam R$ 1,7 bilhão.

Processo

Na reunião, o superintendente de Exploração da Infraestrutura Rodoviária da ANTT, Marcelo Alcides dos Santos, explicou que o processo de devolução amigável se inicia com a manifestação da concessionária, o que até já havia ocorrido e acabou chegando à Justiça. Agora, porém, o processo será feito com base no Decreto 9.957/19, publicado neste mês, para relicitação dos contratos de parceria nos setores rodoviário, ferroviário e aeroportuário.

Assim que a concessionária protocolar o documento com essa intenção a ANTT iniciará a análise da  proposta e das obrigações que serão mantidas ao longo do processo pela  concessionária. Posteriormente, a agência reguladora encaminhará parecer  técnico ao Ministério da Infraestrutura. “Aceito o pedido da concessionária, é feito um termo aditivo estabelecendo as novas premissas do contrato, já que as obrigações não foram cumpridas”, detalhou Santos. Ele lembrou que as multas já aplicadas serão cobradas.

Todo o processo deverá durar dois anos. Só então o governo partirá para  uma nova proposta de concessão a uma nova concessionária. Durante o  período de formalização para a nova licitação, a concessionária atual  deverá permanecer no trecho.

Padre João reclamou da demora. Para ele, as agências reguladoras deixam a desejar quando não exigem o cumprimento do serviço. “Dá a entender que tem um conchavo para proteger o empreendedor”, acredita.  Segundo a ANTT, no entanto, tão logo foram verificadas as não conformidades, foram aplicadas multas e feitos descontos nas tarifas de pedágio.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição - Ana Chalub
Agência Câmara Notícias