A decisão de venda de reservas internacionais cabe ao Banco Central (BC), disse na sexta-feira (20) o Secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. Em entrevista à imprensa, ele lembrou que o procedimento foi executado no ano passado e poderá ser repetido também em 2021.

Rodrigues comentou declarações do Ministro da Economia, Paulo Guedes.

“A fala do ministro entrou no contexto de uma gestão macroeconômica mais integrada [entre o Ministério da Economia e do BC] e mais bem feita, mais bem desenhada”, disse Rodrigues. “Sim, a posteriori, uma vez que o Banco Central decida tomar suas ações, há um impacto positivo [na venda de reservas], inclusive sobre o montante da dívida bruta”, acrescentou.

Rodrigues lembrou que em 2019 o BC vendeu cerca de US$ 40 bilhões das reservas, ajudando a diminuir a dívida bruta sobre o Produto Interno Bruto (PIB) em quase 2 pontos percentuais.

As devoluções antecipadas de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Tesouro ajudaram com mais 1,2 ponto no recuo.

“Lançamos mão desses mecanismos em 2019 e podemos fazê-lo, dadas as intenções, em 2021. Esses são itens que entram no nosso cardápio de ações”, explicou o Secretário.

Fonte/arte: Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF Nov/2020) da Instituição Fiscal Independente (IFI)
Fonte/arte: Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF Nov/2020) da Instituição Fiscal Independente (IFI)

Segundo dados do BC, o estoque de reservas internacionais atingiu US$ 356,6 bilhões em setembro.

Risco soberano

A agência de classificação de risco Fitch manteve negativa a perspectiva da nota da dívida pública brasileira. Atualmente, a agência atribui nota BB- para o Brasil, três níveis abaixo do grau de investimento.

Em comunicado, a Fitch destacou os riscos de colapso do teto federal de gastos por causa de contínuas pressões para elevar as despesas da União e o encurtamento do prazo médio da dívida pública federal.

“A perspectiva negativa reflete a severa deterioração do déficit fiscal do Brasil e do fardo da dívida pública durante 2020 e a incerteza persistente quanto às perspectivas de consolidação fiscal, incluindo a sustentabilidade do teto de gastos de 2016, dadas as contínuas pressões sobre os gastos”, avaliou a Fitch.

Fonte/arte: Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF Nov/2020) da Instituição Fiscal Independente (IFI)
Fonte/arte: Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF Nov/2020) da Instituição Fiscal Independente (IFI)

* Com informações da Agência Brasil, Instituição Fiscal Independente (IFI)

Veja também:

Leitura recomendada: