Em seu primeiro discurso para a legislatura nacional após assumir na segunda-feira (4), o 100º primeiro-ministro do país disse que continuará a pressionar para que o Japão saia da deflação e identificou as "três flechas" dos planos econômicos desenvolvidos pelo ex-primeiro-ministro Shinzo Abe – política monetária agressiva, consolidação fiscal e estratégia de crescimento – como a gestão geral da política macroeconômica de seu governo.

Kishida observou que as políticas neoliberais que o Japão adotou criaram uma divisão entre ricos e pobres. O mundo, observou, está mudando no sentido de proteger a classe média e apoiar os gastos massivos dos governos e do setor privado na preparação para crises, como a mudança climática.

“O que é importante é criar um ciclo positivo de crescimento e distribuição”, disse Kishida. “Implementaremos várias políticas para alcançar ambos”.

Kishida também prometeu investimentos substanciais em Ciência & Tecnologia. Ele pediu a criação de um fundo para apoiar a pesquisa nas universidades, bem como investimentos para desenvolver tecnologia em áreas como meio ambiente, inteligência artificial e exploração espacial. Além disso, prometeu modernizar a infraestrutura digital em áreas rurais e facilitar a instalação de redes 5G.

Ao mesmo tempo, Kishida pressionou por benefícios fiscais para empresas que aumentarem salários, mais apoio para os custos de educação e moradia para famílias com crianças pequenas e esforços para aumentar os rendimentos de enfermeiras e funcionários de creches.

Na diplomacia e na defesa nacional, Kishida prometeu fortalecer a aliança Japão-EUA e trabalhar com aliados e países "com ideias semelhantes" para garantir um Indo-Pacífico livre. Ele também sugeriu cooperação com os Estados Unidos, Índia e Austrália, conhecidos coletivamente como "o Quad", para atingir o objetivo.

Os legisladores do seu partido gritaram em aprovação e aplaudiram quando ele defendeu o banimento das armas nucleares.

“Eu também assumirei a tocha da abolição nuclear, que foi tentada muitas vezes pelos grandes líderes mundiais, e farei o melhor que puder para alcançar um mundo sem armas nucleares”, disse Kishida, que nasceu em uma família política na província de Hiroshima. “Acredito que o ponto cardeal da defesa e da segurança nacional seja a confiança”.

Para lidar com as crescentes preocupações de segurança, Kishda se comprometeu a atualizar a estratégia de segurança nacional, as Diretrizes do Programa de Defesa Nacional e o programa de defesa de médio prazo. Ele também discutiu o aumento da defesa antimísseis e das capacidades de segurança marítima, bem como da segurança econômica.

Kishida citou a China, mas teve o cuidado de não antagonizar o país, destacando que uma relação bilateral estável é importante para a região e para o mundo. Ele observou a necessidade de enfrentar a China em certos assuntos, ao mesmo tempo em que mantém o diálogo com a segunda maior economia do planeta.

Kishida descreveu a Coreia do Sul como "um importante país vizinho" e exigiu que o país "tome as medidas adequadas com base em nossa posição coerente para restaurar um relacionamento saudável". Chamando o desenvolvimento nuclear e de mísseis da Coreia do Norte de "absolutamente inaceitável", Kishida disse que está determinado a resolver essas questões e repatriar cidadãos japoneses sequestrados por agentes norte-coreanos nas décadas de 1970 e 1980.

Ele usou uma linguagem semelhante à de Suga nas ilhas controladas pela Rússia ao largo de Hokkaido, prometendo não colocar a questão em segundo plano e mostrou seu compromisso com o desenvolvimento das relações Japão-Rússia, incluindo a conclusão de um tratado de paz.

* Com informações do Japan Times

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