06/10/2015

Consumidores paulistanos dos saudáveis e ambientalmente corretos  produtos orgânicos ganharam, por iniciativa da Secretaria de Agricultura  e Abastecimento do Estado de São Paulo, mais uma feira livre para  levarem saúde à mesa. Desde setembro do ano passado, a Coordenadoria de Desenvolvimento  dos Agronegócios (Codeagro) da Secretaria realiza ao lado da estação Jabaquara do Metrô da capital paulista, todas as sextas-feiras, das 15h  às 20h, com entrada gratuita, a Feira de Orgânicos do Projeto Bom Preço do Agricultor.

O objetivo é atender à crescente demanda por orgânicos e oferecer um  produto mais acessível, adquirido diretamente do produtor e sem a ideia  de que são itens de elite, muito caros. “Identificamos baixa oferta de  produtos orgânicos para uma grande demanda, por isso quer fortalecer  esses agricultores, fazer com que eles evoluam no processo de produção e  ganhem produtividade como forma de baixar o preço final e expandir o  setor”, contou Michel Reche Beraldo, titular da Codeagro.

São 27 barracas de frutas, legumes, verduras, ovos, mel, pães, sucos,  queijos, arroz, cookies e mais uma grande variedade de produtos  cultivados e desenvolvidos sem o uso de defensivos agrícolas. Em sua  maioria, a produção exposta na Feira é proveniente na agricultura  familiar, o que vai diretamente de encontro ao objetivo do Bom Preço do  Agricultor: articular ações para desenvolver a economia regional,  agregando valor à pequena e média produção de hortifrutigranjeiros, bem  como de produtos agropecuários e agroindustriais.

“A feira no Jabaquara objetiva incentivar a agricultura familiar, unir  produção e produtividade agropecuária e preservação ambiental e oferecer  alimentos seguros à população paulista. A feira leva a produção direto  do campo para o consumidor, a Secretaria oferece assim uma opção de  venda de alimentos saudáveis com preços mais acessíveis”, ressaltou o  secretário Arnaldo Jardim.

A ideia surgiu no começo de julho dentro da Câmara Setorial de  Agricultura Ecológica. Até setembro, a Codeagro mapeou o trânsito de  pessoas no complexo estação Jabaquara/terminal EMTU para saber do  interesse delas em ter mais um ponto de venda de orgânicos. O resultado  das pesquisas foi positivo e deu o pontapé inicial para a instalação da feira, no mesmo espaço onde às quartas-feiras e aos sábados é realizada  uma convencional.

Adubando a economia

Conhecedora do processo de crescimento de um produto, já que vende  pães de fermentação orgânica na feira, Lia Cassetari destacou que, além  do ganho ambiental presente neste tipo de produção e dos benefícios à  saúde, há ainda a conquista financeira dessas famílias de produtores.  “Com o orgânico você tem a economia de base garantida, incentiva a  microeconomia e o desenvolvimento locais”, opinou. Para ela, em uma  possível crise de abastecimento causada por uma eventual greve de  transportadores, a produção orgânica continua garantida por não depender  das grandes empresas.

Quem também se mostrou muito animado com o novo ponto para vender sua  produção foi Cícero Vieira, de Pedro de Toledo, bananicultor que  comercializa as variedades nanica e prata – quando mordidas, têm gosto  de infância. Com “a melhor expectativa possível”, Cícero contou que as  pessoas que já estão habituadas com orgânicos gostaram de contar com  mais um local para suas compras. E quem ainda não conhecia este tipo de  produção chegou à banca dele, quis saber mais e levou para casa pelo  menos uma penca de bananas.

Também feirante de orgânicos em Santos, ele explicou que muitas  vezes, de forma rápida após a compra, “as bananas convencionais  apodrecem por fora e ainda estão marrentas por dentro”. Já a orgânica  amadurece de maneira uniforme: por dentro e por fora. “A gente respeita a  natureza para produzir. É a natureza que nos dá tudo. Quem compra  orgânicos está comprando saúde”, opinou Cícero.

Com um bom ponto a ser explorado devido ao grande trânsito de pessoas  na estação Jabaquara e terminal EMTU, a Feira de Orgânicos tem animado  seus participantes, todos com boa expectativa e confiantes no apoio  recebido da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São  Paulo. “É bom porque você tem mais apoio, dá mais força para nós quando  temos o governo junto”, contou Estevão Saraiva Caldeira, produtor de  Ibiúna.

Estevão destacou também que apenas cerca de 10% das pessoas que foram  até a barraca dele não conheciam a produção orgânica, mas, quando  esclarecidas sobre o assunto, entendiam porque estavam pagando um pouco  mais caro por aquele produto. “A gente sabe que é o melhor para o  organismo, aqui até o adubo é orgânico”, garantiu, expondo orgulhoso sua  produção de verduras e legumes.