A conferência estava programada para acontecer entre 13 e 22 de março, mas vinha enfrentando resistências para sua realização.

Nas semanas que antecederam o evento, houve preocupações crescentes sobre se seria uma decisão inteligente para os líderes de Austin e os organizadores do festival sediarem a SXSW,  que leva quase meio milhão de pessoas a uma seção concentrada do centro da cidade texana.

Nos últimos dias, Intel, LinkedIn, Facebook, Twitter e TikTok haviam desistido de participar, seguindo a política de saúde das grandes empresas de limitar viagens não essenciais de seus funcionários para tentar preservar o ambiente de trabalho de contágios.

Também destacados palestrantes, como o CEO do Twitter Jack Dorsey e o empresário e autor Tim Ferriss, tinham cancelado suas apresentações.

WarnerMedia, Netflix, Amazon e Apple haviam desistido de exibir filmes e séries de TV no evento.

A Netflix planejava exibir cinco filmes (Uncorked, A Secret Love, LA Originals, Mucho Mucho Amor e Have a Good Trip: Adventures in Psychedelics). Foram canceladas as exibições assim como um painel com o criador de Black-ish, Kenya Barris, e o ator e produtor Rashida Jones e sua próxima série de comédia para a Netflix, BlackExcellence.

A Apple estava programada para estrear três originais da AppleTV+: o documentário de Spike Jonze, Beastie Boys Story; uma série musical animada chamada Central Park; e um documentário chamado Homes. Também exibiria o documentário Boys State, que foi adquirido no Sundance Film Festival em janeiro, e iria promover um painel sobre Little America com os criadores da série.

A Amazon cancelou exibições e painéis programados para promover sua série Upload e o drama de ficção científica Tales of the Loop. A WarnerMedia anunciou via Twitter que também estava cancelando as "ativações" planejadas para o evento.

CNN e Mashable também tinham desistido de ter presenças oficiais.

Músicos como os Beastie Boys, Ozzy Osbourne e Trent Reznor cancelaram suas participações, e a Variety informou que os três principais grupos da indústria da música – Sony, Universal e Warner Music – recomendaram aos seus funcionários não viajarem para o evento de Austin.

Na segunda-feira (2), os organizadores disseram que o evento continuaria normalmente.

"Como resultado do diálogo e das recomendações da Austin Public Health, o evento 2020 continua com a segurança como uma prioridade", disseram ao USA Today. “Ainda há muito sobre o COVID-19 que é desconhecido, mas o que sabemos é que a higiene pessoal é de importância crítica. Esperamos que as pessoas sigam a ciência, implementem as recomendações dos órgãos de saúde pública e continuem a participar das atividades que conectam nosso mundo. Esse é o nosso plano".

No dia seguinte (3), os organizadores anunciaram a participação de Tamron Hall, Kumail Nanjiani, Chris Evans, Emily V. Gordon e outros palestrantes.

Na manhã de quarta-feira (4), uma petição na Internet, com 40.000 assinaturas pedia a não realização da SXSW, chamando o evento de "irresponsável". Em questão de horas o número saltou para 55.000 assinaturas.

O cancelamento por iniciativa do Prefeito salva a face dos organizadores.

A notícia veio logo após o anúncio de que a principal convenção de quadrinhos de Seattle, a Emerald City Comic Con, programada para acontecer no mesmo fim de semana que o início da SXSW, seria adiada para o verão.

O cancelamento será um duro golpe para a economia da cidade de Austin, pois a SXSW gera centenas de milhões de dólares em turismo, venda de ingressos e outras fontes de receita a cada ano. No ano passado, a cidade teria faturado US$ 356 milhões com o evento, segundo estimativa da SXSW. Outras projeções, situam movimentação de US$ 1 bilhão, considerando os negócios decorrentes do evento.

Os organizadores afirmam que a conferência atraiu 73.716 participantes em 2019, dos quais 19.166 vieram de outros países, além de um número não revelado de contratados e voluntários que trabalharam no evento.

Em comunicado postado no site, a organização da SXSW não abordou a questão do reembolso de crachás, que variam de US$ 1.395 a US$ 1.725.

“Estamos explorando opções para reagendar o evento e estamos trabalhando para fornecer uma experiência online virtual da SXSW o mais rápido possível para os participantes do 2020, começando com a SXSW EDU”, diz a nota de cancelamento no site da conferência.

A SXSW é apenas a mais recente conferência do setor a ser adiada ou cancelada nos Estados Unidos devido a preocupações com COVID-19, a doença causada pelo novo coronavírus. A Game Developers Conference, o Mobile World Congress, a conferência de desenvolvedores F8 do Facebook, a conferência Cloud Next do Google, a conferência de desenvolvedores Google I/O e inúmeros outros eventos foram afetados de maneira semelhante, com os organizadores adiando os encontros físicos, passando para eventos "virtuais" por meio de videoconferência, ou cancelando totalmente.

* Com informações da CNBC , Variety, USA Today, The Verge, Vox

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