"Embora o comércio global de alimentos tenha mostrado notável resiliência às interrupções durante a pandemia, o rápido aumento dos preços dos produtos alimentícios e da energia representam desafios significativos para os países mais pobres e consumidores, que gastam grande parte de suas rendas nessas necessidades básicas", diz a organização da ONU para a agricultura e alimentação (FAO).

O novo relatório Food Outlook da FAO examina os impulsionadores do aumento dos preços de commodities, frete e insumos agrícolas.

O recente aumento nos preços dos insumos agrícolas desencadeou alarme considerável sobre o aumento dos custos de produção de alimentos, normalmente repassados para os consumidores. Já, os impactos sobre os preços são capturados pelo aumento do Índice de Preços de Alimentos da FAO (FFPI), que atingiu o máximo de dez anos em agosto de 2021. Este parece ser suportado pela evolução dos preços de insumos, como evidenciado pelo Índice de Preços de Insumos Globais (GIPI).

Índice de preços de insumos mensais globais em relação ao FFPI (2014-16 = 100). Fonte/Arte: FAO
Índice de preços de insumos mensais globais em relação ao FFPI (2014-16 = 100). Fonte/Arte: © FAO

Segundo a FAO, as despesas mundiais com importação de alimentos devem superar 1,75 trilhão de dólares em 2021, crescimento de 14% em relação a 2020 e 12% acima do previsto em junho último.

O aumento é impulsionado por níveis mais altos de preços de commodities comercializadas internacionalmente e um aumento de três vezes nos custos de frete.

"O comércio internacional de produtos alimentícios acelerou e está em vias de alcançar o seu nível mais elevado, tanto em volume, como em valor", diz o relatório.

As regiões em desenvolvimento respondem por 40% do total e sua conta agregada de importação de alimentos deve aumentar em 20% em comparação com 2020.

Um crescimento ainda mais rápido é esperado para os países de baixa renda com déficit alimentar, devido aos custos mais elevados do que aos maiores volumes de importação de alimentos.

Despesas básicas 2017 vs 2021, global. Pelo recenseamento da agência da ONU, em 53 países as famílias gastam "mais de 60% dos seus rendimentos" em produtos de primeira necessidade, como alimentos, energia, água e habitação. Fonte: Banco Mundial, Arte: © FAO

De janeiro a agosto, o índice FAO de preços de alimentos FFPI subiu 34% e o índice de preços globais dos fatores de produção GIPI aumentou 25%.

Mudança absoluta no preço de insumos.Fonte: FAO
Mudança absoluta no preço de insumos.Fonte/Arte: © FAO

Note-se que as medidas globais agregadas mascaram grandes diferenças regionais e específicas do setor dentro da agricultura.  Os produtores de soja, por exemplo, enfrentam necessidades menores de fertilizantes de nitrogênio, atualmente caros, e devem se beneficiar dos preços mais altos do produto, enquanto os produtores de suínos, em contraste, enfrentam altos custos da ração e baixos preços da carne.

* Com informações da Food and Agriculture Organization of the United Nations

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