"Iremos transformar leitos comuns em leitos de UTI, mas queremos ter 1.400 leitos novos para o tratamento do coronavírus e os equipamentos para isso", disse o Secretário Estadual da Saúde, José Henrique Germann. "Precisamos de R$ 225 milhões e o desembolso começa hoje, com a liberação de R$ 92 milhões".

Germann ressaltou que parte do dinheiro será destinado para a compra de medicamentos que dão suporte à internação hospitalar, ainda que não existam remédios para tratamento do novo coronavírus.

O Secretário da Saúde disse que subiu para 50 nesta sexta-feira (13) o número de casos de pacientes confirmados com a doença no Estado de São Paulo.

Embora num patamar menos enérgico que outros países, o Governo brasileiro subiu o tom no combate ao coronavírus nesta sexta-feira e passou a recomendar que prefeitos e governadores adotem ações rigorosas de distanciamento social, para desacelerar a propagação do vírus e espalhar no tempo casos da covid-19, a síndrome respiratória aguda severa causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Sem essas ações, projetam as autoridades de saúde, o número de infectados pode dobrar a cada três dias no País, aumentando rapidamente a incidência de casos que podem evoluir para quadros graves e sobrecarregar o sistema de saúde.

Existe um consenso em muitos países que a meta agora é ganhar tempo para a   recuperação do sistema de saúde num contexto em que pacientes graves ficam mais tempo nas UTIs.

"Diante da impossibilidade de combater a epidemia com os medicamentos atuais, a única maneira de lidar com a crise é ganhar tempo, evitar que todas as infecções ocorram simultaneamente", disse Lothar H. Wieler, Presidente do Instituto Robert Koch (RKI), agência federal alemã responsável por enfrentar a epidemia, em coletiva na quarta-feira (11).

Até que exista uma vacina, "o desafio é  espalhar as infecções no tempo", disse Wieler.

"O coronavírus está se espalhando e não há nada que possa impedi-lo. A única coisa que podemos fazer é desacelerar a epidemia", insistiu o Ministro da Saúde Jens Spahn.

Por enquanto, apenas 12 dos 98 casos confirmados no Brasil estão sendo tratados em hospitais.

No Estado de São Paulo, as autoridades de saúde calculam de maneira otimista que 500 mil pessoas (1% da população) serão infectadas nos próximos meses, com 100 mil doentes (20%) precisando de internação hospitalar.

“Cenários são estimativas. Pode acontecer 1%, 2%, 5%, 10%. Tem um fato novo que nós precisamos aprender: como é que esse vírus vai se comportar em um país tropical no verão. Daqui a pouco, estaremos no outono. Eu não consigo dizer hoje se vai ser 1% ou 10%”, disse David Uip, que coordena o combate da doença no Estado, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina de Emergência, cerca de 30% dos pacientes da China foram tratados em UTIs.

"Em casos de sintomas respiratórios mais graves, quando a suplementação de oxigênio não é suficiente, a UTI é o único lugar que conta com recurso de suporte", explica a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).

* Com informações da Agência Brasil, Estadão, El Mundo, G1

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