Nesta quarta-feira pela manhã, o Presidente Jair Bolsonaro disse que resolverá "a questão da Saúde" para que seja possível "tocar o barco". "Pessoal, estou fazendo a minha parte", disse a apoiadores na frente do Palácio do Alvorada.

"Finalmente chegou o momento da despedida", diz Oliveira na carta enviada aos colegas. "Ontem tive reunião com o Ministro e sua saída está programada para as próximas horas ou dias".

"De qualquer forma, a gestão do Mandetta acabou e preciso me preparar para sair junto, pois esse é um cargo eletivo e só estou nele por decisão do Mandetta".

Íntegra da mensagem:

Bom dia!

Finalmente chegou o momento da despedida. Ontem tive reunião com o Ministro e sua saída está programada para as próximas horas ou dias. Infelizmente não temos como precisar o momento exato. Pode ser um anúncio respeitoso diretamente para ele ou pode ser um Twitter. Só Deus para entender o que o querem fazer.

De qualquer forma, a gestão do Mandetta acabou e preciso me preparar para sair junto, pois esse é um cargo eletivo e só estou nele por decisão do Mandetta. No entanto, por conhecer tão profundamente a SVS, tenho certeza que parte do que fizemos na SVS vai continuar, pois é uma secretaria técnica e sempre nos pautamos pela transparência, ética e preceitos constitucionais.

A maioria da equipe vai permanecer e darão continuidade ao trabalho de excelência que sempre fizeram e para isso não precisam mais de mim.

Foi uma honra enorme trabalhar mais uma vez com você. Para que não tenhamos solução de continuidade, indiquei o meu amigo querido Gerson Pereira para ficar de Secretário interino. Ele é um Profissional excelente e vai dar seguimento a tudo que estamos fazendo.

Vou entregar o cargo assim que a decisão sobre o Mandetta for resolvida. Todos estão livres para fazer o que desejarem.

Tenho certeza que a SVS continuará grande e será maior, pois vocês é que fazem ela acontecer. Minhas contribuições foram pontuais e insignificantes, perto do que essa Secretaria é como uma só equipe. A SVS é minha escola e minha gratidão por ter trabalhado com você será eterna. Muito obrigado por me permitir estar Secretário Nacional de Vigilância em Saúde. Jamais imaginei que seria o primeiro enfermeiro a ocupar tão elevado e importante cargo e o primeiro de muitos que virão.

Muito obrigado!​

O Ministério da Saúde informou que Oliveira pediu exoneração esta manhã.

Nas últimas semanas, Oliveira vinha participando das coletivas de imprensa, ao lado de Mandetta e do Secretário Executivo, João Gabbardo, para apresentar os dados e as ações da pasta de enfrentamento ao coronavírus SARS-CoV-2.

O Ministério da Saúde não informou se já foi escolhido um substituto para ocupar o cargo.

Como revelou a coluna Painel da Folha de S.Paulo, Mandetta já se despediu dos subordinados e aguarda apenas que Bolsonaro anuncie o nome que irá substituí-lo no Ministério da Saúde.

Programa de auditório

O Deputado Federal por Alagoas Arthur Lira, líder do PP na Câmara, juntou-se ao número crescente de criticos da postura de Mandetta na crise do coronavírus.

O PP de Lira é o mais numeroso dos partidos que compõem o chamado centrão na Câmara dos Deputados.

Para Lira “A hora é de mais trabalho e menos entrevista, pois enquanto o médico está dando entrevista, o paciente está morrendo sem respirador, profissionais de saúde estão expostos sem equipamentos adequados e a população está circulando sem máscaras aumentando vertiginosamente o pico de contaminação”

O Deputado também criticou os critérios da repartição de cerca de R$ 4 bilhões feita pelo Ministério da Saúde na semana passada.

Como mostrou a coluna Painel da Folha, a divisão provocou a revolta de secretários de saúde Brasil afora.

"Quando os estados e municípios realmente afetados mais necessitam de recursos e apoio do Ministério da Saúde, o órgão repassou R$ 4 bilhões sem qualquer critério a ser observado dentro da estatística epidemiológica", escreveu Lira.

"Vários municípios sem casos confirmados foram beneficiados por recursos que deveriam ser destinados a áreas verdadeiramente afetadas. Ou seja, quem mais precisa que aguarde um pouco mais!"

O líder do PP afirmou ainda que a entrega de EPIs prometidos a estados e municípios não chegou nem a 10% do prometido e que só 340 leitos de UTI foram efetivamente entregues, alguns incompletos.

A fala de Arthur Lira foi publicada na segunda-feira (13) na coluna Painel.

* Com informações da Folha de S.Paulo, Agência Brasil

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