O Ministro disse que o governo está preparando vários planos para recuperar os setores mais afetados pelas medidas de enfrentamento ao coronavírus.

"Há uma necessidade urgente de agir", disse Le Maire. "A Renault pode desaparecer, os grandes fabricantes industriais podem desaparecer, é preciso ter lucidez".

O comentário vem em meio a especulações nos jornais franceses de que a Renault estaria se preparando para fechar várias fábricas na França, incluindo a principal delas, localizada em Flins, norte de Paris.

A Renault, o carro-chefe industrial francês, encontra-se em péssimas condições, tendo visto suas fábricas e sua rede comercial paralisadas pelos confinamentos, o que reduziu o mercado em 76% em abril. O grupo já estava enfraquecido antes deste episódio, tendo sofrido em 2019 sua primeira perda líquida em dez anos.

"Nunca escondi a gravidade da crise e não oculto a gravidade da situação da Renault". A montadora está em "sérias dificuldades financeiras" mas "Flins não vai fechar. Essa é a posição do governo", afirmou Bruno Le Maire à Europe 1.

"A estratégia que nos parece correta para a Renault, como Estado acionista, é torná-la uma das fabricantes tecnologicamente mais avançadas do planeta, na vanguarda do veículo elétrico", disse o Ministro à Europe 1.

O governo francês deverá garantir um empréstimo bancário de cerca de cinco bilhões de euros, aprovado pela União Europeia, destinado a socorrer o setor.

Contudo, Le Maire disse que ainda não assinou o empréstimo, pressionando as montadoras a se comprometerem com a agenda política do governo Macron, que inclui a "descarbonização" da indústria francesa.

“Nós exigimos aos nossos fabricantes compromissos em três direções: o veículo elétrico, o respeito aos seus fornecedores e a localização na França das suas atividades tecnologicamente mais avançadas”, disse Le Maire ao Le Figaro.

Bruno Le Maire destacou que o governo mantém as conversações “num quadro de apoio à indústria do automóvel” integrante também de um plano para todo o setor, a ser anunciado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, na quarta-feira (27).

Falências e demissões

Le Maire alertou que os franceses devem se preparar para "falências e demissões nos próximos meses".

"Muitos setores estão sendo duramente afetados" pela crise e, "embora a economia esteja se reativando, não está sendo no mesmo ritmo de antes", disse.

Le Maire disse que a resposta da França à pior depressão desde a Segunda Guerra Mundial totalizou 450 bilhões de euros em ajuda e garantias, 20% do PIB 2019.

A segunda maior economia da zona do euro encolherá pelo menos 8% este ano e o déficit orçamentário deve atingir um recorde pós-guerra de 9% do PIB.

O governo francês planeja reduzir gradualmente o esquema de apoio ao desemprego parcial a partir de junho, o qual impediu até agora uma onda de demissões em massa na França.

"Devemos incentivar as pessoas a voltarem ao trabalho. Não é normal que o Estado pague 100% dos salários", completou Le Maire.

Segundo estimativa do Ministério do Trabalho francês, o número total de pedidos de autorização de desemprego parcial desde 1º de março atingiu 13 milhões. Cerca de 9 milhões de trabalhadores teriam recebido o auxílio.

A população da França é de 67 milhões de habitantes. O PIB em 2019 alcançou 2,4 trilhões de euros, avanço de 1,3%. O PIB caiu 6% no primeiro trimestre de 2010 comparado ao ano anterior. O número de vítimas fatais da Covid no país é de cerca de 28 mil pessoas.

Politicamente correto

Enquanto empresas e empregos desaparecem, a Academia Francesa está ocupada em discutir a expressão "não muito feliz" do "distanciamento social".

"Distanciar", ensina a Academia, significa em seu sentido primário "a recusa em se misturar com outras classes sociais".

"Talvez pudéssemos ter conversado sobre 'respeitar distâncias seguras', 'distância física' ou 'estabelecer distâncias seguras'", sugere a Academia.

Os acadêmicos também estabeleceram que a foma correta é 'a covid', embora a quase totalidade dos franceses continue falando e escrevendo 'o covid'.

* Com informações do The Local France, Europe 1, Le Figaro, CountryEconomy

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