Todos os cadetes com suspeitas, mesmo um estado febril, foram retirados das atividades coletivas e colocados em isolamento de quatro dias nos alojamentos como medida protetiva.

O número de casos confirmados de sarampo na Academia deve se aproximar de cem, segundo a enfermeira Patrícia Isabela Cascardo Mellário, coordenadora da Vigilância Epidemiológica do município.

Em nota, a assessoria de imprensa da Aeronáutica confirmou os casos de sarampo entre cadetes dos Cursos de Formação de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria da Academia da Força Aérea, em Pirassununga, a 211 km de São Paulo.

“Foram adotadas medidas de controle para evitar a circulação viral, como o isolamento dos casos suspeitos durante o período de transmissão, suspensão da participação destes cadetes em atividades coletivas, bem como a utilização de equipamentos de proteção individual por parte dos profissionais que estão prestando assistência aos casos suspeitos”, diz a nota.

Na Academia de Pirassununga estudam 692 cadetes em cursos de quatro anos de duração.

Os casos começaram a ser registrados em 31 de janeiro e, como a transmissão da doença pode começar antes mesmo do aparecimento dos sintomas, nas semanas seguintes as notificações proliferaram, porém apenas cadetes do primeiro ano e civis foram contaminados.

“O período de adaptação [na AFA] é muito intenso, com estresse, e a imunidade fica comprometida. Confinamento e baixa do sistema imunológico são o cenário para atrair o sarampo”, explicou Mellário à Folha.  

Todos os infectados apresentaram quadros mais brandos da doença, com sintomas como febre, manchas vermelhas no corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Não foi necessária a internação em hospitais.

Os 25 casos em investigação —alguns dos quais de civis da AFA—  devem ser confirmados porque os pacientes suspeitos tiveram contato muito próximo com os cadetes que tiveram casos confirmados. “O potencial de contágio é muito alto”, disse Mellário.

No dia 21 de fevereiro, sob orientação da Divisão de Doenças de Transmissão Respiratória do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, foi dado início a uma ação de vacinação tríplice viral para todo o efetivo da AFA objetivando interromper a cadeia de transmissão.  

Segundo a Vigilância Epidemiológica, a principal hipótese é que o contágio tenha se iniciado a partir do primeiro caso confirmado, um cadete proveniente do Rio de Janeiro, onde foi registrada a primeira morte pela doença nos últimos 20 anos.

De acordo com a Prefeitura, o último caso de sarampo foi notificado no dia 24 de fevereiro e na cidade não houve quaisquer registros da doença.

Sarampo em São Paulo

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, depois de duas décadas sem circulação endêmica do vírus, a doença foi reintroduzida no Estado no ano passado. Neste ano, já foram registrados 280 casos de sarampo, com um óbito. No ano passado foram 17.529 notificações de sarampo, com 14 óbitos.

* Com informações da Agência Brasil, Força Aérea Brasileira, Prefeitura Municipal de Pirassununga, Folha de S.Paulo

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