Enquanto vários meios de comunicação relataram que as hospitalizações entre crianças com covid-19 aumentaram nos últimos dias, a diretora do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Rochelle Walensky, afirmou em entrevista que a maior parte das crianças não está sendo hospitalizada por causa do vírus. Em vez disso, elas estão sendo hospitalizadas com problemas de saúde distintos e, incidentalmente, o teste para SARS-CoV-2 é positivo, disse.

Não é algo que deveria surpreender, desde que o próprio CDC definiu que a morte de qualquer pessoa que anteriormente testou positivo para SARS-CoV-2 deve ser registrada com o código de óbito por covid-19, não importando a causa da morte.

Quando questionado durante uma entrevista da MSNBC sobre o aumento nas hospitalizações, Fauci disse que “quantitativamente, você está tendo muito mais pessoas, incluindo crianças, que estão sendo infectadas”, sem esclarecer que as infecções estão sendo causadas majoritariamente pela variante Delta.

“Embora a hospitalização de crianças seja muito, muito menor em uma base percentual do que as hospitalizações de adultos, particularmente idosos”, disse Fauci em 29 de dezembro, “quando você tem um volume tão grande de infecções em crianças, mesmo com um nível baixo de taxa de infecção, você ainda verá muito mais crianças hospitalizadas”.

Fauci então disse que "se você olhar para as crianças que estão hospitalizadas, muitas delas estão hospitalizadas com covid, em vez de por causa da covid".

“Se uma criança vai para o hospital, ela automaticamente faz o teste de covid. E são contabilizadas como indivíduos hospitalizados por covid”, comentou Fauci. “Quando, na verdade, elas podem ter uma perna quebrada ou apendicite ou algo assim. Portanto, está inflado o número de crianças que estão, aspas, ‘hospitalizadas com covid’, em oposição a por causa de covid”.

O comentário de Fauci na MSNBC esta semana marca uma mudança significativa na narrativa em torno dos casos covid-19, reconhecendo apenas uma das inúmeras distorções nas estatísticas de "casos confirmados", mortes e hospitalizações pelo SARS-CoV-2, todas de longa data apontadas por autoridades sanitárias de países nórdicos, e também por cientistas e pesquisadores de várias partes do mundo.

Atualmente dois terços de novas "hospitalizações por covid" no Reino Unido ocorrem por outras enfermidades, triplicando o número real de pacientes internados por covid-19.
Atualmente dois terços de novas "hospitalizações por covid" no Reino Unido ocorrem por outras enfermidades, triplicando o número real de pacientes internados por covid.

Cabe notar que as internações por covid-19 geram receitas maiores para os hospitais, mas faz sentido uma pessoa com outra doença que se descobre infectada por SARS-CoV-2 ocupar um leito na ala de covid-19 para ser tratada, protegendo o pessoal médico, os funcionários e os outros pacientes. A distorção, talvez por motivo burocrático, como código do leito, é atribuir o motivo da internação ao vírus e não à doença.

Fauci e autoridades de saúde americanas brevemente serão confrontadas também sobre os expedientes utilizados para inflar a efetividade das vacinas covid.

A questão basicamente reside em definir como "completamente vacinada" a pessoa que recebeu há mais de 14 dias a última dose da imunização de uma vacina desenvolvida para o vírus original, que não mais existe.

Até completar esse período, todas as ocorrências de infecção e eventuais complicações, são incluidas nas estatísticas de pessoas "não vacinadas".

O expediente vinha funcionando como desejado na imprensa, mas o surgimento das doses de reforço fazem agora que as ocorrências até completado o período de 14 dias após a terceira injeção sejam atribuídas aos "completamente vacinados".

No caso de revacinações de "reforço", administradas quando a resposta imune induzida pela vacinação anterior mostra-se menos capaz de enfrentar o SARS-CoV-2, o expediente leva agora à interpretação equivocada de menor efetividade da vacina para imunizados com duas doses, um incentivo para receber a 3ª dose.

Questiona-se ainda o impacto das vacinações em massa durante um surto, potencialmente produzindo queda temporária da resposta imune, com os 14 dias imediatos após a aplicação ocultando um eventual aumento de infecções causado pelo próprio esforço de imunização, com os casos creditados aos "não vacinados".

Em julho de 2021, o Secretário de Saúde do Distrito Federal, Osnei Okumoto, revelou dados que mostraram a falácia do Ministério da Saúde da proteção de pessoas "parcialmente imunizadas" e evidenciaram o equivoco de aumentar o intervalo entre doses além dos prazos recomendados pelos fabricantes.

