De acordo com o Itamaraty, os países do Golfo têm uma importância não só para as exportações de commodities do Brasil, mas para a atração de investimentos.

A comitiva presidencial, além da agenda econômica, pretende explorar possibilidades de cooperação nas áreas de defesa, ciência e tecnologia, educação, cultura, turismo, cooperação legal e diplomacia.

No quinto dia de viagem oficial pela região, depois de ter visitado os Emirados Árabes e Bahrain, o primeiro compromisso do Presidente nesta quarta-feira (17) foi uma reunião com o Emir do Qatar,  Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani.

Após o encontro, o presidente brasileiro fez um passeio de moto para visitar o estádio Lusail, um dos que vão sediar a Copa do Mundo de 2022. O último compromisso oficial de Bolsonaro será um jantar com empresários do país.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, a visita ao Qatar tem o objetivo de avançar as relações comerciais e de investimento, incluindo a assinatura de um acordo de cooperação e facilitação de investimentos (ACFI).

Atualmente, o fundo soberano do Qatar controla mais de US$ 300 bilhões em ativos, com um portfolio global e variado, mas com escassa presença no Brasil.

Em 2020, as trocas comerciais entre Brasil e Qatar foram de US$ 775 milhões.

Emirados

No sábado (13), a comitiva presidencial desembarcou em Dubai, nos Emirados, onde Bolsonaro visitou o pavilhão do Brasil na Expo 2020 e se encontrou com o Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, Vice-Presidente e Primeiro-Ministro dos Emirados Árabes Unidos e Emir de Dubai.

De acordo com o Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente que o acompanha na viagem, o Emir  recebeu das mãos de Bolsonaro a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração brasileira atribuída a estrangeiros.

O presidente brasileiro definiu a reunião bilateral como um "trabalho de apresentação", e disse que autoridades dos dois países devem iniciar conversas sobre temas como agricultura e inteligência artificial.

No domingo (14), Bolsonaro participou de um fórum com investidores e visitou o pavilhão da Embraer na Dubai Airshow, evento do setor aeroespacial, além de voltar ao pavilhão do Brasil na Expo 2020.

Na segunda-feira (15), o Presidente participou do Invest in Brasil, organizado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“Nós somos muito próximos. O Brasil possui mais de 5 milhões de árabes. Se formos contar os descebndentes, chegamos à casa dos 30 milhões”, disse Bolsonaro, durante a abertura do evento. “Mais do que bons parceiros, somos irmãos”.

Em outro pronunciamento, também na segunda-feira, Bolsonaro voltou a destacar a Amazônia e convidou os governantes dos Emirados Árabes para conhecer o Brasil.

“Nossos povos são cada vez mais parecidos, nossas fronteiras cada vez ficam mais próximas, e dessa maneira, estamos fazendo o bem para nossos povos. Lá, a democracia, a liberdade é um bem maior do nosso povo. E, nos inteirarmos com países que respeitam a todos como o de vocês, para nós é motivo de orgulho e satisfação. Como vim duas vezes aqui, espero sua alteza nos visitar brevemente no Brasil”.

O Brasil tem metas de aumentar a presença de empresas brasileiras e de atrair mais investimentos dos fundos soberanos em áreas de interesse, como infraestrutura. Os Emirados Árabes também têm um programa espacial e fazem a contratação de cientistas de outros países, setor em que o Brasil quer cooperar.

Entre os acordos, está um memorando de entendimento que cria um conselho empresarial entre os dois países, com o objetivo de dar impulso a essas relações.

Além de Bolsonaro, participaram os ministros Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Tereza Cristina (Agricultura), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Carlos França (Relações Exteriores), Braga Netto (Defesa) e Gilson Machado (Turismo).

Após o fórum, Bolsonaro seguiu para Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, onde participou de audiência com o príncipe herdeiro Sheikh Mohammed bin Zayed bin Sultan Al Nahyan.

Segundo Paulo Guedes, a viagem aos Emirados rendeu compromissos de investimentos de US$ 10 bilhões em dez anos.

Bahrain

Na quarta-feira (16), Bolsonaro inaugurou a Embaixada do Brasil em Manama, capital do Bahrain, marcando a primeira visita de um presidente brasileiro ao país.

As duas nações mantém relações diplomáticas desde 1971, quando o Reino de Bahrain tornou-se independente do Reino Unido, mas os interesses brasileiros eram representados pela embaixada no Kuwait.

O Reino de Bahrain é governado pela dinastia Al Khalifa desde 1783.

O Ministério das Relações Exteriores acredita que a criação de uma representação própria no Bahrain vai intensificar os laços comerciais entre os dois países.

No discurso da inauguração da nova representação brasileira, o Presidente disse que existe grande espaço para a ampliação dos negócios entre Brasil e Bahrain, e que a nova embaixada é um passo importante na aproximação entre os dois países.

Bolsonaro se encontrou também com o Rei do Bahrain Hamad bin Isa bin Salman Al Khalifa. O presidente brasileiro foi recebido com um almoço no Palácio Real e assinou acordos de cooperação nas áreas de política, cultura e esportes.

O presidente brasileiro participou ainda da cerimônia de encerramento do encontro da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O encontro serviu para debater novas parcerias comerciais.

As exportações brasileiras para o Bahrain estão concentradas em commodities, com destaque para carnes e grãos, e até o fim deste ano o Brasil deve se tornar o principal fornecedor de minério de ferro ao país.

O petróleo detém o título de principal fonte de riqueza do Bahrain, em seguida, surge a tecnologia de ponta e serviços financeiros. O Brasil é o terceiro maior importador do país.

No encerramento da visita ao Bahrain, Jair Bolsonaro participou de uma cerimônia no Centro Global Rei Hamad para a Coexistência Pacífica.

O objetivo do centro é promover a liberdade de religião e da convivência harmoniosa, respeitosa e pacífica entre todas as crenças.

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