O Batalhão de Azov começou como uma milícia anti-Rússia voluntária antes de se juntar formalmente à Guarda Nacional ucraniana em 2014. O regimento é conhecido por seu ultranacionalismo e ideologia neonazista difundida entre seus membros, e opera como ala armada do movimento nacionalista branco ucraniano Azov. É acusado de envolvimento em casos de torturas, violência sexual, saques, limpeza étnica e perseguição de minorias como homossexuais, judeus e russos.

O Batalhão tem uma força de vigilância conhecida como Milícia Nacional (Natsionalni Druzhyny), que patrulha as ruas das cidades ucranianas ao lado da polícia. Também possui uma ala militar com bases de treinamento e vasto arsenal de armas, drones, blindados e peças de artilharia.

Embora tenha nos últimos anos minimizado suas simpatias neonazistas, as afinidades do grupo não são sutis: soldados Azov marcham e treinam usando uniformes com ícones do Terceiro Reich; sua liderança já cortejou elementos americanos neonazistas; e em 2010, o primeiro comandante do batalhão e ex-parlamentar ucraniano, Andriy Biletsky, afirmou que o propósito nacional da Ucrânia era "liderar as raças brancas do mundo em uma cruzada final ... contra Semita-led Untermenschen [sub-humanos]".

A proibição formal de Azov no Facebook começou em 2019, e o regimento, juntamente com vários indivíduos associados, foram designados sob a proibição da empresa contra grupos de ódio, sujeitos às suas mais duras restrições de "Nível 1" que impedem os usuários de se envolverem em "elogios, apoio ou representação" de entidades na lista negra em todas as plataformas da empresa.

O Facebook categorizou o Batalhão Azov ao lado de organizações como o Estado Islâmico e a Ku Klux Klan, por sua propensão a "graves danos offline" e "violência contra civis".

Relatórios publicados pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH ) conectam o Batalhão Azov a crimes de guerra, como saques em massa, detenção ilegal, violação sexual e tortura.

No mês passado, o Facebook reverteu sua posição e permitiu o enaltecimento do Batalhão Azov, apurou o The Intercept.

Segundo memorando de política interna que o The Intercept teve acesso, o Facebook "permitirá elogios ao Batalhão Azov ao elogiar explicitamente e exclusivamente seu papel na defesa da Ucrânia ou seu papel como parte da Guarda Nacional da Ucrânia".

Exemplos de discurso publicados internamente que o Facebook agora considera aceitável incluem "voluntários do movimento Azov são verdadeiros heróis, eles são um apoio muito necessário à nossa guarda nacional"; "Estamos sob ataque. Azov tem defendido corajosamente nossa cidade nas últimas 6 horas"; e "Eu acho que Azov está desempenhando um papel patriótico durante esta crise".

Em um reconhecimento tácito da ideologia do grupo, o memorando fornece dois exemplos de postagens que não seriam permitidas sob a nova política: “Goebbels, o Führer e Azov: todos são grandes modelos de sacrifício e heroísmo nacional” e “Parabéns Azov por proteger a Ucrânia e sua herança nacionalista branca”.

O Azov ainda não pode usar plataformas do Facebook para fins de recrutamento ou para publicar suas próprias declarações, e os uniformes e banners do regimento permanecerão como imagens proibidas de símbolos de ódio.

Embora os usuários do Facebook possam agora elogiar qualquer ação dos soldados Azov contra a Rússia, a nova política observa que "qualquer elogio à violência" cometida pelo grupo ainda é proibido. Não está claro que tipo de embate não violento a empresa antecipa.

Ódio do bem

Nesta quinta-feira (10), o Facebook e o Instagram fizeram mudanças em sua política de discurso de ódio do bem para permitir pedidos de violência contra russos e soldados russos, reportou a Reuters com exclusividade.

A Reuters cita "e-mails internos" para os censores
A Reuters cita "e-mails internos" para os censores
A agência destaca que apelos pela morte do presidente russo Vladimir Putin ou do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko poderão ser aceitos na plataforma na Armênia, Azerbaijão, Estônia, Geórgia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia, Rússia, Eslováquia e Ucrânia.

Em termos de perspectiva, no início de fevereiro a rede social baniu um grupo que promovia um protesto de comboio de caminhoneiros americanos, dada a atenção generalizada que expôs o que estava em curso no governo canadense.

A Embaixada da Rússia em Washington acusou a empresa de estar realizando atividades criminais.

“Exigimos que as autoridades norte-americanas ponham termo às atividades extremistas da Meta e tomem medidas para levar os responsáveis à Justiça”.

“Os usuários do Facebook e Instagram não deram aos proprietários dessas plataformas o direito de determinar critérios de verdade e colocar umas nações contra as outras”, acrescentou.

Atualização 11/03/2022

O Serviço Federal Russo de Supervisão de Tecnologias da Informação e Comunicações em Massa decidiu restringir o acesso ao Instagram, após publicação de textos que pedem violência contra cidadãos russos, incluindo militares.

O Escritório do Procurador-Geral da Rússia quer reconhecer a Meta Platforms como uma organização extremista e proibir sua operação no país.

Atualização 13/03/2022

O regulador de comunicações da Rússia informou aos usuários do Instagram para moverem suas fotos e vídeos antes que o serviço seja bloqueado neste domingo, e encorajou a migração do conteúdo para plataformas russas.

A Meta disse na sexta-feira (11) que a mudança em sua política de discurso de ódio se aplica apenas à Ucrânia, o que contraria documentos internos que a Reuters teve conhecimento. Apelos pelo assassinato do presidente russo Vladimir Putin e do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko seriam aceitos na Armênia, Azerbaijão, Estônia, Geórgia, Hungria, Letônia, Lituânia, Polônia, Romênia, Rússia, Eslováquia e Ucrânia.

O chefe do Instagram disse que a proibição afetará 80 milhões de usuários. O Facebook já tinha sido banido, por restringir o acesso da imprensa russa.

Atualização 21/03/2022

Nesta segunda-feira (21), um tribunal de Moscou baniu o Facebook e o Instagram na Rússia como organizações extremistas, depois que a empresa Meta permitiu um discurso de ódio online contra os cidadãos do país. O juiz rejeitou o pedido dos advogados para suspender ou adiar o julgamento. A decisão do tribunal significa que Facebook e Instagram serão bloqueados, mas o aplicativo WhatsApp permanecerá operacional na Federação Russa.

Atualização 23/03/2022

O Roskomnadzor restringiu o acesso ao Google News. A medida foi tomada a pedido do Ministério Público da Rússia, informou a agência regulatória nesta quarta-feira (23), de acordo com agências de notícias russas. O site "forneceu acesso a inúmeras publicações e materiais contendo informações falsas" sobre o curso da "operação militar especial da Rússia em território ucraniano", diz o comunicado.

Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes do conflito
Cobertura da Ucrânia pela imprensa ocidental antes do conflito

Atualização 16/04/2022

"Um dos jornalistas mais proeminentes da Polônia, Konstanty Gebert, disse que está deixando o que muitos consideram como o jornal de registro do país depois que exigiu que Gebert descrevesse o controverso Batalhão Azov da Ucrânia como 'extrema-direita' em vez de 'neonazista'", escreveu neste sábado (16) Glenn Greenwald.

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