Ironicamente, a redução de hospitalizações é creditada exclusivamente às vacinas. A OMS chegou até mesmo a mudar a definição de imunidade de rebanho, incluindo apenas a obtida por vacinas, as quais, na prática, fracassaram em prover proteção comunitária contra o SARS-CoV-2.

Atualização 10/01/2022

A diretora do CDC, Rochelle Walensky, disse na sexta-feira (7), em entrevista ao Good Morning America, que “o número avassalador de mortes, mais de 75%, ocorreu em pessoas que tinham pelo menos quatro comorbidades. Então, realmente, essas são pessoas que estavam doentes, para começar".

Walenksy foi criticada por todo o espectro político, com alguns apontando que ela estava insensivelmente dizendo que apenas aqueles com vários fatores subjacentes estavam morrendo do vírus, enquanto outros interpretaram que ela estava admitindo tacitamente que a contagem de mortes por coronavírus – oficialmente mais de 800.000 nos Estados Unidos – foi inflada, já que os moribundos tinham outros problemas de saúde.

No entanto, um porta-voz do CDC disse que as observações de Walenksy sobre os "mais de 75%" óbitos era sobre um estudo do CDC, divulgado na sexta-feira, mostrando que essas foram as mortes que ocorreram entre pessoas vacinadas contra o coronavírus. Em outras palavras, o estudo descobriu que as mortes por coronavírus entre os vacinados eram muito mais prováveis de ocorrer entre pessoas com várias condições crônicas ou fatores de risco, como idade avançada ou imunodeficiência.

"Entre 1.228.664 pessoas que completaram a vacinação primária entre dezembro de 2020 e outubro de 2021, desfechos graves associados à covid-19 (0,015%) ou morte (0,0033%) foram raros. Todas as pessoas com resultados graves tinham pelo menos um fator de risco; 78% das pessoas que morreram tinham pelo menos quatro", disse o estudo do CDC.

"Mais uma vez, contar a verdade com as estatísticas parece de suma importância, e os hospitais falharam miseravelmente nesse sentido”, escreveu Cheryl K. Chumley, colunista do Washington Times, nesta segunda-feira (10).

O Medicare paga US$ 5.000 por pessoa internada por pneumonia; US$ 13.000 se for pneumonia ligada à covid; US$ 39.000 se a pneumonia ligada à covid resultar no uso de um ventilador.

“Essa é a verdade verificada”, escreveu Chumley. “Esse é o fator incentivador e motivador para os hospitais agirem de forma descuidada (play fast and loose), com as estatísticas do coronavírus”.

Ao anunciar nova regra para hospitais comunicarem pacientes com covid, a governadora de New York Kathy Hochul disse: “Quantas pessoas estão sendo hospitalizadas por causa de sintomas de covid? Quantas pessoas estão testando positivo apenas enquanto estão lá para outros tratamentos? Acho que isso é importante”.

Chumley observou; "Sim. É importante. Mas era tão importante dois anos atrás – e onde estavam os narradores da verdade e os defensores da verdade? Sugando o dinheiro, acumulando os medos. Foi assim que passamos de uma nação de pessoas livres para um país de covardes, com metade da população com medo de sair de suas portas sem máscaras”.

Contudo, declarações falsas sobre a covid continuam sendo divulgadas.

Na quinta-feira (6), o juiz da Suprema Corte Stephen Breyer afirmou que havia 750 milhões de novos casos de covid-19 nos EUA .

No dia seguinte, a juíza da Sonia Sotomayor, exagerou o número de casos graves de covid-19 por Ômicron e as hospitalizações entre crianças enquanto tentava convencer seus pares da Suprema Corte de que o mandato de vacinas do presidente Joe Biden para empresas deveria ser aplicado.

"Os números mostram que Ômicron é tão mortal quanto a Delta e causa tanta doença grave nos não vacinados quanto a Delta [...]", disse Sotomayor. "Temos mais de 100.000 crianças, que nunca tivemos antes, em estado grave, e muitas em ventiladores".

Embora as hospitalizações pediátricas por covid-19 nos EUA tenham atingido a maior contagem de casos já relatada desde o início da pandemia, Sotomayor exagerou os números mais de 20 vezes.

“O fato de Sotomayor ter feito esse comentário ridiculamente falho durante uma audiência no Supremo sobre dois casos de coronavírus que têm potencial para restringir as liberdades individuais e a livre escolha, mais do que qualquer outra consideração judicial na história recente, apenas ressalta a importância de relatórios confiáveis sobre estatísticas médicas”, escreveu Chumley.

“Verdade na ciência, verdade nos relatórios, verdade nas estatísticas e dados: é um conceito que deveria estar com a resposta ao coronavírus desde o início”, concluiu Chumley.

Leitura recomendada:

Veja também: