Geoffrey Okamoto, vice-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), avalia que o grande esforço de contenção da propagação do vírus da covid-19, somado às políticas macroeconômicas e financeiras, mitigaram o impacto da crise na China e retomaram o crescimento da economia.

"Apesar da crise, reformas importantes continuaram, incluindo medidas tomadas para abrir ainda mais o setor financeiro, avançar a reforma Hukou e melhorar a proteção à propriedade intelectual. Nossas discussões se concentraram na combinação de políticas das autoridades para garantir um crescimento equilibrado contra os ventos contrários da pandemia global", disse Okamoto em nota do FMI.

O crescimento é resultado de forte apoio público, enquanto o consumo privado continua retraído. A perspectiva enfrenta riscos de baixa, decorrentes do aumento das vulnerabilidades financeiras e do ambiente externo cada vez mais desafiador.

“Para garantir uma recuperação equilibrada, as políticas macroeconômicas precisam continuar a apoiar e aumentar sua eficácia. A política fiscal deve permanecer ligeiramente expansionista, passando dos gastos com infraestrutura para o fortalecimento das redes de segurança social e promoção do investimento", entende Okamoto. "Com a dívida pública já elevada e aumentando, a política fiscal será mais eficaz quando sustentada por uma estrutura macro-fiscal aprimorada e coordenação intergovernamental".

"A flexibilidade contínua da taxa de câmbio será essencial para facilitar o ajuste às novas circunstâncias externas".

“À medida que a recuperação se firma, medidas excepcionais de apoio financeiro para evitar um aperto de crédito devem ser substituídas por esforços pró-ativos para resolver empréstimos problemáticos e fortalecer as estruturas regulatórias e de supervisão. Uma estrutura abrangente de reestruturação bancária reduzirá os riscos sistêmicos e continuará a reduzir os riscos", sugere o executivo do FMI.

O FMI também recomenda “uma maior abertura dos mercados domésticos, reformando empresas estatais e garantindo a neutralidade competitiva com empresas privadas" para "reduzir os desequilíbrios externos" e "construir uma economia mais resiliente".

“A China e seus parceiros comerciais devem trabalhar juntos para construir um sistema de comércio e investimento internacional mais aberto, estável e transparente, baseado em regras", conclui Okamoto.

* Com informações do Fundo Monetário Internacional (FMI)

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