O ministro da Cidadania, Osmar Terra, disse hoje (22) que os filmes que recebem financiamento público precisam ter o compromisso de atrair espectadores. “O cinema tem que buscar o público, não pode ser uma coisa só autoral para os amigos que gostam muito do cineasta gostarem do filme”, disse.

Devido a essa situação, Terra disse que considera uma revisão dos  mecanismos de financiamento para o cinema, como exigir que parte do  dinheiro tenha que ser devolvida com arrecadação em bilheteria. “Nós  temos que rever a forma de fazer o financiamento. Transformar em um financiamento que tem que ser devolvido. Criar uma forma de buscar o público, se não ficam filmes que ninguém assiste. É um gasto enorme com filmes que ninguém vai ver”, propôs, ao participar de evento do grupo Voto, na capital paulista.

A reserva de um espaço mínimo em salas de cinema para filmes nacionais também foi alvo de críticas do ministro. “Aí é obrigado a ter  cota para filme nacional no cinema, também não pode durar muito. É uma  lei que até ano que vem tem cota. Depois tem que rever isso”, disse ao  relacionar a reserva de salas a distância entre as produções e o  público.

O ministro defendeu ainda que o governo opine sobre as temáticas que  serão incentivadas na produção audiovisual. Terra falou sobre o tema ao  comentar a suspensão de um edital para produção de séries sobre  diversidade sexual para TVs públicas. “Se é um recurso público, é uma exibição em rede pública, o Governo pelo menos quer opinar sobre os  temas. E esse governo tem proposta para a TV pública, sobre valores que são importantes de serem ressaltados”, defendeu.

Terra negou, no entanto, que o Governo tenha a intenção de estabelecer qualquer tipo de censura. “Todo mundo pode fazer o filme que  quiser, mas se vai receber recurso público, nós temos direito de opinar sobre os temas que são mais importantes. Até para ter um filme que vai receber um recurso e não tem importância nenhuma para a sociedade”, enfatizou.