Na segunda-feira (3), o número de novas infecções em Genebra atingiu 103 por 100.000 residentes.

A marca está bem acima da classificação de "alto risco" do governo suíço de 60 por 100.000 – se Genebra fosse um país, os residentes seriam forçados a ficar em quarentena ao entrar na Suíça.

Para Nicola Low, epidemiologista da Universidade de Berna, a explicação para o aumento do número de casos é que o cantão fica na fronteira com a França, é particularmente densamente povoado na cidade de Genebra e tem um aeroporto. Os franceses replicam que Basiléia também faz fronteira com a França e possui aeroporto. Mas não tem aumento de casos.

Segundo outros especialistas, o aumento em Genebra se deve simplesmente a um aumento maciço no número de exames.

Para Antoine Flahault, chefe do Instituto de Saúde Global da Universidade de Genebra, os números devem ser observados no contexto do aumento de testes.

"Se o número de testes for triplicado, como tem sido o caso desde o final de maio, também serão descobertos mais casos e pontos de acesso para contágio", disse Flahault.

Grande parte dos casos recentes é ligado a grupos de jovens que frequentam casas noturnas e bares de Genebra.

Se tais grupos são encontrados, o rastreamento tenta localizar as pessoas de contato. "Isso pode levar ao número de casos que permanecem altos por dias ou semanas, porque após cada teste positivo, mais pessoas infectadas são encontradas", diz Flahault. Provavelmente isso aconteceu em Genebra.

"A situação em Genebra deve ser monitorada de perto nos próximos dias e semanas", diz Flahault. Se os números continuarem a subir e se a gravidade dos casos e a taxa de mortalidade aumentarem novamente, é possível que o governo federal precise impor medidas novamente. "Mas isso seria prematuro. No momento, a responsabilidade recai sobre os cantões", diz Flahault.

Desde sexta-feira (31), as 36 casas noturnas de Genebra foram fechadas novamente. A proibição de abertura está provisoriamente em vigor até 23 de agosto. Bares e restaurantes permanecem abertos, mas os clientes só podem comer e beber enquanto estão sentados. Além disso, o requisito da máscara foi estendido para os clientes de restaurantes, mesmo em terraços. Somente ao sentar a máscara pode ser removida. Também existe a obrigação de usar máscara no aeroporto, em todas as lojas de Genebra, em escritórios e no transporte público.

O ministro da saúde cantonal Mauro Poggia disse ao jornal Le Matin Dimanche que medidas adicionais serão impostas se o número de casos continuar aumentando.

"Casos"

O Dr. Anders Tegnell, formulador da estratégia da Suécia de enfrentamento da pandemia, acredita que a ênfase na disseminação do vírus é equivocada, pois o número de casos é cada vez menos relacionado ao número de mortes.

“As mortes não estão intimamente ligadas à quantidade de casos que você tem em um país. Existem muitos outros fatores que influenciam a quantidade de óbitos. Que parte da população é atingida? São os idosos? Quão bem você pode proteger as pessoas em suas instalações de longo prazo (casas de repouso)? Quão bem o seu sistema de saúde continua funcionando? Como podemos melhorar o tratamento nas UTIs? Todas essas coisas estão mudando bastante nos últimos meses ... Essas coisas influenciarão muito mais a mortalidade do que a propagação real do vírus”, afirma Anders Tegnell.

Há meses não ocorrem óbitos por Covid-19 na Suiça, tendo sido registradas menos de 2.000 fatalidades no país de 8,6 milhões de habitantes.

Com informações The Local Switzerland, 20min, Le Matin Dimanche

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