Segundo um relatório dos economistas David Choi e Joseph Briggs, do Goldman Sachs, cerca de 1,2 milhão dos 22,2 milhões de empregos perdidos nos Estados Unidos em março e abril foram relacionados à educação, incluindo pessoal de apoio, como merendeiras.

Embora o emprego de professores tenha voltado aos níveis anteriores aos lockdowns, os outros empregos, menos qualificados, não se recuperaram.

O impacto no setor de educação também está atingindo os pais dos alunos, porque eles estão tendo que servir como cuidadores e educadores em tempo integral, e podem ter que abandonar a força de trabalho ou fazer retornos apenas parciais aos empregos.

Desde maio, cerca de 7 milhões de americanos não trabalharam todas as semanas. Um percentual historicamente alto cita a falta de creches e escolas como o motivo.

Choi e Briggs analisam o efeito de três impactos na força de trabalho. Pais solteiros, aqueles com filhos mais novos e aqueles com menos capacidade de trabalhar em casa são os mais afetados e, portanto, os mais propensos a faltar ao trabalho ou a parar de trabalhar por completo. Cerca de 30% da força de trabalho pré-vírus tem filhos em casa, e notáveis ​​15% da força de trabalho, ou 24 milhões de trabalhadores, se enquadram em uma dessas três categorias de “alto risco”.

Esta análise não leva em conta os custos de longo prazo, que os analistas do Goldman dizem incluir "efeitos negativos da educação de baixa qualidade, a falta de desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais, aumento das taxas de depressão e ansiedade, insegurança alimentar, agravamento da desigualdade de renda se famílias de baixa renda são menos capazes de trabalhar em casa, e piora a desigualdade educacional se as famílias mais pobres têm menos acesso ao aprendizado remoto”.

“Embora muitos desses custos não sejam de natureza imediata, eles podem ter consequências sociais muito importantes e duradouras”, destacam os analistas.

Realidade

"Precisamos de políticos que tenham a vontade e a integridade para contar a verdade às pessoas, disse Ken Frazier, Presidente e CEO da principal produtora de vacinas do mundo, a gigante farmacêutica Merck & Co. "A realidade do mundo é que nesta época do próximo ano muito bem pode parecer com o que estamos experimentando agora".

"E quando você pensar em mandar as crianças de volta para a escola, nós vamos ter que encontrar uma maneira de fazer isso com segurança porque os pais estão presos se os filhos estão em casa. E nas cidades do interior, por exemplo, muitos pais dependem das escolas para alimentar seus filhos: café da manhã, almoço e, muitas vezes, lanche após a escola. Então temos que achar um jeito de abrir a creche. Você tem que encontrar uma maneira de abrir as escolas, sem mencionar o fato de que o aprendizado remoto não funciona para todas as crianças", pondera Frasier. "Se você está olhando para a nossa população, há um monte de pessoas que não têm acesso à banda larga muito menos o tipo de dispositivos que eles precisam. Então essa ideia de que podemos conduzir a educação remotamente, vai funcionar para algumas crianças, as crianças mais favorecidas, mas vai levar populações desfavorecidas a movê-las mais para trás do que já estão".

* Com informações Goldman Sachs, Harvard Business School

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