A análise examina os níveis de emprego em janeiro de 2020, antes do vírus da covid-19 se espalhar amplamente e antes das ordens de lockdown e outras restrições à economia serem implementadas, e compara com dados de emprego durante a pandemia, coletados pelas empresas Earnin, Intuit, Kronos e Paychex.

Os dados até 5 de maio mostram que o emprego para trabalhadores de salários mais baixos, definido como ganhando menos de US$ 27.000 por ano, estava -22,2% abaixo de janeiro de 2020; o emprego para trabalhadores de salário médio, remuneração anual entre US$ 27.000 e US$ 60.000, recuperou o nível antes da crise após subir 5 pontos percentuais (p.p.) de abril para maio; e para aqueles trabalhadores ganhando salários altos, mais de US$ 60.000, o emprego subiu também 5 p.p. de abril para maio, atingindo um nível +7,4% maior comparado ao mês de janeiro de 2020, apesar da turbulência econômica do país.

Variação por faixa salarial do nível de emprego durante a pandemia. Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University, Bill and Melinda Gates Foundation
Variação por faixa salarial do nível de emprego durante a pandemia. Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University, Bill and Melinda Gates Foundation

Os dados reforçam o entendimento que os lockdowns do governo prejudicam mais aqueles que menos podem pagar.

Em outubro do ano passado, o Dr. David Nabarro, da OMS, apelou aos governantes para pararem de “usar lockdown como seu método de controle primário” do vírus da Covid. “Os lockdowns tem apenas uma consequência que você nunca deve menosprezar: torna os pobres muito mais pobres”.

Recuperação e crescimento de empregos de médio e alto salários. Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University, Bill and Melinda Gates Foundation
Recuperação e crescimento de empregos de médio e alto salários. Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University, Bill and Melinda Gates Foundation
Destruição da classe trabalhadora. Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University, Bill and Melinda Gates Foundation
Destruição da classe trabalhadora de baixa renda. Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University e B&M Gates Foundation

"Embora o mercado de trabalho esteja forte agora para profissionais bem pagos e trabalhadores de serviços de baixa remuneração, nem todos podem encontrar uma correspondência para suas habilidades, experiência ou localização, criando um paradoxo de desemprego relativamente alto combinado com abertura recorde
de empregos", observa o diário americano The Wall Street Journal (WSJ).

A narrativa de 9,2 milhões de vagas abertas no final de maio deixa a impressão de que os empregadores estão contratando como nunca. Mas muitas empresas que demitiram durante a pandemia estão prevendo que precisarão de menos empregados no futuro, avalia o WSJ.

"Tal como aconteceu com os choques econômicos anteriores, a recessão induzida pela pandemia foi um catalisador para que os empregadores investissem em automação e implementassem outras mudanças destinadas a conter as contratações", lembra o jornal.

Muitos empregos perdidos na pandemia devem ser eliminados permanentemente.

Em setores que vão de hotéis a aeroespacial e restaurantes, as empresas revisaram suas operações e encontraram formas de reduzir custos trabalhistas a longo prazo.

Variação (%) do emprego em abril/2021 (base: janeiro/2020). Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University e B&M Gates Foundation
Variação (%) do emprego em abril/2021 (base: janeiro/2020). Fonte: Earnin, Intuit, Kronos e Paychex. Arte: © Harvard University, Brown University e B&M Gates Foundation

A produção americana alcançou os níveis pré-pandêmicos no primeiro trimestre de 2021 – queda de apenas 0,5% em relação ao final de 2019, embora os trabalhadores tenham gasto 4,3% menos horas do que antes da crise sanitária.

"Economistas dizem que pode ser um processo prolongado para alguns trabalhadores demitidos encontrar empregos ou adquirir habilidades necessárias para novas carreiras", destaca o WSJ.

Cerca de 9,5 milhões de americanos estão oficialmente desempregados.

Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram inesperadamente em 51 mil, para um número com ajuste sazonal de 419 mil na semana encerrada em 17 de julho, informou o Departamento do Trabalho na quinta-feira passada (22).

As solicitações de auxílio-desemprego têm mostrado dificuldade para melhorar desde que caíram para menos de 400 mil no final de maio, mesmo com pelo menos 20 estados administrados por governadores republicanos se retirando dos programas de auxílio-desemprego financiados pelo governo dos EUA.

Até o momento, há poucas evidências de que a rescisão antecipada dos benefícios federais, que começou em 12 de junho e vai até 31 de julho, tenha causado um aumento na procura por emprego.

Os pedidos de auxílio caíram de um recorde de 6,2 milhões no início de abril de 2020, mas permanecem acima da faixa de 200 mil a 250 mil, que é vista como consistente com condições saudáveis do mercado de trabalho.

Atualização 28/07

O Bureau of Labor Statistics levantou que o salário médio por hora nos Estados Unidos passou de US$ 29,35 em junho de 2020 para US$ 30,40 em junho de 2021 – um aumento nominal de 3,6%. No entanto, descontada a variação do Índice de Preços ao Consumidor no período de 5,3%, de fato houve perda salarial.

* Com informações do Wall Street Journal (WSJ)

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