Fonte: IMF - FINANCE & DEVELOPMENT  |  September 2019 | Jannick Damgaard, Thomas Elkjaer, and Niels Johannesen
O investimento estrangeiro direto fantasma cresce mais rápido do que os investimentos genuínos. Fonte: IMF - FINANCE & DEVELOPMENT | September 2019. Autores: Jannick Damgaard (FMI), Thomas Elkjaer (FMI), e Niels Johannesen (Universidade de Copenhagen)

De acordo com o estudo The True Cost of Global Tax Havens – The Rise of Phantom Investments, dos economistas do FMI Jannick Damgaard e Thomas Elkjaer, e do Prof. Niels Johannesen, da Universidade de Copenhagen, o investimento fantasma aumentou 10% na última década e cresce mais rápido que os IEDs legítimos.

O IED, definido como "investimentos financeiros transfronteiriços entre empresas pertencentes ao mesmo grupo multinacional", pode ser extremamente benéfico para os países, diz o estudo, devido à sua capacidade de promover a integração, estimular o crescimento, criar empregos e aumentar a produtividade nas economias locais.

Já o IED fantasma, é apenas resultado de engenharia financeira e tributária. Distorce as estatísticas dos países e dificulta a compreensão do verdadeiro investimento e integração econômica.

A grande maioria dos investimentos fantasmas está sendo realizada em paraísos fiscais conhecidos. Luxemburgo e Holanda detêm quase metade, mostrou o estudo. Incluindo Hong Kong, Ilhas Virgens Britânicas, Bermudas, Cingapura, Ilhas Cayman, Suíça, Irlanda e Maurício, o conjunto responde por mais de 85% do IED fantasma.

"Luxemburgo, um país de 600.000 habitantes, detém tanto IED quanto os EUA e muito mais que a China. O IED dessa magnitude dificilmente reflete investimentos físicos na minúscula economia luxemburguesa, cujos US$ 4 trilhões em IED equivale a US$ 6,6 milhões por habitante", destaca o estudo do FMI.

Alguns países atraem IED fantasma oferecendo benefícios como impostos baixos ou inexistentes. Isso ocorre porque, mesmo que as empresas de fachada paguem pouco imposto e tenham poucos funcionários, impulsionam as economias locais pagando taxas administrativas, comprando serviços de consultoria tributária, contabilidade e outros serviços financeiros.

O estudo conclui que a cooperação internacional é essencial para enfrentar o problema:

"Este ano o FMI apresentou várias alternativas para uma estrutura tributária internacional revisada, variando de impostos mínimos à alocação de direitos tributários às economias de destino. Um fato permanece claro: a cooperação internacional é a chave para lidar com a tributação no atual ambiente econômico globalizado".

 * Com informações do FMI

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