O reinício é crucial para tirar a economia européia de um impasse que forçou os governos a prometer centenas de bilhões de euros para socorrer as empresas.

As medidas da atividade empresarial do setor privado caíram para uma baixa histórica em abril, com cortes de empregos recordes. A demanda europeia de eletricidade caiu ao menor nível em 12 anos.

As portas das fábricas estão reabrindo depois que países da Dinamarca à Alemanha começaram a diminuir as restrições, com Itália, França e Espanha a seguir. Mas não será um retorno usual aos negócios.

Embora o fechamento de fábricas seja relativamente fácil, a reabertura pode enfrentar problemas na cadeia de suprimentos que podem causar grandes interrupções, disse Michael Groemling, analista do Instituto Econômico Alemão.

"O que complica ainda mais as coisas é que ninguém sabe ao certo como a demanda nos principais mercados da Europa e dos EUA se formará nos próximos meses", disse Groemling.

Indústria automobilística

A indústria automobilística da Europa, responsável por cerca de 14 milhões de empregos, está ansiosa para voltar ao trabalho, apesar de não estar claro se os compradores voltarão aos showrooms assim que as restrições forem suspensas.

A Fiat Chrysler reiniciará a produção em sua fábrica no sul da Itália e retomará algumas operações em outras fábricas em todo o país na segunda-feira (27).

A Ferrari planeja reabrir suas fábricas de Maranello e Modena em 4 de maio.

A Volkswagen retomou na quinta-feira (23) a produção de seu novo carro elétrico ID.3 na fábrica de Zwickau, Alemanha.

A Renault reiniciou a produção na França na semana passada, começando com três fábricas de motores e peças e com apenas um quarto dos funcionários. A montadora já reabriu suas fábricas em outros países, incluindo Espanha, Portugal, Marrocos e Rússia.

O Grupo PSA não reabrirá neste primeiro momento as fábricas européias dos automóveis Peugeot, Citroen e Opel. "É importante ter atividade de concessionária e vendas antes de apertarmos o botão", disse o CFO Philippe de Rovira.

Construção civil

As maiores construtoras do Reino Unido elaboraram planos para retomar o trabalho a partir desta semana. A Persimmon iniciará um reinício em fases a partir de segunda-feira (27) e a Taylor Wimpey planeja retomar o trabalho em maio.

Na Espanha, um dos países mais afetados pelo vírus na Europa, a maioria das grandes construtoras, incluindo Aedas Homes, já retomou as atividades.

Indústria ferroviária, naval e aeroespacial

A fabricante espanhola de trens Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles voltou a operar em 20 de abril, depois de quase cinco semanas sem funcionar.

A construtora naval Fincantieri retomou parte de sua produção em 20 de abril em seus oito estaleiros italianos, mas com apenas 10% da equipe. A empresa planeja adicionar mais operários a partir de 4 de maio e atingir a capacidade total no início de junho.

A Airbus já retomou sua fabricação. A empresa no início do mês cortou sua meta de produção para o ano e alertou que pode ter que eliminar empregos e ajustar ou interromper a produção em fábricas no Reino Unido, França, Espanha e Alemanha por queda da demanda no mercado de aviação comercial.

* Com informações da Bloomberg

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