O Fórum Econômico Brasil e Países Árabes está acontecendo por videoconferência, de 19 a 22 de outubro.

Em seu pronunciamento, o Presidente disse que a aproximação no campo político entre Brasil e países árabes tem permitido novos espaços de cooperação em setores estratégicos, como ciência, tecnologia, inovação e energia.

No discurso, Bolsonaro ressaltou que cerca de 30 empresas brasileiras possuem escritórios comerciais e unidades de produção no Oriente Médio, e disse que os Emirados, Qatar e Kuwait apresentam expressivos investimentos no Brasil.

"Essas inversões, tomadas individualmente, variam de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões. E tenho certeza de que vamos multiplicar esses números".

O Presidente também lembrou que o Brasil exporta para todos os países árabes.

"Entre janeiro e agosto de 2020, essas exportações totalizaram US$ 4,6 bilhões. Portanto, em apenas 8 meses deste ano, e apesar das restrições impostas pela covid-19, já estamos próximos de alcançar o valor exportado em 2019, que foi de US$ 4,9 bilhões", informou.

Durante seu discurso, Bolsonaro destacou ainda as parcerias comerciais em países árabes da África, como Egito, Marrocos e Argélia.

“Pretendemos continuar a estreitar laços históricos, culturais e de amizade que unem os nossos povos. Também quero aproveitar o enorme potencial que ainda há para ser explorado nos mais diversos setores e abrir novas frentes de diálogos, cooperação e trabalho pela prosperidade de nossas nações”, disse.

Íntegra do discurso do Presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes

Senhoras e Senhores,

É uma grande satisfação participar da abertura do Fórum Econômico Brasil-Países Árabes.

O Brasil confere especial atenção ao relacionamento com o mundo árabe, que tem participação importante na formação de nossa sociedade por meio dos muitos imigrantes que chegaram ao nosso País.

Pretendemos continuar a estreitar os laços históricos, culturais e de amizade que unem nossos povos.

Também queremos aproveitar o enorme potencial que ainda há para ser explorado nos mais diversos setores e abrir novas frentes de diálogo, cooperação e trabalho pela prosperidade das nossas nações.

Estou convicto de que a relação entre o Brasil e o mundo árabe se encontra, hoje, em seu melhor momento histórico.

Nas variadas ocasiões em que conversei com Chefes de Estado e de Governo, tenho buscado promover uma agenda focada em resultados, e essa característica é ainda mais evidente no diálogo com nossos parceiros árabes.

A aproximação no campo político tem nos permitido encontrar novos espaços de cooperação em setores estratégicos, como ciência, tecnologia, inovação e energia.

A visita que realizei aos Emirados Árabes Unidos, ao Qatar e à Arábia Saudita, no ano passado, é evidência inequívoca do interesse brasileiro no fortalecimento das relações com o Oriente Médio.

Recordo, com enorme satisfação, a confiança demonstrada pela Arábia Saudita ao anunciar a intenção de investir valor de até US$ 10 bilhões no Brasil, por meio do Fundo de Investimento Público daquele país.

A fim de dar seguimento às tratativas iniciadas na ocasião e direcionar a aplicação dos recursos de maneira eficiente, criamos o Comitê Interministerial para a Promoção de Comércio e Investimentos entre o Brasil e a Arábia Saudita.

Esse trabalho conjunto trará resultados benéficos para os dois países.

Senhoras e Senhores,

Na área de comércio e investimentos, temos estimulado conversas para a prospecção de parcerias com o Brasil. Mesmo durante a pandemia, os encontros virtuais se multiplicaram, o que comprova o interesse comum em adensar as nossas relações.

Apesar da distância entre nossas regiões, o intercâmbio entre o Brasil e os países árabes superou a cifra de US$ 11,2 bilhões de dólares no ano passado.

Tenho certeza de que podemos aproveitar a moderna infraestrutura dos países do Golfo para diversificar e expandir o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da Ásia.

