Core SVOD Models in 2019. Reprodução Twitter/Matthew Ball
Core SVOD Models in 2019. Reprodução Twitter/Matthew Ball

No evento anual da empresa, a Apple anunciou que o serviço de streaming TV+ custará US$ 4,99 por mês por familia, e a subscrição será gratuita por 12 meses com a compra de um novo iPhone, iPad, Apple TV, iPod Touch ou Mac.

"Não estou convencido do serviço de TV da Apple - os programas podem ser bons, mas não há nada exclusivo na capacidade ou na sensibilidade da Apple aqui. Isso reflete em parte o fracasso geral do setor de tecnologia em entrar na TV, mas talvez isso não importe - o orçamento da Apple para a compra de programas é mais do que o seu fluxo de caixa total em 2007, ano em que anunciou o Apple TV original e algo chamado iPhone". Benedict Evans,  sócio da Andreessen Horowitz (a16z).

Expediente contábil

No início de seu ano fiscal, a Apple alterou onde contabiliza o valor e os custos de serviços gratuitos - como o Apple Maps - transferindo para seu segmento de serviços. Anteriormente, era contabilizado nos produtos.

Em nota, Rod Hall, analista do Goldman, disse que a Apple provavelmente trataria as subscrição do TV+ de maneira semelhante.

"Acreditamos que a Apple planeja contabilizar seu teste de um ano para a TV+ como um desconto de ~US$ 60 para um pacote combinado de hardware e serviços", disse Hall.

"Efetivamente, o método de contabilidade da Apple transfere receita de hardware para serviços, mesmo que os clientes não percebam estar pagando pela TV+".

Hall afirmou que a manobra contábil resultará em investidores da Apple vendo preços médios de venda mais baixos para iPhones e outros dispositivos Apple, mas um crescimento rápido (artificial) no segmento de serviços da empresa.

"Embora possa parecer conveniente para a receita da linha de serviços da Apple, é igualmente inconveniente para a rede de autorizadas da marca e para a margem nos trimestres de vendas elevadas, como o próximo", acrescentou.

Muitos investidores da Apple passaram a apostar no crescimento do segmento de serviços, à medida que o mercado global de smartphones estagnou, com as ações da Apple subindo 37% este ano apesar das quedas nas vendas de iPhone nos últimos dois trimestres.

Hall disse que a estratégia poderá resultar em um impacto negativo para o EPS de 16% no primeiro trimestre fiscal de 2020.

O Goldman Sachs manteve a classificação 'neutra' para a ação, mas reduziu de US$ 187 para US$ 165 o alvo de 12 meses, 26% abaixo da cotação da quinta-feira (12).

A redução tornou o alvo do Goldman o mais baixo dos principais bancos de Wall Street, bem como o quinto mais baixo dos cerca de 50 analistas que cobrem a Apple, segundo o site TipRanks.

As ações da Apple caíram até 2,6% nas negociações na sexta-feira (13) após a nota.

O cenário de acentuada desvalorização da Apple, previsto pela divisão de pesquisas do Goldman – por lei independente da divisão de banco de investimento, ganha ainda mais relevância com a disputa comercial entre EUA e China. Enquanto os eletrônicos da Samsung são importados pelos EUA sem adicionais tarifários, os aparelhos da Apple, fabricados na China, estarão sujeitos as sobretaxas impostas pelo governo Trump. O CEO da Apple tem se encontrado com o presidente americano para pedir medidas protecionistas e isenções tarifárias, mas analistas argumentam que o problema real da empresa é que, há muitos anos, o iPhone, seu principal produto, não consegue competir em tecnologia, inovação e qualidade, com produtos na mesma faixa de preços dos competidores. Para outros analistas, como Benedict Evans, o declinio é inerente ao ciclo de vida dos produtos (CVP).

"Os smartphones agora estão praticamente onde os PCs estavam em 2007 - não é tanto que a Apple tenha se esquecido de como inovar, mas o smartphone, como o PC, passou por esse estágio na curva S. A Apple e seus concorrentes continuam fabricando ótimos telefones, e nos importamos cada vez menos". Benedict Evans.

Por sua vez, o marketing da Apple vem tentando explorar uma alegada garantia de privacidade no uso de seus produtos, supostos desenvolvimentos na área automotiva, anunciados orçamentos bilionários para produção de conteúdo. O esforço não parece suficiente para convencer o Goldman Sachs, parceiro comercial importante da Apple, que a empresa não vale US$ 250 bilhões a menos do que o negociado nas bolsas.

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O Goldman Sachs realizou mais emissões de títulos para a Apple na última década do que qualquer outro banco de investimento, no valor de US$ 44 bilhões, segundo o provedor de dados financeiros Refinitiv.

O Goldman Sachs também assessorou a Apple em fusões e aquisições há dois meses, orientando-a através de seu acordo de US$ 1 bilhão para adquirir a maioria dos negócios de modems para smartphones da Intel, de acordo com Refinitiv.

No mês passado, as duas empresas trabalharam juntas para lançar o cartão de crédito Apple Card.

A rara disputa pública é um momento constrangedor entre o Goldman Sachs e a Apple.

Sexta-feira, 13

A queda das vendas do iPhone continua causando problemas aos fornecedores de componentes. A Japan Display, uma joint venture da Sony, Hitachi e Toshiba criada em 2012 com suporte do governo japonês, anunciou nesta sexta-feira que manterá fechada sua fábrica na província de Ishikawa devido às fracas vendas do iPhone, e informou que 1266 empregados de unidades da empresa no Japão serão desligados.

* Com informações do Financial Times, Japan Times, CNBC, TipRanks, Matthew Ball, Benedict Evans.

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