A Total acrescentou que continuará enviando gás natural liquefeito (LNG) russo para a Europa a partir da fábrica da Yamal LNG, onde tem participação de 20%. A Yamal LNG processa gás natural do gigantesco campo terrestre de gás e condensado South Tambey, localizado na península de Yamal, no noroeste da Sibéria, Rússia.

“Este projeto gigante não teria sido possível sem o poder de nossa parceria com a Novatek e mostra o compromisso da Total com a Rússia. Com custos de upstream notavelmente baixos, o Yamal LNG é um dos projetos de GNL mais competitivos do mundo e contribuirá para a produção de gás do Grupo por muitos anos", disse o CEO da Total, Patrick Pouyanné, em dezembro de 2017.

A Total tem participação de 19,4% na Novatek, a segunda maior produtora de gás natural da Rússia e a sétima maior empresa de capital aberto globalmente em volume de produção de gás natural.

Nesta terça-feira (22), o grupo francês anunciou que está caminhando para uma "suspensão gradual" de sua atividade na Rússia.

A TotalEnergies disse que não planeja renovar contratos para comprar petróleo e derivados russos, com a pretensão de encerrá-los até o final de 2022, e que está procurando fornecedores alternativos para sua refinaria de Leuna na Alemanha.

A petroleira também disse que não fornecerá novo capital ao projeto Arctic LNG, na Sibéria, que está em construção, onde tem participação de 10%.

No entanto, o grupo não pretende vender suas participações em empreendimentos russos, o que seria difícil e contraproducente.

“Abandondar esses interesses sem consideração enriqueceria os investidores russos, em contradição com o propósito das sanções”, disse a Total.

A nova política foi "um passo na direção certa", segundo Gianluca Ferrari, sócio-fundador da Clearway Capital, um investidor ativista que pressiona a diretoria da Total a se retirar da Rússia.

“Os riscos de longo prazo de sanções, impacto na reputação e possível retribuição do Estado russo associados à permanência no país superam em muito os benefícios financeiros de curto prazo de permanecer”, disse Ferrari ao Financial Times (FT), acrescentando que a empresa de investimento não espera a Total se retirar da noite para o dia, mas montar um plano de retirada.

Mas analistas da RBC Capital Markets questionaram se isso seria suficiente para pacificar os críticos da petroleira francesa, acrescentando que a Total permaneceu presa “entre uma rocha e um lugar difícil”, pois está mais enraizada na Rússia e o seu setor de LNG está mais exposto do que muitos rivais.

Até agora, a Europa resistiu a um embargo ao petróleo e gás russos.

A TotalEnergies disse que não sofreu pressão do governo francês para ir além das sanções existentes, mas o foco internacional em sua presença russa cresceu.

Na segunda-feira (21), ativistas climáticos mancharam o saguão da sede parisiense da Total com tinta preta em um ato de campanha.

Atualização 04/04/2022

Os Estados Unidos aumentaram suas compras de petróleo russo em 43% entre 19 e 25 de março, de acordo com dados da Administração de Informações sobre Energia (EIA). Apesar da proibição da Casa Branca de importações de energia da Rússia, os EUA continuam a comprar até 100.000 barris de petróleo russo por dia.

* Com informações do Financial Times

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