O aumento médio de 12% no preço da gasolina nas refinarias da Petrobras ocorre após recuperação dos preços do barril de petróleo no mercado internacional, à medida que os EUA e países da Europa e da Ásia começaram a flexibilizar medidas de isolamento.

"O ajuste vem em linha com o que aconteceu no mercado internacional nas últimas semanas. Precisava mesmo, a gente estava com defasagem com relação à importação já faz mais de semana", disse Thadeu Silva, da consultoria INTL FCStone, ao jornal O Globo.

Para Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o reajuste é menor que o esperado.

"Eu entendo que a Petrobras demorou a reagir porque está com estoques de gasolina muito elevados e a volatilidade está alta. Então, ela aguarda uma certa estabilização para a tomada de decisão. Mas esse aumento anunciado hoje é pouco, ainda não chega na paridade", disse Araújo ao O Globo.

Para o Credit Suisse, a alta do preço da Petrobras é um sinal positivo, mas a gasolina e o diesel da empresa ainda estão 6% e 9% abaixo da paridade de importação.

Pelo Termo de Compromisso de Cessação assinado no ano passado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Petrobras deve acompanhar os preços internacionais dos combustíveis.

Analistas descartam que a atual defasagem nos preços seja resultado de orientação governamental. Os motivos seriam a queda na demanda e o estoque elevado.

O reajuste da gasolina ocorre após os produtores de etanol terem pedido ao governo federal o aumento da Cide no combustível, como forma de socorrer o setor.

O Ministério da Economia estaria estudando elevar a Cide da gasolina de 10 para 30 centavos por litro e impor um imposto de importação de 15%.

"O alinhamento dos preços [da gasolina] à paridade internacional pode devolver a competitividade para o etanol e eliminar definitivamente a necessidade de imposto de importação, como sugerido", disse Araújo à agência Reuters.

Solidariedade

A Petrobras informou que doará 3 milhões de litros de combustível para abastecer ambulâncias, veículos de transporte de médicos, e hospitais públicos e filantrópicos vinculados às secretarias estaduais de saúde. Segundo a companhia, o volume a ser entregue, em todos os estados brasileiros e Distrito Federal, busca atender à demanda das entidades públicas pelo período de até três meses.

* Com informações do Valor Econômico, O Globo, Estadão, Reuters

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