Os sete grandes produtores de diamantes, em 2020, foram responsáveis por 97% do volume total de produção. O ranking é liderado pela Rússia, com produção de 31 milhões de quilates, seguida pelo Botsuana (16,9 milhões), Canadá (13 milhões) e RD Congo (12,7 milhões).

A África, com 51 milhões de quilates extraídos em 2020, respondeu por 48% do total dos diamantes produzidos naquele ano, 107 milhões de quilates.

Os EUA respondem por cerca de metade do total das vendas de diamantes.

De acordo com o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA, todos os negócios com a Alrosa, a maior produtora de diamantes do mundo, devem ser encerrados até 7 de maio.

As reservas confirmadas da estatal russa até 1º de julho de 2018 somaram 628 milhões de quilates, o que é suficiente para garantir volumes de produção no nível de 2021 por mais de 16 anos.

Os principais mercados para a Alrosa, que emprega cerca de 32.000 pessoas, são os EUA e a Ásia, destacando-se a Índia.

Enquanto as joalherias americanas Tiffany e Signet Jewelers disseram que vão parar de adquirir diamantes extraídos na Rússia, compradores nos grandes centros comerciais de Antuérpia e Dubai e centros de lapidação na Índia passaram as últimas duas semanas consultando advogados para determinar como podem continuar comprando os diamantes russos.

Enquanto isso, os diamantes pararam de fluir das minas russas para Surat – o epicentro mundial de corte de diamantes – porque os bancos indianos não são capazes ou não estão dispostos a processar os pagamentos.

Segundo a Bloomberg, embora as conversas entre a Alrosa e empresários da Índia abordem o pagamento em rublos ou rúpias, qualquer acordo precisará do apoio do governo indiano, que não participa das discussões.

A disrupção está sendo sentida pela indústria global, que já enfrentava escassez de pedras brutas mesmo antes do conflito na Ucrânia.

Os preços dos diamantes brutos subiram no último ano, como resultado dos consumidores dos EUA terem comprado uma quantidade recorde de joias. Isso criou um boom para as empresas que produzem, cortam e comercializam diamantes.

À medida que as preocupações com a inflação começaram a atingir a confiança dos consumidores, os preços das pedras brutas começaram a cair. No entanto, os preços das pedras menores, em que a Alrosa se especializou, estão subindo, com o comércio procurando garantir suprimentos.

A Alrosa PJSC é efetivamente controlada pelo Estado russo: o governo federal possui 33% e outros 25% são mantidos por autoridades locais. Suspender sua oferta por um período longo será sísmico para o mercado global de diamantes.

Para a Alrosa, uma opção poderia ser vender seus diamantes ao governo russo, como fez durante a crise financeira de 2008.

As posições de liderança da Alrosa no mercado global de diamantes contribuem para uma alta avaliação de suas posições competitivas de acordo com a metodologia da Expert RA, a maior e mais antiga agência de classificação de crédito da Rússia. No entanto, o grupo passou a enfrentar dificuldades no pagamento de empréstimos da Eurobond com a introdução de sanções econômicas em março-abril de 2022. A agência não interpreta o não cumprimento dessas obrigações como um evento de inadimplência, uma vez que não se deve à falta de recursos financeiros da Alrosa mas à inacessibilidade da capacidade técnica da infraestrutura do mercado eurobond para garantir o devido cumprimento das obrigações sobre os títulos do emissor devido à pressão de sanções.

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