Cerca de 30 empresas brasileiras possuem, hoje, escritórios comerciais e unidades de produção no Oriente Médio. É com alegria que tomamos conhecimento da abertura em Dubai, em fevereiro de 2019, de escritório da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.

Países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait, já apresentam expressivos investimentos no Brasil. Essas inversões, tomadas individualmente, variam de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões. E tenho certeza de que vamos multiplicar esses números!

Já tomamos várias medidas que permitirão a retomada do crescimento econômico sustentável do Brasil no pós-pandemia. As reformas estruturais que estamos promovendo no Brasil garantem um ambiente de negócios atrativo e seguro, um cenário sem precedentes aos investidores estrangeiros.

Senhoras e Senhores,

O Brasil exporta ampla gama de mercadorias para todos os 22 países membros da Liga Árabe, com destaque para os produtos do agronegócio.

Entre janeiro e agosto de 2020, essas exportações totalizaram US$ 4,6 bilhões. Portanto, em apenas 8 meses deste ano, e apesar das restrições impostas pela covid-19, já estamos próximos de alcançar o valor exportado em 2019, que foi de US$ 4,9 bilhões.

Hoje, a produção brasileira halal, que respeita tradições e regras da religião islâmica, é sinônimo de qualidade e confiança. Por isso, os países árabes podem contar com o Brasil como parceiro estratégico na garantia de sua segurança alimentar.

Ressalto que não apenas a relação com os países árabes do Golfo oferece perspectivas de crescimento, mas também a relação com nações da África, como Egito, Marrocos e Argélia, por exemplo.

O Egito é o principal destino das exportações brasileiras na África e o segundo principal comprador árabe de nossos produtos, com destaque para a carne bovina. Também temos um acordo de livre comércio em vigor desde 2017, o que favorece a ampliação e a diversificação de nossas trocas e o permanente aprofundamento de nossas relações.

O Marrocos, com o qual estamos vivenciando importante aproximação política, constitui parceiro estratégico para a nossa agricultura, como supridor essencial de fertilizantes.

Já a Argélia despontou, em 2019, como a principal origem de nossas importações no continente africano, além de ter sido o terceiro destino de nossas exportações, atrás apenas do Egito e da África do Sul.

Percebemos oportunidades promissoras de diversificação do intercâmbio comercial e da promoção de investimentos com todos esses países.

No ano passado, firmamos um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimento com o Marrocos, a exemplo do instrumento que, também em 2019, assinamos com os Emirados Árabes Unidos.

Estamos prontos a estabelecer novas frentes de diálogo e de colaboração, a fim de estabelecermos marcos regulatórios capazes de aprimorar ainda mais os investimentos entre o Brasil e os países árabes.

Senhoras e Senhores,

Aproveito para relembrar os laços histórico-culturais que unem o Brasil e o mundo árabe. Nossa relação tem raízes profundas de amizade e colaboração.

É com orgulho que ressalto a importância da grande comunidade de descendentes árabes que escolheram o Brasil para viver. Sua contribuição foi fundamental para o desenvolvimento econômico e cultural brasileiro.

Em respeito e apreço a esses laços, nosso Governo ofereceu prontamente, e continua a oferecer, apoio aos irmãos libaneses no processo de reconstrução de seu país.

Enviamos missão humanitária ao Líbano com alimentos, medicamentos e insumos médico-hospitalares doados pelo Governo e pela comunidade brasileira de origem libanesa.

Além das doações, a missão levou mensagem política no mais alto nível, liderada pelo ex-Presidente Michel Temer. Essa é mais uma evidência do nosso firme compromisso com todo o mundo árabe

No espírito de fraternidade entre nossas nações, desejo a todos um proveitoso encontro e excelentes negócios.

Estejam certos de que nosso governo trabalha e estará sempre disposto a trabalhar para estreitar ainda mais as relações do Brasil com o mundo árabe

Muito obrigado.

* Com informações do gov.br

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