A correção respondeu a inquietante questão "se a infecção Ômicron é muito mais leve, por que as hospitalizações são tão altas em grande parte dos Estados Unidos?". É porque as infecções que estão causando complicações graves de covid-19 não são por Ômicron ainda, frustando os cenários alarmantes de uma profusão de modelos divulgados pela imprensa, "provando" a letalidade da nova variante, que confirmaria a inegável necessidade de vacinação (e revacinação) obrigatória.

COVID Data Tracker © CDC
COVID Data Tracker © CDC 

A desastrada estimativa* do CDC causou ainda o desabastecimento em hospitais americanos de medicamentos de anticorpos monoclonais usados para tratar pacientes infectados pela variante dominante Delta e anteriores.

(*) Atualização: Segundo informações de especialistas, a porcentagem de 73% não foi determinada pelo CDC a partir de dados de campo mas extraída de uma modelagem matemática do Imperial College, elaborada pelo mesmo grupo que errou todas as projeções que fez sobre a atual pandemia e outras anteriores.

A administração Biden interrompeu subitamente as remessas dos produtos da Regeneron e da Eli Lilly, preferidos por mais de um ano para tratar pacientes em estágio inicial de covid-19, depois que os fabricantes advertiram que os testes laboratoriais sugeriram que suas terapias de anticorpos monoclonais serão muito menos potentes contra o Ômicron.

A miopia é especialmente evidente porque o governo federal proibiu efetivamente os estados de comprar esses medicamentos e servir suas populações diretamente.

Ainda assim, na semana encerrada em 25 de dezembro, a estimativa do CDC é de 59% (IC 95%, 42-74%) de infecções por Ômicron, variação que indica um número relativamente limitado de amostras de sequenciamento para tirar conclusões.

"Agora é a hora crítica quando precisamos saber sobre o Ômicron e se ele vai provar ser menos severo, e quão menos severo, do que o Delta. Temos uma taxa de vacinação e taxa de reforço muito mais baixas do que o Reino Unido, Dinamarca, Noruega e outros países que enfrentaram o domínio do Ômicron antes de nós. Suas experiências até o momento de desvinculação de casos e doenças graves pode não ter o mesmo efeito nos Estados Unidos, assim como o Delta não teve. Isso requer ter os dados – sequenciamento de vírus e dados clínicos – em tempo real ou o mais próximo possível do tempo real", ponderou Eric Topol em seu blog.

"A pandemia ainda tem um longo caminho até 2022. Precisamos que esta agência federal 'se atenha à ciência' conforme prometido, forneça dados extremamente importantes em tempo hábil e evite a publicação de dados alarmantes e errôneos com base em amostragem limitada", acrescentou Topol.

No Reino Unido, Dinamarca e África do Sul boa parte dos números hospitalares aumentaram por admissões "incidentais" – pacientes que foram buscar assistência médica para outras doenças no hospital e testaram positivo, alterando o quadro real, incluindo o tempo de internação por Ômicron, que aparenta ser muito menor, de 3 a 5 dias em contraste com 8-10 dias de outras variantes.

Nesta quarta-feira (29), Topol afirmou em rede social, apontando cinco estudos, "todos replicações independentes e consistentes in vivo, in vitro", que a variante Ômicron não pode infectar pulmões ou células pulmonares tão bem como as outras cepas.

Reprodução © rede social
Dados in vivo e in vitro sugerem menos patologia pulmonar por Ômicron - além de um número crescente de estudos epidemiológicos mostrando desacoplamento da gravidade clínica / internações / mortalidade do número de infecções. Reprodução © rede social

Leitura recomendada:

Veja também: