A inflação dos EUA acelerou em junho mais do que o previsto, liderada por preços elevados para gasolina, alimentos e habitação, resultando no maior aumento anual da inflação em mais de 40 anos.

Para muitas áreas dos EUA, a inflação de dois dígitos é agora a norma.

Há um mês, havia apenas quatro áreas urbanas com inflação acima de 10%. Agora são oito, com Seattle, Miami, Houston e Baltimore registrando a inflação em dois dígitos pela primeira vez. As outras quatro cidades com mais de 10% de inflação são Atlanta, Phoenix, Tampa e a área metropolitana de Riverside-San Bernardino.

A maior alta no continente dos Estados Unidos é Phoenix, com 12,3%.

Os dados mensais de inflação urbana não estão disponíveis para todas as áreas — algumas têm dados a cada dois meses. Isso dificulta apontar qual área está experimentando o maior aumento. Chicago viu um dos maiores aumentos, em um e dois meses, passando de 7,2% em abril e 8% em maio para 9,4% em junho.

No geral nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) para todos os consumidores urbanos aumentou 1,3% em junho, depois de subir 1% em maio. Os maiores contribuintes foram gasolina, habitação e alimentação. O índice de energia subiu 7,5% no mês e contribuiu para quase metade dos aumentos de todos os itens, com o índice de gasolina subindo 11,2%.

Os altos níveis de inflação levaram o Federal Reserve dos EUA a elevar as taxas de juros em um esforço para conter a disparada dos preços, com novos aumentos de taxas esperados para 2022. No entanto, indicadores de várias fontes, incluindo o Federal Reserve Bank of Atlanta, mostram que a economia dos EUA está caminhando para uma recessão, o que aumentaria a perspectiva da chamada estagflação — um período de estagnação econômica aliado aos preços em espiral.

De acordo com a Heritage Foundation, uma entidade conservadora, a variação anual do CPI deverá atingir dois dígitos nos próximos meses, no outono do hemisfério norte.

"As coisas só vão piorar de uma forma ou de outra, já que as políticas econômicas de Biden são uma espada de dois gumes", disse Joel Griffith, pesquisador de estudos de política econômica da fundação. "Este é possivelmente o último mês de fatores econômicos persistentes mantendo a inflação na faixa de 8%, o que significa que o número oficial [índice de preços ao consumidor] pode estar na faixa de 10% até o outono".

"Ou, a inflação pode desacelerar se os preços da gasolina – que têm sido um dos principais impulsionadores da inflação – caírem ainda mais do que nos últimos dias. O problema com isso? Esses preços estão caindo não por causa de mais oferta, mas por causa do medo crescente de recessão".

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) está atualmente em alta recorde de 11,3%.

"Este é o sétimo mês consecutivo com inflação de preços no atacado acima de 10%", disse o senador republicano de Idaho Mike Crapo. "Agora seria a pior hora para submeter as empresas a outra rodada de aumentos de impostos democratas, o que serviria apenas para pressionar mais os produtores, incluindo o grande número de pequenas empresas lutando para permanecer à tona no ambiente de alta inflação e escassez que infelizmente foi projetado pelas políticas econômicas do governo Biden".

Os líderes democratas no Congresso estão considerando um projeto de lei de reconciliação orçamentária à prova de obstrução, que pode incluir US$ 300 bilhões para iniciativas relacionadas ao clima, além de expandir os subsídios do Affordable Care Act (Obamacare) financiados pelo contribuinte, bem como um esforço para reduzir os preços dos medicamentos prescritos.

Os Democratas também estão considerando aumentar os impostos das empresas.

O senador democrata da Virgínia Ocidental Joe Manchin disse que só apoiará um pacote de gastos que não piore a situação da inflação no país.

"A inflação está absolutamente matando muitas, muitas pessoas", disse Manchin.

Veja também: