"Decidi que temos que, a partir de sexta-feira (30), retornar ao confinamento", disse Macron, em um discurso transmitido ao vivo pela televisão francesa na noite desta quarta-feira.

“Não importa o que façamos, quase 9.000 pessoas estarão em tratamento intensivo em meados de novembro”, disse o presidente francês.

“O vírus está circulando na França a uma velocidade que mesmo os mais pessimistas não previam”, disse.

Os pacientes covid-19 agora ocupam mais da metade dos leitos hospitalares do país, destacou o presidente da França, o que significa que os hospitais estão começando a adiar cirurgias e tratamentos para lidar com a pressão crescente.

“Se não colocarmos um freio brutal nas transmissões hoje, nossos hospitais ficarão saturados”, disse Macron. "A segunda onda será, sem dúvida, mais mortal do que a primeira".

A agência de saúde Sante Publique France relatou na quarta-feira 244 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas.

“A cada 15 dias, vamos acompanhar a evolução da epidemia. Vamos decidir, se necessário, sobre medidas adicionais”, disse Macron. "Espero que possamos celebrar o Natal e o Ano Novo em família".

Macron apelou à solidariedade da nação, pedindo que a França “fique unida e não ceda à divisão”.

“Fizemos todo o possível e estou convencido de que nossa estratégia é boa”.

“Eu acredito em nós, em você. Precisamos aguentar, todos nós, até que haja uma vacina", disse Macron.

É amplamente aceito que qualquer vacina covid-19 apenas limitará os danos causados pelo vírus, não prevenindo sua transmissão.

O ministro das Finanças, Bruno Le Maire, disse que espera que a economia do país – já em recessão desde abril – contraia 15 por cento durante o novo lockdown.

Lockdown nacional

A partir de sexta-feira, todos que puderem terão que trabalhar em casa, disse o presidente.

“Como na primavera passada, você poderá sair de casa apenas para trabalhar, para ir ao médico, para ajudar um parente, fazer compras essenciais”, disse Macron.

Todas as reuniões públicas serão proibidas.

Creches, escolas primárias e secundárias permanecerão abertas – as universidades serão fechadas e deverão oferecer videoaulas aos alunos.

Fábricas e fazendas também terão permissão para operar, disse Macron.

A permissão para deslocamentos volta a ser imposta, retornando o controle policial sobre os cidadãos que estão nas ruas.

A fim de permitir que aqueles que estavam viajando em férias voltem para suas casas, Macron disse que as viagens entre regiões serão “toleradas” até domingo.

Atualização 30/10

Formulários

O governo francês publicou três formulários de permissão para as pessoas deixarem suas casas durante o segundo período de lockdown:

  • attestation de déplacement dérogatoire –  permissão para fazer compras essenciais, comparecer à consultas e exames médicos, ajudar pessoas com necessidades especiais, etc;
  • justificatif de déplacement professionel – permissão para se deslocar para o trabalho; e
  • justificatif de déplacement scolaire – permissão para se deslocar para a escola.

Multa e prisão

Ao ser parado pela polícia sem estar com o formulário – em papel ou no celular:

  • Primeira sanção: multa de 135 euros, aumentada para 375 euros (em caso de não pagamento ou não contestação no prazo indicado no auto de infração.
  • Em caso de reincidência no prazo de 15 dias: multa de 200 euros, aumentada para 450 euros (em caso de falta de pagamento ou não contestação no prazo indicado no auto de infração)
  • Após 3 infrações em 30 dias: multa de 3.750 euros e pena de 6 meses de prisão.

* Com informações The Local, Ministère de l'Intérieur

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