Os Estados Unidos e a União Europeia tiveram os maiores aumentos no uso de carvão, em cerca de 20% cada, seguidos pela Índia com 12% e a China — o maior consumidor do mundo — com 9%, estimou a AIE.

O retorno do uso do carvão está sendo impulsionado pela recuperação econômica, com a demanda por energia superando a capacidade das fontes de baixo carbono.

"O carvão é a maior fonte individual de emissões globais de carbono, e o nível historicamente alto de geração de energia de carvão deste ano é um sinal preocupante de quão longe o mundo está em seus esforços para colocar as emissões em declínio em direção ao zero líquido", disse o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

As emissões de dióxido de carbono do carvão em 2024 estão agora previstas para ser pelo menos 3 bilhões de toneladas mais altas do que em um cenário que atingirá o zero líquido até 2050, projeta o relatório divulgado na sexta-feira (17). A AIE espera que o pico de carvão ocorra no próximo ano, em 8 bilhões de toneladas, com os maiores aumentos de produção vindos da China, Rússia e Paquistão.

Este ano, a demanda de carvão como um todo – para geração de energia, bem como na produção de aço e cimento – deve aumentar 6%, disse a AIE.

Os preços recordes do gás natural aumentaram a dependência de outras fontes, incluindo o carvão. Os preços da energia na Europa mais do que triplicaram nos últimos seis meses e tornou-se mais econômico queimar carvão do que gás.

Contudo, as geradoras de eletricidade têm enfrentado dificuldades para manter seus estoques de carvão, mesmo com a China e os EUA aumentando a produção.

Um exportador australiano do produto prevê forte demanda por carvão por pelo menos mais duas décadas. As disparidades regionais no uso estão ocorrendo globalmente, à medida que a União Europeia fecha as usinas de carvão, enquanto a China e a Índia aumentam a produção.

A China responde por cerca de metade da produção global de carvão e precisa atender ao aumento da demanda doméstica. O governo pressionou os produtores por uma redução de preços durante a crise energética deste ano, o que desencadeou apagões e racionamentos no país.

"É decepcionante que a energia de carvão possa atingir um recorde no mesmo ano em que os países concordaram em reduzi-la", lamentou Dave Jones, da ONG Ember.

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