"O comércio global é onde está. Vai crescer mais ou menos com o PIB", disse Skou. "Não está mais liberalizado, então não vamos ver mais crescimento. Também não está indo bruscamente em sentido contrário".

A avaliação do chefe do grupo dinamarquês que transporta mais de um em cada seis contêineres através dos oceanos, contrasta com o entendimento de muitos executivos, que acreditam que a globalização está sob ataque, em especial, de políticos populistas.

Skou reconhece o impacto dos movimentos políticos populistas e a falta de novos acordos comerciais nos EUA, mas ressaltou que não viu nenhuma mudança dramática nas cadeias de suprimento.

"Não vemos nossos clientes voltando à Europa. Eles estão espalhando a produção na Ásia", disse Skou. "É muito difícil observar no curto prazo, ou talvez até mesmo no médio prazo, uma mudança drástica na maneira como o mundo produz bens de consumo".

A Maersk espera que o volume transportado de contêineres seja menor no primeiro semestre deste ano, à medida que o crescimento econômico mundial diminui. Mas taxas recordes de frete, congestionamento nos portos e problemas na cadeia de suprimentos deverão levar a ganhos recordes em 2022.

No entanto, Skou disse que o transporte de contêineres pode em breve ser atingido por uma reversão acentuada dos fatores que levaram o setor a crescer desde o fim da primeira onda da pandemia. Poderá haver um "efeito de chicote" onde os contratos de demanda e a oferta aumentam, após quase dois anos do fenômeno oposto, durante o qual os grupos marítimos não foram capazes de responder a um aumento nos gastos dos consumidores.

O executivo disse que era improvável que acontecesse no início do segundo semestre do ano — como a Maersk havia assumido anteriormente — mas poderá acontecer em agosto ou no final do ano. "Não quero dizer que tenho medo disso", ressaltou Skou, apontando para um aumento nos contratos de longo prazo no transporte de contêineres e um negócio logístico em rápido crescimento em terra.

Atualização 20/06/2022

O Ministro da Economia e do Mar de Portugal, António Costa Silva, disse esta segunda-feira (20) que o país quer atrair grandes empresas que pretendem sair da Ásia.

Costa Silva apontou que as atuais tensões geopolíticas entre os Estados Unidos, a Rússia e a China estão a "fragmentar o mercado mundial", citando estudo feito na Alemanha que concluiu que "muitas" empresas que estão na Ásia querem relocalizar as suas unidades, relatou o Diário de Notícias.

Sobre a elevada carga fiscal de Portugal, Costa Silva argumentou que 600 empresas alemãs estão operando no país e que "a questão fiscal está a ser tratada", dando como exemplo a medida prevista pelo governo de reduzir o "diferencial do IRC para as empresas que reinvestem os seus lucros na sua atividade, que investem na inovação e para aquelas que investem na captação de mão-de-obra qualificada, sobretudo jovem".

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