Em 28 de março, o Papa expressou seus receios em uma carta manuscrita enviada ao juiz argentino Roberto Andrés Gallardo, presidente do Comitê Pan-Americano de Juízes de Direitos Sociais.

Na carta, o Papa Francisco disse que "alguns governos adotaram medidas exemplares, com prioridades bem direcionadas para a defesa da população", mas reconheceu que tais medidas "irritam aqueles que se vêem obrigados a cumprir". Ele insistiu, no entanto, que essas medidas "são sempre para o bem comum e, em geral, a maioria das pessoas as aceita e responde com uma atitude positiva".

O Pontífice escreveu que "os governos que enfrentam a crise dessa maneira mostram a prioridade de suas decisões: primeiro o povo", enfatizando que "isso é importante porque sabemos que defender o povo supõe um revés econômico" e que "seria triste se eles optassem pelo contrário, o que levaria à morte de muitas pessoas, algo como um genocídio viral (genocidio virosico)".

O que vem depois

Francisco disse ao juiz que havia realizado uma reunião com o Dicastério do Vaticano para o Desenvolvimento Humano Integral em 27 de março sobre "a situação atual e o que vem depois" e que "é importante nos prepararmos para o que se segue". Ele observou que já existem algumas consequências que devem ser enfrentadas: fome, sobretudo de pessoas sem emprego permanente, violência, empréstimos em condições abusivas – a propagação da agiotagem seria a verdadeira praga do futuro da sociedade, de deliquentes desumanizados.

Referindo-se ao "futuro econômico", o Papa Francisco mencionou o livro The Value of Everything: Making and Take in the Global Economy, que defende um papel mais forte do setor público na economia.

A America Magazine obteve acesso ao conteúdo integral da carta com a permissão do juiz Gallardo.

* Com informações da America Magazine

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