Mapa eleitoral com resultados da eleição de 2019. Em destaque, a Região Metropolitana de Londres (14 milhões de habitantes). Reprodução/BBC
Os conservadores de Boris Johnson venceram as eleições de quinta-feira (12) com o melhor resultado desde a vitória de Margaret Thatcher, em 1987. Cada hexagono representa um dos 650 parlamentares da House of Commons, a câmara baixa do Reino Unido, eleitos através de voto distrital. Em destaque, a Região Metropolitana de Londres. Reprodução/BBC

No Reino Unido, após as pesquisas de boca-de-urna apontarem vitória eleitoral avassaladora do partido Tory, do Primeiro-Ministro Boris Johnson, a libra esterlina chegou a ser cotada a US$ 1,3513.

No início das negociações desta sexta-feira (13), a moeda ainda mantinha a maior parte da valorização, cotada em US$ 1,3411 (+1,89%).

Fonte: Investing.com (13/12/2019 10:20 UTC)
GPB/USD. Reprodução/Investing.com (13/12/2019 10:20 UTC)

Os títulos do governo do Reino Unido, procurados em tempos de nervosismo ou estresse, recuaram, com os rendimentos de 10 anos subindo 0,64 pontos percentuais, para 0,88% - o maior desde junho. Os rendimentos aumentam quando os preços caem.

Investidores e analistas disseram que a reação do mercado demonstrou que os gestores de fundos almejavam segurança nos próximos passos para o Reino Unido, política e economicamente.

"Qualquer resultado decisivo é melhor do que um resultado indeciso", disse James Athey, gerente sênior de investimentos da Aberdeen Standard Investments, em Londres. "Para mim, quanto mais o purgatório durasse, mais danos causaria".

"Os mercados de moedas poderão se beneficiar de uma maior clareza nas perspectivas e da chance reduzida de um Brexit sem acordo", disse Paul Robson, chefe de estratégia da NatWest Markets. "Vemos ganhos adicionais em libras esterlinas nos próximos meses".

“A clareza sobre os termos de saída do Reino Unido da UE tem o potencial de liberar investimentos empresariais reprimidos. Uma retomada do crescimento global deve sustentar o impulso da demanda externa, e a reversão de uma década de consolidação fiscal pode estimular a economia doméstica”, disse Adrian Paul, economista do Goldman Sachs, em Londres.

O vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos,  considerou hoje que as eleições no Reino Unido eliminam a incerteza ao  confirmar que o país abandonará a União Europeia (UE) no próximo dia 31  de janeiro.

Guindos defendeu que é preciso criar uma união de capitais na Europa  porque o "verdadeiro" mercado de capitais está agora em Londres.

O impulso ao sentimento do mercado do Reino Unido é significativo e decorre principalmente da escala da maioria parlamentar do partido de Johnson. Isso não apenas permite que ele faça um acordo sobre o Brexit no parlamento, mas também pode deixar de lado algumas das vozes mais estridentes que pediram uma saída da União Europeia sem nenhum acordo.

FTSE

As ações listadas no Reino Unido registram expressivos aumentos nas negociações desta manhã.

O índice FTSE 250 saltou 5% na abertura.

O FTSE 100 alcançou alta de 2% e o FTSE 350 subiu 2,3%.

As ações de serviços públicos dispararam, com a National Grid subindo 8% e Royal Mail avançando 10%, resultado da rejeição dos eleitores da onda de nacionalizações planejada por Jeremy Corbyn.

O programa dos trabalhistas previa a estatização de ferrovias, do sistema de abastecimento de água, da BT e do correio. Defendia também uma representação maior dos funcionários nos conselhos de administração das empresas e o aumento de impostos dos 'ricos'. O líder trabalhista prometia ainda negociar um novo acordo de saída com a União Europeia (UE) e submetê-lo à votação dos britânicos em um prazo de seis  meses, em um referendo que também incluiria a opção de permanecer na UE.  

No FTSE 250, os maiores ganhos foram alcançados pela Virgin Money, com aumento de 16%, Stagecoach em 14%, Savills em 12% e OneSaving Bank em 11%.

FTSE 250. Fonte: Investing.com (13/12/2019 11:10 UTC)
FTSE 250. Reprodução/Investing.com (13/12/2019 11:10 UTC)
Fonte: Investing.com (13/12/2019 10:20 UTC)
FTSE 100. Reprodução/Investing.com (13/12/2019 10:20 UTC)

Os principais ganhos do FTSE 100 nesta manhã são em alguns dos setores-chave da economia britânica: bancos, construtoras, varejistas e empresas que estavam sendo negociadas com receio da nacionalização proposta pelos trabalhistas.

No topo da lista está Taylor Wimpey, que subiu 13%. Logo atrás está a construtora de casas Persimmon (11%), Royal Bank of Scotland (11%), Berkeley Group Holdings (10%), e SSE (10%).

FTSE 350. Fonte: Investing.com (13/12/2019 11:40 UTC)
FTSE 350. Reprodução/Investing.com (13/12/2019 11:40 UTC)

"Onde quer que você olhe nos mercados financeiros nesta manhã, a mensagem dos movimentos acentuados nos preços é a mesma.

Os mercados acreditam que os desenvolvimentos políticos da noite para o dia iluminaram as perspectivas econômicas e financeiras e que isso permitirá fundamentos mais fortes para justificar o nível elevado de ativos de risco, como ações, e aumentá-los ainda mais.

Duas condições de curto prazo necessárias foram estabelecidas para isso: resultados positivos para o mercado de capitais com as eleições no Reino Unido e as negociações comerciais EUA-China. O que é necessário agora é o tipo de acompanhamento político que garante que o que é politicamente necessário também seja suficiente para a economia".

Mohamed El-Erian, Allianz’s chief economic adviser

* Com dados e informações do Investing.com e The Financial Times

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