O Ministério da Economia da Argentina disse nesta segunda-feira (20) que trocou títulos do Tesouro com um valor  nominal original de 99,6 bilhões de pesos argentinos (1,7 bilhão de dólares) em um leilão de troca de dívida para auxiliar a adiar seu cronograma de pagamento, em meio a uma ampla crise econômica.

A agência internacional de classificação de risco Standard & Poor's reduziu para "inadimplência seletiva" (SD, 'selected default') a nota da dívida argentina denominada em pesos.

"Observamos esta troca como perturbadora e equivalente a um default [inadimplência]", destacou a S&P. "Se mantém a incerteza sobre os planos envolvendo obrigações similares em pesos que vencem nos próximos  meses".

"O ministro das Finanças, Martín Guzmán, informou que em breve iniciará discussões com detentores de bônus, em Nova York, e esperamos que o  governo avance com um plano de reestruturação de sua dívida de longo  prazo em moeda estrangeira. Mas o tempo e as condições não estão  claros", disse a agência.

A nota da dívida soberana em moeda estrangeira foi mantida em "CCC-" (alto risco de inadimplência) com perspectiva negativa.

"A situação hoje na Argentina é crítica. Não podemos sustentar a carga da dívida hoje, então temos que transformar esse [contrato de dívida] em algo que seja sustentável", disse o ministro da Economia Martin Guzman em uma entrevista coletiva em Buenos Aires. "Queremos fazer promessas que possamos cumprir".

"A vontade de pagar existe - sempre dissemos isso - mas, para pagar, temos que ser capazes de gerar capacidade e, para isso, temos que crescer, e é por isso que é fundamental que haja alívio da carga da dívida", disse.

O ministro também anunciou que o governo nacional não tem intenção de resgatar a província de Buenos Aires, que pediu aos detentores de títulos por mais tempo para pagar um pagamento principal de US$ 250 milhões, devido em 26 de janeiro.

"O que estamos pedindo [aos detentores de títulos] é que nos dê o tempo necessário para resolver o colapso macroeconômico que afetou todo o país", disse Guzman.

Os ativos argentinos no exterior, estimados em US$ 300 bilhões, continuam sendo um ingrediente-chave para a recuperação econômica e pagamento da dívida.

Fernández, no entanto, disse à Telefe Network que pretende dobrar a taxa de imposto sobre os rendimentos de ativos mantidos no exterior para 2,5%.

Mariano Sardans, consultor de investimentos em Buenos Aires, diz que essa taxa punitiva anulará inteiramente o retorno de um investimento em títulos ou aluguel de um apartamento no exterior.

* Com informações da S&P, Al Jazeera, Fergus Hodgson/Econ Americas

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