Na quinta-feira (26), os líderes do G20 discutirão uma resposta à pandemia.

"Enfrentar uma crise que não conhece fronteiras exige uma resposta verdadeiramente global", disse Peter Drysdale, chefe do Departamento de Pesquisa Econômica do Leste Asiático da Universidade Nacional da Austrália (ANU), em entrevista à agência estatal chinesa de notícias Xinhua.

"A primeira prioridade é que os líderes do G20 concordem em ações coordenadas para garantir o acesso a suprimentos médicos essenciais em todo o mundo", disse o renomado economista. "Os líderes devem reverter e se comprometer a evitar proibições ou limites à exportação do fluxo livre de todos os suprimentos médicos, remédios, desinfetantes, sabão e equipamentos de proteção necessários".

O economista recomenda que os líderes nacionais "reduzam os custos de suprimentos médicos necessários aumentando, por exemplo, os impostos de importação, cotas e outros custos impostos pelo governo".

Drysdale apontou que a pandemia também causou um duro golpe à economia global.

"O impacto na economia mundial será grande, pois as economias industriais sofrerão um grande golpe", afirmou.

"O impacto estrutural do coronavírus em atividades intensivas em mão-de-obra e pequenas empresas em todo o mundo tornam essa crise econômica particularmente difícil de administrar", acrescentou o economista.

Drysdale citou algumas estimativas que sugerem uma queda de 5 a 10% na produção no próximo trimestre em todo o mundo.

"Passar por essa crise exigirá intensificar a cooperação internacional rapidamente", disse o professor. "A maneira mais eficaz e legítima de fazer isso é através do G20".

"Os líderes devem anunciar um pacote coordenado de estímulo fiscal para lidar com o choque de demanda ... evitar desvalorizações competitivas da taxa de câmbio ... e deve haver um compromisso coletivo de manter as cadeias de suprimentos globais abertas para enfrentar o choque de oferta", observou.

Drysdale expressou convicção de que, embora muitos países procurem enfrentar a crise de saúde com conhecimento inadequado e sem consideração e atenção iniciais imediatas às conseqüências econômicas, o G20 precisa incumbir os ministérios da saúde e da economia na construção de acordos de cooperação mais fortes.

* Com trechos da entrevista da Xinhua

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