O governo japonês diz que continua comprometido com o carvão por ser uma solução econômica de geração de energia, e que a nova tecnologia ajuda os países a reduzir suas emissões ao substituir termoelétricas menos eficientes e antigas.

O Japão é um dos líderes mundiais em tecnologia de energia de carvão. Também está liderando um esforço para comercializar uma nova tecnologia conhecida como unidades de ciclo combinado de gaseificação integrada (IGCC), que melhora o processo de geração de energia por meio da gaseificação de carvão.

A dependência do Japão em combustíveis fósseis para geração de energia aumentou à medida que a maioria de suas usinas nucleares permanece inativa, após o triplo colapso de 2011 na província de Fukushima, que foi desencadeado por um forte terremoto e tsunami.

Antes do desastre, a energia nuclear representava cerca de 30% do suprimento total de energia e o governo pretendia aumentar a taxa de utilização de usinas nucleares domésticas para mais da metade do mix total de energia até 2030.

No Japão pós-Fukushima, o governo procurou obter uma matriz energética equilibrada e considera o carvão uma de suas principais fontes de energia, devido à sua vantagem de ser barato, estável e seguro contra riscos geopolíticos, pois importa quase todo o seu petróleo do Oriente Médio.

O carvão, antes responsável por cerca de um quarto da geração de energia elétrica do Japão, subiu para mais de 30% em 2013 para compensar as paralisações das usinas nucleares.

O custo de construção de usinas a carvão é muito mais alto do que para usinas a gás usando a melhor tecnologia disponível. Mas os custos de combustível são muito mais baratos que o gás e, ao longo das décadas, as usinas de carvão são uma opção mais econômica e continuam sendo uma opção popular,

As termoelétricas a carvão do Japão têm uma eficiência de geração de energia de 44%, enquanto as modernas usinas a gás têm uma eficiência de mais de 50%.

O governo japonês sustenta que as fontes alternativas de energia são pouco confiáveis e de alto custo.

Em 3 de dezembro, o ministro da Economia, Comércio e Indústria, Hiroshi Kajiyama, disse em uma entrevista coletiva em Tóquio: "Como opções (para um mix de energia), gostaríamos de manter usinas a carvão e usinas usando combustíveis fósseis".

Exportação de infraestrutura

A estratégia de exportação de infraestrutura estipula que o Japão em princípio fornecerá ajuda para instalar usinas de geração de energia mediante solicitação de países, desde que sejam obrigados a escolher o carvão como fonte de energia.

"Há uma necessidade de geração de energia a carvão, principalmente de países asiáticos em desenvolvimento, onde a demanda por energia está aumentando, Não planejamos revisar nossa política de exportação de infraestrutura", disse fonte do governo japonês ao Kyodo News.

O consumo global de carvão aumentou quase 1% em 2018, segundo a Agência Internacional de Energia, devido à forte demanda por geração de energia na China e na Índia.

O carvão é responsável pela geração de 40% da energia elétrica no mundo.

China

A China fez grandes progressos no incentivo a combustíveis alternativos, agregando a maior capacidade de energia solar e eólica do mundo e exigindo níveis mínimos de uso de energia limpa. No entanto, continua queimando metade do carvão produzido no mundo. O carvão fornece cerca de 60% de sua energia e levará anos para mudar essa dependência. A nação também fez da segurança energética uma prioridade em meio à disputa comercial com os EUA.

Em setembro, a China inaugurou uma das ferrovias de carga pesada mais longas do mundo para transporte de carvão, a Ferrovia Haoji.

Ao custo de US$ 30 bilhões, a ferrovia tem 1800 km de extensão total, incluindo 770 pontes (380 km) e 230 túneis (470 km), e foi projetada para transportar 200 milhões de toneladas de carvão por ano  –  movimento superior ao consumo anual do Japão.

Atualmente, são necessários cerca de 20 dias para fornecer carvão de Shaanxi a Hunan, Hubei e Jiangxi pela principal rota marítima. A nova ferrovia pode reduzir o tempo de envio para apenas três dias. As termoelétricas terão mais flexibilidade no gerenciamento de estoques e na resposta a mudanças bruscas nas condições climáticas, o que pode afetar o uso de eletricidade.

"A participação do carvão na matriz energética da China está caindo, mas o consumo de carvão continuará aumentando", disse Teng Suizhou, diretor de marketing da Hubei Jingzhou Coal & Port Co., que construiu instalações portuárias e de armazenamento para atender à nova ferrovia.

"O carvão continuará sendo uma fonte dominante de energia nos próximos 10 anos", disse Tian Miao, analista da Everbright Sun Hung Kai Co. em Pequim.

* Com informações do Kyodo News, The Japan Times, Bloomberg e Xinhua

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