A OMS Europa diz que a região, que se estende até o leste das antigas repúblicas soviéticas na Ásia Central, registrou quase 1,8 milhão de novos casos semanais, um aumento de 6% em relação à semana anterior e 24.000 mortes semanais (+12%), a quinta semana consecutiva de  aumento em todo o continente, tornando-a a única região do mundo onde a disseminação do vírus da covid-19 continua crescendo.

“Estamos em outro momento crítico do ressurgimento da pandemia. A Europa está de volta ao epicentro da pandemia, onde estávamos há um ano“, disse Kluge, em Copenhagen, nesta quinta-feira (4).

O epidemiologista chefe da Suécia, Anders Tegnell, disse nesta quinta-feira que "estamos claramente em outra onda" e acrescentou que "o aumento da disseminação está inteiramente concentrado na Europa".

De acordo com “uma projeção confiável”, a trajetória atual significaria “mais meio milhão de mortes por covid-19” nos próximos quatro meses, disse Kluge.

Nos últimos sete dias, a Rússia registrou 8.162 mortes, seguida pela Ucrânia (3.819) e Romênia (3.100).

Com 78 milhões de casos na região europeia da OMS – que abrange 53 países e territórios e inclui várias nações da Ásia Central – o número acumulado excede o do Sudeste Asiático, a região do Mediterrâneo Oriental, o Pacífico Ocidental e a África combinados.

Em coletiva online da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) especialistas pediram nesta quinta-feira que as pessoas se vacinassem.

“A situação epidemiológica na Europa é muito preocupante agora que entramos no inverno com aumentos nas taxas de infecção, hospitalização e também podemos ver o aumento de fatalidades”, disse Fergus Sweeney, chefe de estudos clínicos e da força-tarefa de manufatura da EMA.

O chefe de emergências da OMS, Dr. Michael Ryan, também pediu às autoridades europeias que “fechem a lacuna” nas vacinações. No entanto, o Diretor Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que os países que imunizaram mais de 40% de suas populações deveriam parar e doar suas doses aos países em desenvolvimento que ainda não ofereceram a seus cidadãos a primeira dose.

“Nenhum reforço deve ser administrado, exceto para pessoas imunocomprometidas”, defendeu Tedros.

Irlanda

Autoridades de saúde pública irlandesas confirmaram 3.174 novos casos de covid-19 na quarta-feira (3) em um dos países com a maior taxa de vacinação do planeta.

Na terça-feira, foram 3.726 novos casos, o maior número diário desde janeiro. Havia 493 pacientes hospitalizados por covid-19, dos quais 90 estavam em UTI.

Não há planos para reimpor as restrições no momento, já que os casos não estão se traduzindo em hospitalizações da mesma forma que no passado.

“Temos níveis elevados de casos, mas a barreira da vacina está se mantendo. O número de pessoas no hospital é alto e o número de pessoas na UTI é alto, mas é mais ou menos onde esperaríamos que fosse nesta fase, dadas as proteções, então é um caso de manter a firmeza e seguir o plano”, disse o Tánaiste Leo Varadkar.

Varadkar disse que culpar o aumento do número de casos no retorno de casas noturnas é "simplista demais".

Falando sobre o surto, ele disse que houve um aumento significativo no número de casos de escolas primárias e jovens de 18 a 24 anos.

Os números diários notificados a cada dia são divididos entre 50% de pessoas vacinadas e 50% não vacinadas.

“Nunca tomaremos uma decisão apenas com base no número de casos, sempre teremos em consideração outros fatores – o número de pessoas no hospital, o número de pessoas que precisam de cuidados na UTI – que está estável no momento”, afirmou Varadkar.
Vacinação Irlanda.Fonte: Brian MacCraith/rede social
Vacinação Irlanda.Fonte: Brian MacCraith/rede social
Novos casos diários de covid-19 na Irlanda. Fonte: Worldometer

Atualização 10/11/2021

Alemanha, Grécia, Noruega e Eslováquia registraram, nesta quarta-feira (10), números recordes de infecções desde o início da pandemia. Já a República Checa e a Hungria não tinham tantos positivos nos últimos seis meses.

Na Rússia morreram 1.211 pessoas – um novo máximo. O recorde de mortes por covid-19 ocorre após lockdown de nove dias em várias cidades russas, incluindo Moscou, entre 30 de outubro e 7 de novembro.

Nesta quarta-feira, a Alemanha alcançou pela terceira vez em menos de uma semana um novo recorde de novos positivos: 39.676. O jornal britânico The Guardian apurou que vários hospitais alemães já estão operando no limite, com todos os leitos UTI ocupados.

Segundo Mike Ryan, diretor-executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, a Europa registrou na semana passada metade das novas infecções de todo o mundo.

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