Os painéis digitais estão se multiplicando nos espaços das cidades em todo o mundo, de escadas rolantes do metrô de Londres a corredores do metrô francês, de aeroportos a carros de aplicativos e táxis, de abrigos de ônibus a laterais de bancas de jornais, de elevadores a sanitários, além de shoppings, hotéis, academias, clinicas e hospitais, postos de gasolina, cabelereiros. Estão em toda parte.

Sofisticados e interativos, esses painéis de leds tem capacidade para coletar dados dos transeuntes e não podem ser bloqueados.

Segundo a Mediatransports, empresa francesa especializada em comunicação, a dinâmica dos painéis digitais traz ganhos para os anunciantes, que podem programar a exibição das peças de propaganda de acordo com o horário ou tempo, por exemplo, aumentando a eficácia das campanhas de marketing.

Para a gigante Clear Channel, que desde 2013 recusa imagens estáticas para seus totens em HD, o conteúdo de novas mídias deve ser tratado como tal. As peças devem ser ricas, pertinentes e envolventes.

Os franceses, que há décadas tem um dos movimentos anti-propaganda mais bem sucedidos e organizados do mundo, iniciaram um debate sobre como limitar campanhas publicitárias no espaço público.

Na França, o painel digital se enquadra na categoria de publicidade luminosa e deve obedecer a regulamentos que não são adaptados à sua natureza dinâmica. As campanhas DOOH (Digital-Out-of-Home) são proibidas em espaços protegidos e cidades com menos de 10.000 habitantes, os prefeitos podem tornar as regras nacionais mais rigidas e a coleta de dados de transeuntes é proibida.

A tentativa de monetizar cada segundo de inatividade como uma oportunidade de colocar a pessoa na frente de uma peça de propaganda está enfrentando cada vez mais a oposição dos políticos.

Com as eleições locais francesas em março, Eric Piolle, prefeito de Grenoble, concorre à reeleição quatro anos depois de nomear sua cidade como o primeiro centro urbano europeu a proibir propaganda nas ruas.

Para Piolle, os painéis instalados em locais públicos, com seu impacto ambiental e mental, são a próxima fronteira que os políticos deverão proibir.

Asim como Grenoble, muitas cidades francesas estão buscando limitar a propaganda no espaço público, especialmente em painéis, o que significa que nenhum mobiliário urbano nas calçadas exibe anúncios comerciais em vídeo.

Mas na França, regras municipais não se aplicam ao transporte público.

Netflix, Amazon, e campanhas de lançamento de filmes fazem uso intensivo de paineis digitais instalados em locais públicos, exibindo vídeos de 8 a 10 segundos.

"Esse tipo de tela no espaço público é invasivo e intrusivo, consome muita energia, distrai os motoristas e deixa as crianças ainda mais viciadas em vídeos do que já são", disse o vice-prefeito de Lille ao The Guardian. "Significa mensagens publicitárias [infestando] a paisagem urbana, quando queremos limitá-las".

"Quando você anda pela rua, como pode se sentir feliz se está constantemente sendo lembrado do que não tem? A propaganda quebra seu espírito, confunde sobre o que você realmente precisa e o distrai de problemas reais”, disse um ativista de Lille ao jornal britânico enquanto cobria paineis com folhas de papel.

Martine Cosson, uma pediatra aposentada que participou da manifestação anti-anúncio, argumenta que os painéis em espaços públicos afetam o cérebro das pessoas e os planejadores urbanos e conselhos das cidades devem responder a isso.

Enquanto isso, a polícia e os tribunais continuam reprimindo os manifestantes.

"Isso não vai nos impedir", disse Marion, do grupo de protesto anti-publicidade Les Déboulonneurs, ao The Guardian. "Disseram-nos que as crianças não devem ser expostas a telas antes dos três anos de idade, mas em carrinhos de bebê estão esticando o pescoço para as telas à sua volta".

Na França, historicamente a propaganda é mal vista. Era chamada de escola de mentiras pelos jornais franceses na década de 30.

Segundo a professora da Sorbonne Caroline Marti, por muito tempo os intelectuais franceses associaram a publicidade a algo destrutivo para a cultura.

“Houve uma crítica de que a publicidade era antidemocrática e uma idéia muito forte na França de que o espaço público pertence a todos, que pagamos por isso com nossos impostos, que são relativamente altos, e que o espaço público é para onde vamos protestar" disse Marti ao The Guardian.


As empresas líderes do mercado DOOH são: JCDecaux (França), Clear Channel (EUA), Lamar (EUA), Outfront (EUA), Daktronics (EUA),  Prismview (EUA), NEC (Japão), OOh!media  (Australia), Broadsign (Canada), Ströer (Alemanha), Mvix (EUA), Christie (EUA), Ayuda (EUA), Deepsky (Hong Kong) e Aoto (China).

* Com informações e dados do The Guardian, Broadsign, Displayce, Mediatransports

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